Religião

01/01/2021 | domtotal.com

O ano termina, começa outra vez: e nós?

Com tudo o que foi 2020, urge lidar com a vida de uma maneira diferente

A mudança de ano é tempo propício para revisar e planejar mudanças de vida
A mudança de ano é tempo propício para revisar e planejar mudanças de vida (Unsplash/Kaleidico)

Felipe Magalhães Francisco*

É 1º de janeiro. Talvez o leitor e a leitora estejam num misto de sensações: possivelmente aliviados, pelo fim de um ano imensamente difícil; apreensivos pelo que pode despontar, depois de tantas coisas ruins; esperançosos para que boas coisas surjam e aconteçam; desanimados, pelo cenário sociopolítico que enfrentamos... A questão é que mudanças de ciclos são sempre momentos em que nos colocamos a refletir, a avaliar, a projetar. São ocasiões em que temos, interiormente, estalos de reflexões sobre como podemos ser melhores, sobre como podemos fazer diferente, superar dificuldades existenciais, relacionais, entre outras. Para alguns, isso tudo pode soar desesperador, provocador de ansiedade.

Culturalmente, marcamos a virada de ano como um recomeço. A expectativa, geralmente, é a de que façamos mudanças, de que tenhamos coragem para buscar a realização de sonhos, de que novas oportunidades surjam. A virada do ano é marcada por superstições, por práticas que inspirem boa sorte, por religiosidades que quiçá possam abrir caminhos. As marcações temporais que nossa cultura celebra são símbolos importantes, de que a vida não é a mesma, de que as transformações são significativas, de que nossa existência é chamada à evolução.

A maior crise de nosso século, que ainda estamos atravessando, trouxe muita coisa à tona: afetou bastante nossa rotina, nosso comportamento, nossas relações. Revelou como nossa vida estava propícia ao adoecimento, à perda de nós próprios. Ela também tem contribuído para escancarar que nossos pactos de sociabilidade precisam ser refeitos: são tempos nos quais precisamos nos abrir novamente à solidariedade; à redescoberta de nos engajarmos na luta em favor do coletivo; das tentativas diálogo paciente, que contribuam para descristalização de visões de mundo tão nocivas. Do ponto de vista do melhor que se espera do humano, não é possível que após tantas e tantas mortes, causadas por uma pandemia, nós nem sequer tentemos lidar com a vida de uma maneira diferente.

O Dom Especial desta semana, neste dia tão simbólico, busca refletir sobre a revisão de vida e as transformações que somos chamados a assumir, em vistas de uma vida melhor bem-viver. No primeiro artigo, 'E agora, José?' A vivência religiosa à luz das marcas de um velho ano, Reuberson Ferreira retoma o conhecido poema drummondeano, para nos ajudar a refletir sobre as revisões que somos chamados a fazer, em vista das mudanças necessárias. Daniel Couto, no artigo Metanóia: razão e prática de uma vida nova, reflete a respeito da mudança de mentalidade à qual somos constantemente chamados, por força daquilo que nós somos. Por fim, Vanessa Araújo Correia propõe o terceiro artigo, Projeto de vida: esperança em meio à imprevisibilidade, no qual aborda a importância de projetarmos nossa vida, naquilo que nos é possível, levando em conta o aspecto social, tão fundamental para a constituição de nossa própria vida.

Que este seja um ano bom! Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com



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