Coronavírus

13/01/2021 | domtotal.com

Eficácia menor da Coronavac exige vacinação mais rápida, diz especialistas

Imunizante da Biotech e do Butantã tem 50% de eficácia e proteção de 78% para casos leves

Programa de vacinação da Indonésia é o primeiro fora da China a usar a Coronavac em larga escala
Programa de vacinação da Indonésia é o primeiro fora da China a usar a Coronavac em larga escala (afp)

Especialistas dizem que os resultados dos testes apontam que a Coronavac é segura e eficaz, mas ponderam que a eficácia menor exige ritmo de vacinação mais veloz para frear o avanço da pandemia no Brasil.

A bióloga Natalia Pasternak, cientista independente convidada a participar do anúncio do Butantã, celebrou a divulgação de mais detalhes dos dados e afirmou que a Coronavac, embora não tenha atingido eficácia tão alta quanto a de outras vacinas, terá papel importante na contenção da pandemia.

"Não é a melhor vacina do mundo, mas é uma boa vacina. Tem sua eficácia dentro dos limites do aceitável pela comunidade científica, pela OMS e por parâmetros internacionais", afirmou a pesquisadora.

"É o que temos, é uma proteção e 50% é melhor do que nada. A vacina também demonstrou dar uma proteção de 78% em termos de prevenir casos leves. Vai ajudar", comentou a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin Vaccine. "Mas com essa taxa de eficácia, teremos de vacinar praticamente toda a população. E temos de começar o mais rápido possível. O ideal seria termos mais opções de vacinas mais rapidamente", acrescentou Denise.

Outras vacinas. Marco Aurélio Sáfadi, professor da Santa Casa de São Paulo, acrescentou que outros imunizantes com perfil similar tiveram bom resultado. "A vacina de coqueluche usada há décadas tem um perfil muito similar a esse. Previne, com muita eficiência, formas graves de coqueluche, e, com alguma eficácia, as formas de coqueluche de maneira geral. A própria vacina de gripe, que apresenta estimativa de eficácia inferior a essa que foi apresentada, também propiciou impactos substanciais em termos de prevenção", diz ele, presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Indonésia inicia vacinação

A Indonésia iniciou a vacinação contra o novo coronavírus, após aprovar o uso emergencial da Coronavac no país. O presidente Joko Widodo recebeu a primeira dose do imunizante nesta quarta-feira (13). A vacina, desenvolvida pela chinesa Sinovac Biotech, é a mesma fabricada pelo Instituto Butantan no Brasil.

O programa de vacinação da Indonésia é o primeiro fora da China a usar a Coronavac em larga escala. O país já registrou mais de 846 mil casos do novo coronavírus, com mais de 24,6 mil mortes.

O uso condicional da vacina está programado para ser liberado nos próximos meses, com prioridade para os profissionais de saúde, funcionários públicos e outros grupos de risco. A imunização será gratuita para todos os cidadãos do país.

O ministro da Saúde da Indonésia, Budi Gunadi Sadikin, disse que o país precisa vacinar 181,5 milhões de pessoas, ou cerca de 67% da população, para alcançar a imunidade coletiva. Isso significa que a vacinação em duas doses exigiria quase 427 milhões de doses, incluindo uma taxa de perda estimada em 15%.

A Indonésia recebeu o primeiro lote da Coronavac no dia 6 de dezembro e o guardou em armazéns resfriados cercados por guardas armados. Autoridades começaram a distribuir o imunizante para locais considerados chave ao redor do país enquanto aguardavam a autorização para uso.


Agência Estado



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