Religião

03/01/2021 | domtotal.com

Papa Francisco critica pessoas que ignoraram pandemia durante as festas de fim de ano

Pontífice pediu que se evite a 'tentação de cuidar apenas dos próprios interesses'

Vaticano anunciou que comprou o número necessário de vacinas para imunizar todos os habitantes e trabalhadores da cidade-Estado
Vaticano anunciou que comprou o número necessário de vacinas para imunizar todos os habitantes e trabalhadores da cidade-Estado (Vatican Media)

Após a bênção Angelus deste domingo (3), o papa Francisco criticou as pessoas que mesmo com a pandemia do novo coronavírus saíram para viajar durante as festas de fim de ano, "buscando apenas satisfazer apenas o próprio prazer". De acordo com o pontífice, é responsabilidade de cada um, além da preocupação com os mais necessitados, mudar os hábitos diante da nova realidade e evitar "a tentação de cuidar apenas dos próprios interesses".

"Li nos jornais algo que me entristeceu bastante: em um país, não me lembro qual, para fugir do 'lockdown' e ter boas férias, mais de 40 aviões saíram naquela tarde", comentou Francisco. "Mas essas pessoas, que são boas pessoas, não pensaram naquelas que ficaram em casa, nos problemas econômicos de tantas pessoas que o 'lockdown' derrubou, nos doentes? Apenas, tirar férias e dar prazer a si mesmo. Isso me entristeceu muito."

A mensagem semanal, que normalmente é feita de uma janela no Palácio Apostólico de frente para a Praça de São Pedro, está sendo realizada internamente para evitar aglomerações no Vaticano. "Não sabemos o que 2021 vai nos reservar, mas o que cada um de nós e todos nós juntos podemos fazer é nos comprometer um pouco mais a cuidar uns dos outros", completou o pontífice.

O Vaticano, que registrou 27 casos de Covid-19, anunciou no sábado que comprou o número necessário de vacinas para imunizar todos os habitantes e trabalhadores da cidade-Estado.

Angelus

Em sua reflexão, Francisco meditou sobre a Solenidade da Epifania do Senhor com o Evangelho (Mt 2,1-12) sobre os três Reis Magos que, do Oriente, vieram adorar o Menino Jesus em Belém. Na alocução que precedeu a oração mariana no Vaticano, refletiu sobre o Evangelho de João (1,1-18) que não traz “um episódio da vida de Jesus, mas nos fala d’Ele antes nascer”, revelando “algo sobre Jesus antes que viesse entre nós”.

Desde o princípio, a Palavra

O pontífice enaltece, através da liturgia do dia, que Jesus existia antes do aparecimento da vida, “antes do início das coisas, antes do universo, antes de tudo. Ele existe antes do espaço e do tempo”. São João o chama de "Palavra", recorda o papa, que tem a força da “comunicação”, que significa falar sobre algo com alguém:

“O fato de Jesus ser desde o princípio a Palavra significa que desde o início Deus quer se comunicar conosco, quer falar conosco.”

Uma comunicação que reflete “a beleza de ser filho de Deus”, de sermos amados. O papa, então, nos recorda que “esta é a maravilhosa mensagem de hoje: Jesus é a Palavra, a Palavra eterna de Deus, que sempre pensou em nós e quer se comunicar conosco”.

Das palavras se fez carne

Para fazer isso, afirma Francisco, “Ele foi além das palavras”, como o próprio Evangelho nos diz que a Palavra "se fez carne e habitou entre nós" (v. 14): “se fez carne: por que São João usa esta expressão, ‘carne’? Não poderia dizer, de maneira mais elegante, que se fez homem? Não, usa a palavra carne porque ela indica a nossa condição humana em toda sua vulnerabilidade, em toda sua fragilidade. Ele nos diz que Deus se fez fragilidade para tocar de perto as nossas fragilidades. Portanto, desde que o Senhor se fez carne, nada em nossa vida é estranho para Ele. Não há nada que Ele desdenhe; tudo podemos compartilhar com Ele, tudo. Querido irmão, querida irmã, Deus se fez carne para nos dizer, para dizer que lhe ama ali mesmo, que nos ama ali mesmo, nas nossas fragilidades, nas suas fragilidades; ali mesmo, onde a gente mais se envergonha, onde você mais se envergonha”

O papa afirma que essa é uma decisão “audaz de Deus”, de se fazer carne justamente onde nós mais nos envergonhamos. Francisco recorda, assim, que ao se fazer carne Deus “não voltou atrás”:

“Não pegou a nossa humanidade como uma roupa, que se veste e se tira. Não, nunca mais se desprendeu da nossa carne […]. E nunca mais vai se separar: agora e para sempre Ele está no céu com o seu corpo de carne humana. Ele se uniu para sempre à nossa humanidade; poderíamos dizer que se ‘casou’ com ela. [..] O Evangelho diz, na verdade, que veio habitar entre nós. Ele não veio nos fazer uma visita e depois foi embora, veio para habitar conosco, para estar conosco”.

Acolher Jesus na nossa fragilidade

Francisco finaliza a oração mariana do Angelus, pedindo justamente à Santa Mãe de Deus, “em quem a Palavra se fez carne”, que nos ajude a acolher Jesus, “que bate à porta do coração para habitar conosco”. O que Deus deseja de nós realmente, acrescenta o papa, é uma grande intimidade:

“Ele quer que compartilhemos com Ele alegrias e dores, desejos e medos, esperanças e tristezas, pessoas e situações. Façamos isso, com confiança: abramos o coração a Ele, vamos contar tudo a Ele. Façamos uma pausa em silêncio diante do presépio para saborear a ternura de Deus feito próximo, feito carne. E, sem medo, convidemos Ele para a nossa casa, na nossa família e também – cada um conhece bem – vamos convidá-Lo nas nossas fragilidades. Vamos convidá-Lo para que veja as nossas feridas. Ele virá e a vida vai mudar.”


Agência Estado/Vatican



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