Coronavírus

15/01/2021 | domtotal.com

Bolsonaro e Mourão tentam eximir governo de culpa por situação em Manaus

Presidente defende remédios sem eficácia e Mourão responsabiliza município e estado

O presidente relativizou a declaração sobre 'gripezinha', dizendo que, para ele, foi assim
O presidente relativizou a declaração sobre 'gripezinha', dizendo que, para ele, foi assim (Antonio Cruz/ABr)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ser "terrível" o problema em Manaus, porém ressaltou ter feito "a sua parte". Em encontro com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada nesta sexta-feira (15), Bolsonaro afirmou: "Agora, nós fizemos a nossa parte de recursos e meios". A capital do Estado do Amazonas sofre com a sobrecarga da rede de saúde e a falta de oferta de oxigênio para atendimento de pacientes.

"Hoje as Forças Armadas deslocaram para lá um hospital de campanha. O ministro da Saúde Eduardo Pazuello esteve lá na segunda-feira e providenciou oxigênio. Começou o tratamento precoce que alguns criticam - quem critica, não tome", disse o presidente que defendeu o uso de remédios sem comprovação.

O vice-presidente Hamilton Mourão fez declarações no mesmo sentido, tirando a responsabilidade do governo sobre o colapso do sistema de saúde em Manaus e outras cidades do Amazonas. Ele declarou que o governo tem feito "além do que pode dentro dos meios que dispõe" para auxiliar no combate à segunda onda da Covid-19 em Manaus. "O governo está fazendo além do que pode dentro dos meios que a gente dispõe", disse, destacando que na Amazônia "as coisas não são simples" e citou os desafios de logística da região. "Manaus é a cidade mais populosa da Amazônia Ocidental e você só chega lá de barco ou de avião. Então, qualquer manobra logística para aumentar a quantidade de suprimento lá requer meios", afirmou.

Bolsonaro também tratou de relativizar declarações anteriores sobre a gravidade da Covid-19. Em março do último ano, Bolsonaro em pronunciamento em rede nacional de televisão, havia afirmado: "90% de nós não terá qualquer manifestação caso se contamine".

"No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus não precisaria me preocupar. Nada sentiria, ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão". Hoje, voltou a repetir: "Quem falou gripezinha não fui eu, foi o médico Dráuzio Varella. Eu já tive e estou imunizado aqui. O que eu falei e desafiei a imprensa depois a me desmentir: era gripezinha para mim".

Sem dizer a qual imunizante se referia, Bolsonaro disse que não faz "campanha contra vacina". Entretanto, o presidente ressaltou se tratar, segundo ele, de algo "experimental" e disse que tornar a vacinação obrigatória seria "uma irresponsabilidade". "Queriam aplicar em crianças", afirmou.

Ao comentar com apoiadores sobre a situação de outros países, Bolsonaro ressaltou que "a média está abaixo de 2%" de vacinados em nações que já iniciaram a imunização. Na quinta-feira, em meio à nova alta de casos e a situação de sobrecarga da rede de saúde de Manaus, o presidente voltou a negar atraso do país para iniciar sua campanha de vacinação e pediu "calma" à população.

Força Aérea Brasileira

O vice-presidente criticou a falta de recursos da Força Aérea Brasileira (FAB), que segundo ele teve que se desfazer de aeronaves do tipo Boeing por "problemas de orçamento". A FAB também está enfrentando falta de recursos para manutenção de sua frota. "Chega nessa hora a gente vê que não pode deixar com que a nossa última reserva, que são as Forças Armadas, sem terem as suas capacidades", ressaltou o vice.

Mourão negou, contudo, que tenha ocorrido um despreparo do governo em termos de logística quanto à oferta de oxigênio. "Você não tem como prever o que ia acontecer com essa cepa que está ocorrendo lá em Manaus totalmente diferente do que tinha acontecido no primeiro semestre (a pandemia)", disse.

Para ele, o governo estadual e municipal "deveriam ter tomado as medidas necessárias no momento certo" quanto à conscientização das pessoas sobre a pandemia. "Não é questão de ter um lockdown, é você comunicar à população que ela tem que manter determinadas regras no intuito de não se contaminar em uma velocidade tal que o sistema de saúde não consiga absorver", observou.

O vice-presidente sugeriu ainda que o brasileiro não é propenso a seguir medidas de restrição. "Nosso povo, ele não tem essa, vamos dizer assim... Essa imposição de disciplina em cima do brasileiro não funciona muito. A gente tem que saber lidar com essas características e buscar informar a população no sentido de que ela se proteja", opinou.


Agência Estado/Dom Total



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