Religião

13/01/2021 | domtotal.com

Duas cristãs são assassinadas no Paquistão por não abjurarem a sua fé

Justiça tende a não ser feita quando o assassino é muçulmano e vítima cristã

Sexta-feira Santa de 2019 em Lahore
Sexta-feira Santa de 2019 em Lahore (AFP)

"O assassinato impiedoso de Abida e Sajida é uma tragédia que mostra como a vida das minorias religiosas no Paquistão está por um fio ou não vale nada. Estupro, raptos, conversão forçada e até assassinato de jovens cristãs são fenômenos preocupantes. O governo não pode negar isso e tem o dever de deter a violência contra os cristãos."

É o que afirma o diretor da ONG Claas (Centre for Legal Aid Assistance & Settlement), Nasir Saeed, na nota enviada à Agência Fides, onde comenta o caso ocorrido nos últimos dias, o que gerou indignação e protestos na comunidade de fiéis do Paquistão.

Duas jovens irmãs cristãs, Abida, 26, e Sajida, 28, que moravam na colônia cristã de Makhan, perto de Lahore, foram assassinadas em dezembro passado depois de terem se recusado a se converter ao Islã. A polícia prendeu dois homens muçulmanos, Mumtaz Khan e Muhammad Naeem, suspeitos de matar as duas irmãs.

Conforme apurado pela Agência Fides, Mushtaq Masih, marido de Sajida, informou que as duas trabalhavam em uma fábrica de remédios e desapareceram em 26 de novembro de 2020. A família apresentou queixa formal pelo desaparecimento, denunciando os suspeitos à polícia por rapto, já que ambas as irmãs haviam relatado que eram frequentemente assediadas sexualmente e de terem recebido dos dois colegas de trabalho, Muhammad Naeem e Mumtaz Khan, o pedido – sempre recusado – de se converter ao Islã.

A notícia do assassinato foi confirmada pela polícia nos últimos dias. Segundo os policiais, que encontraram os corpos, as duas irmãs foram mortas da mesma forma: foram algemadas e estranguladas. Os investigadores suspeitam que os dois homens presos tenham sequestrado e assassinado as irmãs, e dão continuidade às investigações.

Embora o primeiro-ministro da província de Punjab, Usman Buzdar, tenha solicitado um relatório de investigação ao inspetor-geral da polícia, Nasier Saeed confessa existir "pouca esperança de que a família venha a obter justiça, pois obter justiça no Paquistão custa muito, os julgamentos são longos e as famílias pobres não podem arcar com os custos legais. Além disso, quando o autor de um crime é muçulmano e a vítima é cristã, persuadir os juízes é muito mais difícil, porque a religião desempenha seu papel em todas as esferas da vida no Paquistão".

O pastor protestante Amir Salamat Masih, que acompanhava a família das vítimas, declarou à Fides que a maior parte da população da colônia de Makhan é composta de cristãos, pobres e analfabetos, que "não têm escolha a não ser trabalhar como operários nas fábricas próximas, para produzir roupas, sapatos, remédios, materiais diversos".

Nestes locais, muitas vezes, explica o pastor Masih, "os trabalhadores cristãos são maltratados, enfrentam ódio e são considerados inferiores aos muçulmanos, enquanto as jovens cristãs – especialmente as mais atraentes – são frequentemente assediadas por homens muçulmanos.

Os acontecimentos envolvendo Sajida e Abida não são isolados, mas mostra uma prática muito comum no ambiente de trabalho, pois ocorrem diariamente em diferentes partes do país, mas são pouco relatados. "Estas duas irmãs – conclui o pastor – só morreram porque eram cristãs, porque não quiseram abandonar a fé em Cristo, até ao fim".

Chiosa Nazir S. Bhatti, diretor do Pakistan Christian Post, jornal local que acompanhou a história, observa que, "em teoria e no papel, as minorias no Paquistão gozam de direitos iguais consagrados na Constituição. O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, se comprometeu em garantir que as minorias estejam seguras e vivam felizes no Paquistão. Quando vemos casos de falsas acusações de blasfêmia, sequestro, conversões forçadas e assassinato de jovens cristãs, deve-se ressaltar que, na prática, isso não é verdade e que a condição dos cristãos na sociedade está piorando".


Vatican News



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