Religião

18/01/2021 | domtotal.com

Hemisfério Norte dá início à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Com férias em janeiro, vários países celebrarão semana em outras datas

Momento de oração na Comunidade de Grandchamp
Momento de oração na Comunidade de Grandchamp (Comunidade de Grandchamp)

Uma "jornada importante": foi assim que o papa anunciou neste domigo (18), no final do Angelus, o início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, convidando todos a orar concordes para que "o desejo de Jesus seja realizado: 'que todos sejam um' (Jo 17, 21). Unidade que sempre é superior ao conflito".

"Amanhã é um dia importante: tem início a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, o tema refere-se à advertência de Jesus: 'Permanecei no meu amor e produzireis muito fruto' (cf. Jo 15,5-9). Na segunda-feira, 25 de janeiro, concluiremos com a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo fora dos muros, juntamente com os representantes das outras comunidades cristãs presentes em Roma. Nestes dias rezemos juntos para que se cumpra o desejo de Jesus: 'Que todos sejam um' (Jo 17, 21). A unidade, que é sempre superior ao conflito", disse Francisco nos apelos que costuma fazer após rezar o Angelus.

Este ano o tema que acompanhará os dias da Semana, tradicionalmente realizada entre as festas da Cátedra de São Pedro e a Conversão de São Paulo, baseia-se na advertência de Jesus: "Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos" do Evangelho de João (Jo 15,5-9). A celebração é realizada todos os anos de 18 a 25 de janeiro no hemisfério norte, enquanto no sul, onde janeiro é um período de férias, as Igrejas celebram em outras datas. No Brasil é celebrada entre a Ascensão e Pentecostes, um período igualmente simbólico para a unidade da Igreja. Em Roma será o papa, como sempre, que encerrará a Semana dia 25 de janeiro na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, presidindo a celebração das Vésperas junto com os representantes das outras Comunidades Cristãs.

Os subsídios das Semanas de Oração

Desde 1968, o livreto indicando como rezar com espírito ecumênico, neste tempo, é produzido pela Comissão de Fé e Constituição do Conselho Ecumênico de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Desde 1975, esses textos – leituras bíblicas, comentários e orações para cada dia da semana – são preparados com base em um projeto desenvolvido a cada ano por um grupo ecumênico local em um país diferente. Deste ponto de vista, pode-se dizer que no próprio método se encontra o significado de "ecumenismo": o universal, traduzido literalmente pela esplêndida expressão "terra habitada". O subsídio é proposto com a advertência de que, sempre que possível, deve ser adaptado aos costumes locais, com especial atenção às práticas litúrgicas em seu contexto sociocultural e à dimensão ecumênica. Em algumas localidades já existem estruturas ecumênicas capazes de realizar esta proposta e onde estão faltando, espera-se que sejam implementadas.

Calendário da Semana 2021

Ao longo de oito dias, somos convidados a meditar e orar baseados nos diferentes pontos sugeridos pelos versículos da conhecida passagem da videira e o sarmento do evangelista João. No primeiro dia, chamado por Deus: "Vós não me escolhestes, eu vos escolhi" (Jo 15, 16a); no segundo, Amadurecendo internamente: "Permanecei em mim, como permaneço em vós" (Jo 15, 4a); no terceiro, formando um só corpo: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15, 12b). Depois, no quarto dia será feita uma reflexão sobre o profundo sentido de orar juntos: "Já não vos chamo servos… chamo-vos amigos (Jo 15, 15). No quinto dia deixando-se transformar pela Palavra: "Vós já estais purificados pela palavra (Jo 15, 3). No sexto dia acolhendo outros: "Ide produzir frutos, frutos que permaneçam (Jo 15, 16b). Crescendo na unidade é o aspecto que se dará atenção no sétimo dia: "Eu sou a vinha, vós sois os sarmentos" (Jo 15, 5a), para concluir, no oitavo dia reconciliando com toda a criação: "Para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja perfeita" (Jo 15,11).

A Comunidade de Grandchamp reza em quarentena

A Comunidade de Grandchamp, na Suíça – à qual foi confiada a tarefa de escrever os textos do subsídio para este ano – é atualmente formada por cerca de cinquenta irmãs de diferentes tradições cristãs e de diferentes países. Fundada na primeira metade do século 20, desde o início cultivou fortes laços tanto com a Comunidade de Taizé quanto com o padre Paul Couturier, figura chave na história da Semana de Oração. As religiosas estão em isolamento desde 5 de janeiro por causa do coronavírus. Acostumadas a viver o carisma da abertura ao diálogo e ao encontro, tiveram que, lamentavelmente, reorganizar sua vida em conjunto: cada uma reza de seu próprio quarto, tiveram que fechar as portas da acolhida, cancelar as celebrações planejadas. Porém os sinos do meio-dia continuam a bater. "A pandemia não pode parar a oração", escreve-nos a irmã Svenja, convidando-nos a seguir as atualizações online que continuarão a organizar. "Talvez este seja o tempo para alimentar a oração pessoal", lemos na página Facebook delas, "e para viver ainda mais profundamente o tema que preparamos".

Palavras do papa Francisco para a unidade

 A preocupação com os mais pobres e o apelo a reforçar nas sociedades o princípio da solidariedade; o convite a mostrar hospitalidade aos fracos e perseguidos: estes foram os destaques expressos pelo papa Francisco por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 2019 e 2020. Um ano atrás, em particular, o pontífice lembrou que o barco em que Paulo estava, antes de encalhar perto da costa de Malta, estava à mercê da tempestade há vários dias, e enquanto todos estavam perdendo toda a esperança de sobrevivência, era o apóstolo que os tranquilizava, ele que era um prisioneiro e, portanto, um dos mais vulneráveis. Estávamos no início da pandemia, ainda imprevisível e desconhecida, que teria devastado o planeta. A humanidade ainda está na tempestade, a humanidade que o papa teria evocado novamente no extraordinário momento de oração na deserta Praça de São Pedro no dia 27 de março passado. A unidade ainda se torna um desejo inevitável, uma urgência, uma esperança. Novamente a oração é tão necessária.

História

A primeira Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, nos moldes da atual, nasceu por iniciativa do inglês Spencer Jones, anglicano, e do estadunidense Paul James Francis Wattson, episcopal (anglicano americano). No ano de 1907, o rev. Jones sugeriu a instituição, em 29 de junho de cada ano, de um dia de oração pelo retorno dos anglicanos, e de todos os outros cristãos, à unidade com a Sé Romana. No ano seguinte Wattson ampliou a ideia, propondo-a em forma de uma oitava para pedir a Deus "a volta de todas as outras ovelhas ao aprisco de Pedro, o único pastor". É precisamente a este ano (1908) que o nascimento oficial da semana em curso é convencionalmente atribuído. Wattson decidiu iniciar a oitava no dia da festa da Confissão de Pedro (uma variante protestante da festa da Cátedra de São Pedro que se festejava em 18 de janeiro) e de concluí-la com a festa da Conversão de São Paulo. Desde então, essas duas datas (18 e 25 de janeiro) marcam o início e o fim da Oitava no Hemisfério Norte. No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes.


Vatican News/ Dom Total



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