Brasil Política

07/01/2021 | domtotal.com

No Brasil, Bolsonaro reitera ligação com Trump e congressistas criticam o episódio

Presidente se mostrou compreensivo em relação às acusações de fraude que motivaram os excessos; seu vice disse que é 'questão interna'

Bolsonaro chegou ao poder com um discurso contra o sistema semelhante ao de Trump
Bolsonaro chegou ao poder com um discurso contra o sistema semelhante ao de Trump (Jim Watson/AFP)

O presidente Jair Bolsonaro, aliado de Donald Trump, evitou criticar os apoiadores do colega americano que invadiram o Congresso dos Estados Unidos, e se mostrou compreensivo em relação às acusações de fraude eleitoral que motivaram os excessos cometidos.

"Acompanhei tudo. Você sabe que sou ligado ao Trump, você sabe qual é a minha resposta agora. Muita denúncia de fraude", disse a apoiadores que o questionaram na entrada da residência oficial, em Brasília.

Países tradicionalmente aliados dos Estados Unidos pediram a Trump e seus apoiadores que deixem de questionar o resultado das eleições sem apresentar provas de fraude. Diferentemente de líderes de outros países democráticos, o presidente Jair Bolsonaro silenciou sobre a invasão do Congresso nos Estados Unidos. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República disse que não comentaria o caso, e o Itamaraty não havia se posicionado até a conclusão desta reportagem.

Bolsonaro, que chegou ao poder com um discurso contra o sistema semelhante ao de Trump, reiterou sua convicção de que sua própria eleição, em 2018, foi fraudada para evitar que ele ganhasse no primeiro turno. "A minha foi fraudada. Eu tenho indício de fraude na minha eleição, era para ter ganho no primeiro turno", declarou.

Durante visita aos Estados Unidos, em 9 de março do ano passado, Bolsonaro disse que entregaria provas de que as eleições de 2018 foram fraudadas, mas nunca as apresentou.

Ao se calar, Bolsonaro repetiu o comportamento que teve quando o presidente eleito Joe Biden, do Partido Democrata, foi apontado como vitorioso na eleição norte-americana. Na ocasião, o republicano Trump, derrotado, contestou o resultado, e Bolsonaro viria a ecoar mais tarde acusações de fraude vocalizadas por Trump, mas nunca provadas.

Sem mencionar diretamente os fatos nos Estados Unidos, o assessor especial da Presidência Filipe Martins, principal assessor de Bolsonaro para assuntos internacionais, publicou no Twitter um meme usado por militantes de direita de uma figura fumando e um gorro com a bandeira do Brasil. Logo em seguida, apoiadores do governo comentaram que "a hora iria chegar" por aqui, sugerindo que os mesmos atos poderiam acontecer no país. Minutos depois, porém, Martins apagou a postagem.

Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão, que foi o primeiro integrante do governo brasileiro a se manifestar publicamente, afirmou que a invasão do Congresso dos EUA por apoiadores de Trump é uma "questão interna". "São questões internas dos EUA e que terão de ser solucionadas pelo novo governo e de acordo com a lei", disse.

'Inaceitável'

Mais uma vez, autoridades dos poderes Legislativo e Judiciário brasileiros condenaram a invasão nos EUA. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), chamou o episódio de tentativa de insurreição e disse que o protesto é inaceitável.

"As imagens da invasão ao Congresso americano, em uma tentativa clara de insurreição e de desprezo ao resultado das eleições por parte de um grupo, são inaceitáveis em qualquer democracia e merecem o repúdio e a desaprovação de todos os líderes com espírito público e responsabilidade", escreveu Alcolumbre.

"O Senado Federal brasileiro acompanha atentamente o desenrolar desses acontecimentos, enviando aos congressistas e ao povo americano nossa solidariedade e nosso apoio. Defendo, como sempre defendi, que a democracia deve ser respeitada e que a vontade da maioria deve prevalecer", afirmou Alcolumbre, em nota divulgada à imprensa.

No mesmo tom, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou o caso de "desespero de uma corrente antidemocrática que perdeu as eleições".

A invasão do Capitólio também foi duramente criticada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. Em novembro, Barroso acompanhou as eleições nos Estados Unidos na condição de observador e visitou locais de votação em Maryland e Washington D.C..

"No triste episódio nos EUA, apoiadores do fascismo mostraram sua verdadeira face: antidemocrática e truculenta. Pessoas de bem, independentemente de ideologia, não apóiam a barbárie. Espero que a sociedade e as instituições americanas reajam com vigor a essa ameaça à democracia", disse o ministro Barroso.

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AFP/Agência Estado/Dom Total



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