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13/01/2021 | domtotal.com

Generais americanos condenam ataque ao Capitólio; autoridades pedem impeachment

'Os direitos à liberdade de expressão e reunião não dão a ninguém o direito a recorrer à violência, rebelião e insurreição'

O chefe do estado-maior conjunto dos Estados Unidos, general Mark Milley
O chefe do estado-maior conjunto dos Estados Unidos, general Mark Milley (Saul Loeb/AFP)

Os principais generais americanos condenaram nesta terça-feira o ataque ao Capitólio realizado no último dia seis por apoiadores do presidente Donald Trump, e disseram às tropas que o mesmo representou um "ataque direto" ao processo constitucional.

"A revolta violenta foi um ataque direto ao Congresso dos Estados Unidos, ao prédio do Capitólio e ao nosso processo constitucional", assinala um memorando assinado pelos oito membros do estado-maior conjunto, liderados pelo general Mark Milley. "Os direitos à liberdade de expressão e reunião não dão a ninguém o direito a recorrer à violencia, rebelião e insurreição."

A carta ressalta que os integrantes das Forças Armadas são obrigados a defender a Constituição. "Qualquer ato que interrompa o processo constitucional não apenas vai de encontro aos nossos valores, juramentos e tradições. É contra a lei."

A mensagem dos generais é divulgada em meio à preocupação de que os extremistas que apoiam Trump tenham partidários entre os militares e a polícia. Trump e seus apoiadores se negam a aceitar a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.

O Pentágono irá mobilizar até 15 mil efetivos da Guarda Nacional durante os atos da posse de Biden, no próximo dia 20, para conter possíveis novas manifestações violentas. Seu porta-voz, Jonathan Hoffman, declarou ontem: "Não toleramos extremistas em nossas fileiras."

Presidente da Câmara dos Representantes pede avanço no impeachment

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que a Casa precisa avançar com o impeachment do presidente Donald Trump porque o país está em "um momento sem precedentes na história."

Falando na terça-feira, na véspera da segunda votação para afastar o presidente, Pelosi disse que Trump precisa ser acusado por causa do "ataque sedicioso" de seus apoiadores ao Capitólio na semana passada. "Instigo meus colegas republicanos para que abram seus olhos e finalmente responsabilizem este presidente", disse, no plenário da Câmara. "A história de nosso país, e o futuro da nossa democracia, estão em jogo."

A Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas, deve votar para afastar o presidente Trump nesta quarta-feira (13), com alguns votos de republicanos. Se isso ocorrer, Trump será o primeiro presidente na história dos EUA a sofrer dois impeachments.

YouTube barra conta de Trump

O YouTube removeu um vídeo publicado pela conta do presidente Donald Trump e impediu que o canal divulgue novos conteúdos por um período de sete dias. A empresa comunicou a decisão nesta terça-feira (12), por meio da sua conta no Twitter destinada a avisos de imprensa.

"Após revisão e à luz das preocupações sobre um potencial contínuo de violência, removemos o novo conteúdo publicado pelo canal de Donald J. Trump por violação das nossas políticas", escreveu o YouTube. "Agora ele tem seu primeiro aviso e estará temporariamente impedido de enviar novo conteúdo por um mínimo de sete dias."

A empresa, que pertence ao Google, disse ainda que, devido a preocupações com violência, decidiu desabilitar a seção de comentários de comentários do canal de Trump por tempo indeterminado.

Aprovação da Câmara

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou resolução que pede que o vice-presidente do país, Mike Pence, invoque a 25ª Emenda para afastar o presidente Donald Trump do cargo. A medida foi aprovada por 223 votos a 205, quase exclusivamente pela bancada do Partido Democrata.

O texto pede que Pence aja para "declarar o que é óbvio para uma nação horrorizada: que o presidente é incapaz de cumprir os deveres e usar os poderes do seu cargo". Horas antes da votação, em uma carta à presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, Pence disse que não usaria o mecanismo para afastar Trump da Presidência.

Enquanto isso, já são cinco os deputados republicanos - incluindo Liz Cheney, a terceira na hierarquia do partido na Câmara - que anunciaram que votarão a favor do impeachment de Trump. "Nunca houve maior traição por um presidente dos Estados Unidos do seu cargo e do seu juramento à Constituição", disse Cheney, em um comunicado.

No primeiro processo, o impeachment foi barrado pelo Senado, de maioria republicana. Agora, o apoio de Trump pode ser menor. Na terça-feira, fontes ouvidas pelo New York Times disseram que o líder do partido na Casa, Mitch McConnell, concluiu que o presidente cometeu ofensas passíveis de impeachment e acredita que o novo processo pode facilitar a expulsão de Trump da legenda.

Assessores de McConnell também já haviam especulado em conversas de bastidores que 12 senadores republicanos, ou talvez mais, poderiam votar para afastar o presidente em um julgamento do processo de impeachment no Senado, também segundo o New York Times. Ao que tudo indica, seriam necessários 17 republicanos, mais os senadores democratas, para condenar Trump.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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