Religião

01/01/2021 | domtotal.com

Projeto de vida: esperança em meio à imprevisibilidade

O que desejamos fortalecer e o que desejamos enfraquecer na sociedade a partir de nossos projetos pessoais

Surge uma demanda que é pessoal e também coletiva: construir novos projetos de vida
Surge uma demanda que é pessoal e também coletiva: construir novos projetos de vida (Mohammad Mahdi Samei / Unsplash)

Vanessa Araújo Correia*

Em 2020, vimos nossos projetos serem alterados, interrompidos, adiados. Numa velocidade devastadora, fomos coagidos a uma nova realidade, para a qual não estávamos e não estamos preparados. Tivemos de, confinados em nossos lares, cessar ou ressignificar atividades sociais, relações e planos. Fomos compelidos a novas formas de relacionamento, de trabalho, de estudo, de convivência familiar, de lazer, de higiene. Vivemos, cada um a seu modo, um ano de sofrimento solitário (ainda que o mal fosse comum) e de batalhas (contra o vírus, contra a ignorância, contra nós mesmos).

Não é difícil imaginar que, neste contexto, muitas pessoas encontram-se sem perspectivas ou projetos para o futuro, devastadas pelo trauma da incerteza e do perigo que ainda nos assombram. No entanto, em meio ao isolamento social e a um horizonte existencial que se reduziu à sobrevivência, mais do que nunca, intuímos ser necessário reinventar hábitos, valores, prioridades e atividades que nos afastem de tudo que nos trouxe até a pandemia e suas consequências. Mais do que nunca o mundo precisa de pessoas capazes de discernir e fazer boas escolhas para si, para os demais, para o planeta. Assim, surge uma demanda que é pessoal e também coletiva: construir novos projetos de vida.

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O projeto de vida é uma ferramenta que nos ajuda a construir uma perspectiva sobre nós mesmos, repercutindo em nossa identidade pessoal. É, portanto, um desafio biográfico que nos provoca a projetar que tipo de pessoa queremos ser. Além disso, ao projetar a vida, vislumbramos os múltiplos futuros possíveis e escolhemos entre eles, ancorados nos valores que elegemos para nos guiar. Assim, decidimos o que queremos fazer e também quem queremos ser.

Nenhum projeto de vida, no entanto, pode ser construído sem referência à realidade social e às demais pessoas com as quais compartilhamos um destino comum. Há, desse modo, uma dimensão coletiva intimamente ligada ao projeto de vida. Ao elaborá-lo, ancorados na realidade presente, devemos nos perguntar: em qual sociedade quero viver?

Desse modo, todos e todas podemos assumir algumas tarefas simples, mas significativas, nesse período de virada de ano ao elaborarmos nossos projetos de vida. Do ponto de vista pessoal, somos convidados a um exame pessoal das potências, limitações e posições pessoais, de modo a reafirmar e revisar valores, hábitos e prioridades que assumimos. 

Do ponto de vista social, seria oportuno considerar as características de nosso tempo histórico, deixando-nos interpelar pela realidade e o que ela exige de nós. O que desejamos fortalecer e o que desejamos enfraquecer na sociedade a partir de nossos projetos pessoais? Por fim, devemos refletir, com base em nossa identidade, nossos valores e desafios do tempo em que vivemos, quais compromissos somos capazes e desejamos assumir.

O que precisa nos guiar, em tudo isso, é a esperança – aquela que nos ajuda a dispor-nos com confiança diante do presente e do futuro, a despeito das imprevisibilidades.

Vanessa Araújo Correia é doutoranda em Sociologia pela Universidade de São Paulo, coordena a Pós-Graduação em Juventude no mundo contemporâneo e o Eixo Pedagogia da Formação no Programa MAGIS Brasil da Companhia de Jesus



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