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06/01/2021 | domtotal.com

Democratas conquistam primeira vaga em disputa na Geórgia para o Senado dos EUA

O pastor Raphael Warnock é o terceiro negro eleito senador em um estado do sul do país

O democrata Raphael Warnock segue a linha libertária de Martin Luther King
O democrata Raphael Warnock segue a linha libertária de Martin Luther King (Jim Watson/AFP)

O Partido Democrata deu um grande passo para assumir o controle do Senado dos Estados Unidos ao conquistar uma das duas cadeiras em disputa na Geórgia, com a eleição de Raphael Warnock, pastor de uma igreja de Atlanta em que pregava Martin Luther King. Ele derrotou a senadora republicana Kelly Loeffler, uma empresária de 50 anos, que havia sido nomeada senadora em dezembro de 2019.

O anúncio foi feito pela mídia, ainda sem o resultado final e o o democrata vencia com 50,6% dos votos. A confirmação deve ocorrer poucas horas antes de o Congresso certificar a vitória do presidente eleito, Joe Biden e enquanto milhares de apoiadores de Donald Trump se encaminhavam para Washinton para contestar o resultado das eleições presidenciais. 

"Eu faço uma promessa a vocês esta noite: vou ao Senado para trabalhar por toda Geórgia", afirmou Warnock em uma mensagem divulgada na Internet. Seu companheiro de partido Jon Ossoff liderava a segunda votação, o que pode representar um duro golpe para os republicanos, com a retomada do controle do Senado.

Warnock, de 51 anos, entrou para a história como o terceiro afro-americano eleito para o Senado por um estado do sul do país. Na outra disputa, com 98% das urnas apuradas, Ossoff tinha uma vantagem apertada sobre o senador republicano David Perdue, uma margem superior à vitória de Biden sobre Donald Trump neste estado em novembro.

Vários analistas projetam sua vitória, pois muitos votos que ainda precisam ser contados procedem dos subúrbios de Atlanta, área de maioria democrata. Os resultados finais podem ser divulgados ao meio-dia, informou Gabriel Sterling, funcionário eleitoral da Geórgia, ao canal CNN.

Caso a vitória de Ossoff se confirme, os democratas vão assumir as rédeas do Senado - controlado pelos republicanos no momento - o que facilitaria os dois primeiros anos de governo de Joe Biden uma vez que seu partido já tem maioria na Câmara, presidida pela deputada Nancy Pelosi.

Ao contrário da Câmara, no entanto, uma vitória dos dois democratas na Geórgia não garantiria maioria ao partido no Senado. Em número de representantes, os dois partidos ficariam empatados, com 50 cadeiras cada. Acontece que, em caso de empate em alguma votação, o voto de desempate seria da vice-presidente eleita, Kamala Harris. Pela legislação americana, o vice-presidente também ocupa o cargo de presidente do Senado.

Neste cenário, Biden teria muito mais facilidade em sua relação com o Legislativo, tirando do partido Republicano a possibilidade de barrar qualquer nome indicado aos gabinetes da presidência, bem como facilitando a aprovação de projetos prioritários do governo que necessitem de aprovação por maioria simples.

"Um desastre épico"

Se o segundo resultado for confirmado neste estado sulista tradicionalmente conservador, seria um golpe duro para o Partido Republicano, que, após perder a Casa Branca há dois meses, perderia o controle do Senado. Os democratas já têm maioria na Câmara de Representantes.

Também representaria um duro revés para Donald Trump, que não reconhece sua derrota. Além disso, suas teorias da conspiração sobre uma suposta fraude eleitoral teriam, segundo analistas, prejudicado o partido.

"É um desastre épico para o Partido Republicano com um dano incalculável", tuitou Matt Mackowiak, presidente do partido no condado texano de Travis, que criticou Trump por ter prejudicado a sigla com suas acusações infundadas.

Estimulados pela vitória apertada de Biden na Geórgia em novembro, a primeira de um democrata no estado desde 1992, os democratas conseguiram mobilizar seus eleitores, especialmente o fundamental eleitorado afro-americano. "A Geórgia vai fazer história mais uma vez", disse a congressista democrata Ilhan Omar.

Eleição histórica

A eleição é histórica por outras razões também. Raphael Warnock será o primeiro senador negro na história da Geórgia. Jon Ossoff seria, com 33 anos, o senador democrata mais jovem desde... Joe Biden (em 1973).

"Tudo está em jogo", advertiu o ex-vice-presidente de Barack Obama, que se tornará em menos de três semanas o 46º presidente dos Estados Unidos e pretende estabelecer uma ruptura com o atual inquilino da Casa Branca.

Com uma vitória de Ossoff, os democratas teriam 50 cadeiras no Senado, assim como os republicanos. Mas a futura vice-presidente Kamala Harris terá o poder de desempatar as disputas, inclinando a balança para o lado democrata.

Para Dave Wasserman, analista do Cook Political Report, independente, a participação nas eleições recorda a onda democrata nas disputas para a Câmara de Representantes há dois anos. "Isto é o que vimos em 2018: muitos eleitores de Trump simplesmente não se manifestam quando Trump não está na cédula eleitoral", afirmou.

Em uma semana particularmente movimentada, o Congresso se reunirá nesta quarta-feira para registrar formalmente os votos do Colégio Eleitoral (306 para Biden, 232 para Trump). A obrigação constitucional é uma mera formalidade, mas as ações de Trump contra os resultados transformaram o dia em algo particular.

Vários pesos pesados republicanos, incluindo seu líder no Senado Mitch McConnell, admitiram a vitória de Biden, mas o atual presidente ainda conta com o apoio de dezenas de congressistas. Estes parlamentares prometeram expressar acusações de fraude no Capitólio. Os olhares estão voltados para o vice-presidente Mike Pence que, segundo o protocolo, será o encarregado de declarar a vitória de Biden na sessão conjunta.

Milhares em Washington

Uma grande manifestação de apoio a Trump está prevista para a capital americana. O presidente republicano confirmou que discursará para os simpatizantes na praça ao sul da Casa Branca.

Na capital dos EUA, centenas de apoiadores de Trump começaram a se reunir na terça-feira (5), um dia antes de um protesto convocado pelo presidente, que se recusa a admitir a derrota nas eleições de novembro. Procedentes de todos os cantos do país, os manifestantes disseram estar respondendo ao chamado de Trump para se manifestarem quando o Congresso deverá certificar a vitória eleitoral de Biden.

Trump confirmou que falará no comício, pedindo a seus seguidores que "cheguem cedo" para seu discurso das 11h (13h em Brasília), previsto para acontecer em uma esplanada perto da Casa Branca. "Meu comandante em chefe me chamou, e meu Senhor e Salvador me disse para vir", afirmou Debbie Lusk, de 66 anos, uma contadora aposentada de Seattle, na costa oeste do país. "Ou recuperamos nosso país, ou ele não existe mais", disse ela.

No mês passado, o presidente tuitou que seus seguidores deveriam se reunir em Washington, para o que prometeu que seria um dia de protestos "selvagens". Grande parte do centro da capital foi murado, com estabelecimentos comerciais fechados pela pandemia e pelos temores de que se repita a violência que abalou a cidade durante as marchas por justiça racial no ano passado.

Mais da metade dos eleitores republicanos acredita que Trump venceu a corrida à Presidência, ou não tem certeza de quem venceu, de acordo com uma pesquisa realizada em dezembro passado por pesquisadores das principais universidades americanas, incluindo Harvard.


AFP/Dom Total



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