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13/01/2021 | domtotal.com

Câmara dos Representantes dos EUA aprova impeachment de Trump

Processo terá que passar pelo Senado e deve ocorrer após a posse de Biden

A presidente da Câmara Nancy Pelosi bate o martelo ao fim da sessão de impedimento de Trump
A presidente da Câmara Nancy Pelosi bate o martelo ao fim da sessão de impedimento de Trump (Saul Loeb/AFP)

Faltando sete dias para a posse do presidente eleito, o democrata Joe Biden, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou o segundo impeachment contra o presidente norte-americano, Donald Trump.

O republicano é acusado de ter incitado violência na semana passada, quando apoiadores do presidente invadiram o Congresso com objetivo de impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais. A invasão do Congresso deixou pelo menos cinco mortos e chocou os Estados Unidos e o mundo.

Deputados iniciaram a sessão de debates pela manhã e concluíram a votação no fim da tarde. O resultado já era esperado, já que os democratas controlam a Câmara, mas teve a adesão de vários congressistas republicanos, em momento histórico na política americana, fazendo de Trump o primeiro presidente dos EUA a ser julgado duas vezes no Congresso.

Nenhum republicano na Câmara de Representantes apoiou o impeachment anterior contra Trump em 2019, e apenas um senador do partido, Mitt Romney, votou para condená-lo. O presidente foi então absolvido da acusação de reter ajuda financeira para obrigar a Ucrânia a investigar uma suposta corrupção de seu adversário político Biden.

Mas desta vez, 10 republicanos votaram a favor do "impeachment", entre eles Liz Cheney, uma das líderes da minoria republicana e filha do ex-vice-presidente Dick Cheney. "Nada disso teria acontecido sem o presidente", disse ela sobre o ataque ao Capitólio. Outros parlamentares experientes, como Adam Kinzinger, John Katko e Fred Upton também votaram pelo afastamento.

A adesão ao impeachment de Trump não alcançou apenas nomes experientes do partido. Deputados republicanos novatos, empossados no dia da invasão do Capitólio, também votaram favoráveis ao impeachment.

Um deles foi o deputado Peter Meijer, eleito pela primeira vez para a Câmara pelo Michigan. Em sua primeira votação - justamente a que decidia sobre o resultado das eleições presidenciais - Meijer rompeu com seu partido e votou a favor de certificar a vitória de Biden. "O que vimos na quarta-feira deixou o presidente inapto para o cargo, disse Meijer ao jornal The New York Times.

Entre os novatos, contudo, a base trumpista permanece forte. A maioria dos deputados republicanos eleitos pela primeira vez votaram pela não nomeação de Biden, defendendo a tese de fraude eleitoral defendida por Trump.

O presidente não assumiu nenhuma responsabilidade pelo incidente violento no Capitólio, garantindo que seu discurso foi "totalmente adequado". Cada vez mais isolado, o tempestuoso presidente tentou na terça-feira minimizar o procedimento conduzido pelos democratas, descrevendo-o como uma "continuação da maior caça às bruxas da história política". Poucos dias antes de sua partida para sua residência em Mar-a-Lago, Flórida, onde sua nova vida como "ex-presidente" deve começar, Trump parece desconectado do que está acontecendo na capital americana.

Durante o debate, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, voltou a acusar o republicano de "incitar uma insurreição". Para Pelosi, Trump está desesperado por ver "o poder escorregando pelas mãos" e, por isso, incentivou os atos de violência. "Deve partir. É um perigo claro e presente para a nação que todos amamos", disse ela em um Congresso entrincheirado.

Dois terços

Agora, o processo segue para o Senado, onde os republicanos têm maioria e o processo é mais difícil de ser aprovado, pois, para destituir Trump da Presidência, são necessários dois terços dos votos. No Senado, nenhum republicano declarou abertamente ser a favor do impedimento do presidente.

No entanto, é preocupante para Trump e seu possível futuro político o fato de que Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, dizer a seus aliados, segundo reportagens do New York Times e da CNN, que via o "impeachment" favoravelmente, considerando que o julgamento tem fundamento e ajudaria o Partido Republicano a virar a página de Trump para sempre. mais tarde, McConnell declarou ainda não ter decidido como votar. 

Este estrategista inteligente, aliado altamente influente e crucial de Trump por quatro anos, pode ser a chave para o resultado desse procedimento histórico, porque poderia encorajar senadores republicanos a condenar o 45º presidente dos EUA. O julgamento também corre o risco de prejudicar a ação legislativa dos democratas no início da presidência de Biden, ao monopolizar as sessões no Senado.

Cuidado com a segurança

Washington passou o dia sob forte esquema de segurança, em um ambiente tenso após os confrontos da semana passada. Blocos de concreto separavam os cruzamentos principais do centro da cidade, enormes barreiras de metal cercavam prédios federais, incluindo a Casa Branca, e a Guarda Nacional estava por todos os lados.

Em comunicado nesta quarta, Trump pediu que, com possíveis novas manifestações sendo cogitadas, "não haja violência, nem violação da lei e vandalismo de qualquer tipo". Ele pediu "a todos americanos que ajudem a diminuir tensões e que acalmem ânimos". Segundo o presidente americano, os atos de violência não são o que ele nem os EUA apoiam.

O YouTube suspendeu o canal de Trump por "pelo menos sete dias" e excluiu um de seus vídeos por violar sua política contra discurso de ódio. O Twitter encerrou a conta @realDonaldTrump de forma permanente na semana passada.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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