Cultura

11/01/2021 | domtotal.com

A poesia segue nas ruas

Há uma confraria de poetas resistindo

O escritor Eugênio Ramos Gianetti
O escritor Eugênio Ramos Gianetti (Divulgação/Editora Patuá)

Ricardo Soares*

O bom poeta (e jornalista) Ademir Assunção me chama atenção nesse infinito cipoal virtual sobre uma reportagem escrita por Mauricio Duarte (também um jornalista-poeta) que faz crer, sim, que o jornalismo ainda respira apesar de sua condição quase terminal. O texto saiu num, para mim desconhecido, site chamado Splash, que ganha visibilidade ainda que relativa pois está embutido dentro do portal UOL.

Mas o que importa mesmo e no fundo é o tema da reportagem do Maurício que, a exemplo do jornalista Audálio Dantas no passado (quando revelou a escritora favelada Carolina Maria de Jesus), nos dá conta de um poeta inusual e muito talentoso chamado Eugênio Ramos Gianetti .

É fato, como diz o Ademir Assunção, que Eugênio e Maurício "têm muito mais a dizer do que os Karnals, Cortellas e Pondés da vida". São completas traduções daquilo de bom e talentoso que existe nos porões do mainstream que consagra nulidades todos os dias. E que bom que nesses porões existam editores "pequetitos pero cumplidores" como o editor (e também poeta!) Eduardo Lacerda, da Patuá, que publicou os versos do Eugênio (Zoobreviver) e nesse 2021 lança um segundo livro do autor.

Eduardo Lacerda diz corretamente que devemos apreciar o trabalho do Gianetti independente de ser morador de rua e alcoólatra, muito embora não se deva ignorar isso e nem negar que justamente (e infelizmente) por isso algumas pessoas voltam atenção para o seu bom trabalho. Porque isso é atípico, pouco usual e isso, sobretudo, é sensacional.

Toda a saga do Gianetti até chegar a publicação do seu livro é contada de maneira límpida na reportagem do Mauricio Duarte que espero ser a porta de entrada para que conheçamos mais o trabalho e a trajetória do Gianetti e suas muitas histórias tristes e ternas. Nesses tempos bicudos ler essa reportagem é um alento. É uma mão e uma luva, para usar aqui uma metáfora machadiana. É a prova que a poesia segue viva e está nas ruas todos os dias e no chamamento para o assunto feito pelo Ademir Assunção, na reportagem escrita pelo Maurício, na ação editorial do Eduardo Lacerda e nas mal traçadas escritas por esse cronista (também poeta!) que vos fala.  Uma confraria de poetas a tentar deixar viva a saga de fazer amigos e influenciar pessoas num mundo mergulhado em distopia. 

*Ricardo Soares é diretor de tv, escritor, jornalista e roteirista. Publicou 9 livros, dirigiu 12 documentários.



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