Coronavírus

12/01/2021 | domtotal.com

Instituto Butantan revela que vacina Coronavac tem eficácia geral de 50,4%

Expectativa que a autorização da Anvisa para uso emergencial saia nos próximos dias

Brasil já tem mais de 10 milhões de doses da Coronavac prontas para uso
Brasil já tem mais de 10 milhões de doses da Coronavac prontas para uso (Butantan)

Depois de vários atrasos, o Instituto Butantan e o governo de São Paulo anunciaram a taxa de eficácia geral da Coronavac, vacina contra o coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. A taxa que considera a análise de todos os voluntários infectados pela Covid é de 50,4%.

A taxa de eficácia geral é o principal indicador medido pelo estudo da Coronavac (o chamado desfecho primário), segundo protocolo da pesquisa. Embora inferior à primeira taxa divulgada o índice de 50,4% não deve impedir a aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que exige eficácia mínima de 50%.

O número é inferior ao apresentado na semana passada pelo governo paulista, de 78% para casos leves e de 100% contra os quadros graves e moderados, pois a taxa referia-se somente a um recorte do estudo: ao grupo de voluntários que manifestaram casos leves de Covid, mas com necessidade de atendimento médico.

A eficácia geral, principal indicador da pesquisa e que considera toda a amostra de voluntários, não foi revelada e ficaria em patamar inferior, segundo disse à reportagem o infectologista Esper Kallas. Professor da USP, ele é coordenador do centro da pesquisa da Coronavac no Hospital das Clínicas. "O que dá para dizer com os dados que temos é que a eficácia de 78% é para aqueles casos leves que precisaram de alguma intervenção médica, classificados como nível 3 na escala da Organização Mundial da Saúde, e a de 100% é para casos moderados e graves, classificados a partir do nível 4. Gostaríamos de ver os dados também para o nível 2, que são aqueles infectados que evoluíram bem em casa e não precisaram de atendimento médico", disse Kallas.

"Quando você amplia a definição de caso, ou seja, inclui todos os casos positivos independentemente da gravidade, aumenta a sensibilidade para identificar casos de Covid-19, mas perde em especificidade. Quando forem incluídos os dados de pacientes nível 2, dilui um pouco mais a eficácia e ela deve ficar menor", completou.

Logo após a coletiva, vários cientistas criticaram a falta de transparência do Butantan ao não divulgar a eficácia geral e outros detalhes dos testes clínicos. O número de casos de Covid-19 registrados em cada grupo do estudo (placebo e vacinado) apontam eficácia de 63% - calculada com base no registro de 218 casos de Covid entre voluntários, sendo 160 no grupo que recebeu placebo e pouco menos de 60 entre os vacinados.

O diretor médico de Pesquisas Médicas do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, disse que o começo da segunda onda da Covid-19 no Brasil colocou um "estresse absolutamente extraordinário" sobre os testes clínicos de fase 3 da Coronavac. "Nenhuma outra vacina foi submetida a este estresse, por isso a incidência no grupo placebo é várias vezes superior à taxa de ataque (incidência da Covid-19) de qualquer outra vacina que publicou dados até agora", disse Palácios. Segundo ele, os testes levaram em consideração 101 casos a mais que os 151 necessários para validação dos resultados.

Apesar de a taxa não ser alta como a de outras vacinas, Palácios, afirmou que a eficácia da vacina no uso para a população em geral "deve ser bem mais alta" que o encontrado durante os estudos de fase 3 do imunizante.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, questionou o prazo para que a Anvisa analise o uso emergencial da Coronavac. "Por que atrasar o uso da Coronavac?", afirmou. "Ela tem segurança e eficácia", completou Covas. No sábado passado, a Anvisa cobrou dados mais detalhados do Butantan para avaliar o pedido de uso emergencial, submetido na sexta-feira. O governadorJoão Doria voltou a cobrar urgência da Anvisa na análise, mesmo com as pendências de documentos. "Não é razoável que processos burocráticos, ainda que em nome da ciência, se sobreponham à vida."


Agência Estado/Dom Total



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