Coronavírus

14/01/2021 | domtotal.com

Mutações do coronavírus despertam alerta diante do crescimento do contágio

Vários países registram recordes de casos e efeito da vacinação será a longo prazo

Na China, robôs são usados para realizar testes de Covid
Na China, robôs são usados para realizar testes de Covid (AFP)

As mutações do coronavírus surgido na China em 2019 têm causado alerta ao redor do mundo. Tais mutações são próprias e naturais de quaisquer vírus, porém, o alcance dos efeitos das distintas variações do Sars-CoV-2, como é designada cientificamente a cepa básica da Covid-19, ainda deixam várias questões sem resposta e preocupam cientistas e autoridades ao redor do mundo.

As variantes britânica e sul-africana do coronavírus, especialmente contagiosas, já estão presentes em cerca de 50 países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que uma terceira mutação, originária da Amazônia brasileira e que o Japão anunciou ter descoberto no domingo, está sendo analisada e pode ter um impacto na resposta imunológica, que a descreveu como "variante preocupante". "Quanto mais o vírus Sars-CoV-2 se espalha, mais chances tem de mudar", destacou a OMS, que acredita que "surgirão mais variantes" caracterizadas por "uma maior transmissibilidade".

Sylvain Aldighieri, gerente de incidentes para Covid-19 na Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), declarou que, até as 12h (horário de Brasília de quarta-feira, 13), Brasil, Canadá, Chile, Equador, Jamaica, México, Peru e Estados Unidos relataram a variante britânica, enquanto Brasil e Canadá encontraram a da África do Sul em suas amostras de laboratório. "Queremos encorajar os países a aumentarem seu nível de alerta", disse Aldighieri, pedindo a "implementação estrita" das medidas de saúde pública recomendadas.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, descobriram duas novas variantes do coronavírus no país entre dezembro e janeiro. Segundo os cientistas, as mutações são semelhantes àquela identificada no Reino Unido e têm potencial de tornar o Sars-CoV-2 mais contagioso, embora as evidências indiquem que não tenha efeito sobre a eficácia das vacinas. Os estudos ainda estão sob revisão de pares e não foram publicados em revista médica.

O cientista-chefe do Centro Médico Wexner de Ohio, Peter Mohler, ressalta que é importante não "exagerar" na reação às descobertas. "Ainda precisamos entender o impacto dessas mutações no vírus, a prevalência delas sobre a população e se elas têm impacto mais significativas na saúde humana", explica.

Numa coletiva de imprensa, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, destacou que até agora não há evidências de que essas variantes afetem os pacientes de maneira diferente, mas sugerem que o vírus pode se espalhar mais facilmente, colocando em risco a resposta dos sistemas de saúde. "Manter o distanciamento social, usar máscaras faciais em público e lavar as mãos com frequência ainda são nossa melhor opção para ajudar a controlar o vírus neste momento, em todas as suas formas", disse.

"Só na última semana, 2,5 milhões de pessoas foram infectadas com covid-19 em nossa região, o maior número de casos semanais desde que o vírus chegou à nossa costa", disse ele. "Praticamente todos os países das Américas estão experimentando uma aceleração na disseminação do vírus", acrescentou.

Diante dos desafios colocados pelo novo coronavírus, e enquanto a região inicia suas campanhas de vacinação, a Opas pediu aos governos que atuem de maneira transparente e com base científica para controlar a pandemia, alertando que colocar a política acima do interesse público "pode custar vidas". "Politizar vacinas e outras medidas de controle não é apenas inútil, mas pode alimentar o vírus e custar vidas", disse Etienne. "Esta pandemia nos ensinou repetidamente que a liderança determina a eficácia da resposta de um país."

A pandemia de Covid-19 causou pelo menos 1.963.557 mortes no mundo desde que o escritório da OMS na China informou sobre a detecção da doença no final de 2019, segundo balanço da agência AFP de quarta-feira. Mais de 91,5 milhões de pessoas se contagiaram, e o contra-ataque organizado pelos governos se intensifica, com confinamentos, toques de recolher e outras restrições impopulares, para conter a pandemia.

Impacto ascendente

Os Estados Unidos são o país em que a Covid-19 causa mais mortos (quase 381.000) e mais infecções (cerca de 23 milhões). Com uma média de três óbitos por minuto, a nação registrou na terça-feira um novo recorde de mortes diárias (4.470). "É, sem dúvida, o período mais sombrio de toda minha carreira", admite Kari McGuire, encarregada da unidade de cuidados paliativos do hospital Santa Maria, de Apple Valley, na Califórnia, totalmente saturado.

Com a propagação da epidemia, governos de todo o mundo tentam adquirir e administrar vacinas o mais rápido possível, mesmo que, segundo a OMS, esses esforços não garantirão a imunidade coletiva em 2021.

Na Europa, a região mais castigada do mundo com quase 634 mil mortes e mais de 29,4 milhões de casos, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou que recebeu um pedido de autorização para a vacina da aliança britânica AstraZeneca/Oxford. Deve tomar uma decisão a respeito antes de 29 de janeiro.

O Reino Unido registrou novo recorde de mortes diárias (1.564) e o governo quer começar programas de vacinação de 24 horas "o quanto antes". O objetivo é imunizar cerca de 15 milhões de pessoas antes de meados de fevereiro, no país mais enlutado do continente, com mais de 83 mil mortos.

A Itália também pretende prolongar o estado de emergência até 30 de abril. E Portugal determinou novo lockdown a partir desta sexta-feira (15). E na Noruega, o governo quer impor testes obrigatórios nas fronteiras, apesar de o país já contar com regras sanitárias rigorosas para os visitantes (necessidade de um teste negativo inferior a 72 horas, medidas de quarentena).

Enquanto isso, a Alemanha anunciou que conta com 10mil soldados preparados para serem mobilizados e ajudar as equipes de saúde nos lares de idosos, onde poderão efetuar testes rápidos de Covid-19.

Na China, que comemorava a erradicação da pandemia e onde a última morte por Covid-19 oficialmente registrada ocorreu em maio, vários focos surgiram nos últimos dias, o que levou as autoridades a impor estritas restrições de deslocamentos para dezenas de milhões de pessoas. É o caso da província de Heilongjiang (nordeste), na fronteira com a Rússia, e de Hebei, perto de Pequim, onde seus 76 milhões de habitantes estão proibidos de sair da região.

O Japão também ampliou seu estado de emergência, já vigente em Tóquio e periferia, para sete outras regiões. E a Indonésia, o segundo país da Ásia mais castigado pela Covid-19, atrás da Índia, com cerca de 850mil casos registrados e de 25 mil mortes, iniciou a campanha de vacinação, com o presidente Joko Widodo dando o exemplo.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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