Coronavírus

18/01/2021 | domtotal.com

Dia D e hora H: Ministério da Saúde se atrapalha e atrasa início da vacinação

Distribuição de doses pelo governo teve voos remarcados e desencontro de informações

Carga com as vacinas Corovac é embarcada no aeroporto de Guarulhos em São Paulo
Carga com as vacinas Corovac é embarcada no aeroporto de Guarulhos em São Paulo (Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)

Depois de realizar um evento e reunir governadores no aeroporto de Guarulhos para anunciar o início da campanha de vacinação no país, o Ministério da Saúde se atrapalhou na logística de distribuição das vacinas para os estados. O plano era que as doses chegassem ainda nesta segunda-feira (18), a todos os estados, mas auxiliares do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já avisaram secretários locais de saúde que há entraves aos embarques.

Pressionado após a primeira foto de alguém sendo vacinado no país ter sido feita em São Paulo, com o governador João Doria (PSDB) no retrato, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, liberou que as doses fossem aplicadas ainda nesta segunda-feira (18). No entanto, problemas de logística fizeram com que muitos estados tivessem que adiar da tarde desta segunda para a noite o amanhã seguinte o começo da campanha.

Apesar de afirmar que não faz "marketing", ao criticar Doria, o general recebeu governadores em Guarulhos (SP), mais cedo, para uma cerimônia que simbolizava a entrega das doses, mas ganhou tom de defesa do ministro. Horas após o evento, porém, um dos auxiliares de Pazuello escreveu a secretários locais que as entregas podem atrasar, o que pode frustrar planos de vacinação imediata. "Senhores houve atraso e problemas no embarque das cargas. Algumas capitais não receberam conforme previsto. Estou aguardando nova informação do DLOG (Departamento de Logística) e Coordenação da Vacinação", diz a mensagem.

Segundo um secretário estadual, há "desencontro de informações" vindas do ministério. Uma planilha entregue no domingo, 17, pela Saúde com horário de entregas pela Força Aérea Brasileira (FAB) e por meio de companhias aéreas não está sendo cumprida.

Alguns estados, como a Bahia, esperavam receber as doses na manhã desta segunda, mas a entrega foi transferida para o fim da tarde. No Rio de Janeiro, há incertezas sobre em qual horário a carga chegará, segundo uma pessoa que acompanha as discussões. No Rio Grande do Sul, as doses devem chegar apenas na parte da noite. Minas Gerais, que previa realizar um ato às 17h, revisou a previsão e o local, já que o voo com as vacinas deve chegar apenas às 18h50.

O ministro Pazuello tem sido criticado por falhas de logística, como na compra de vacinas, seringas e diante da crise em Manaus (AM). Os secretários estaduais temem lacunas no calendário de vacinação por falta de doses. A produção local no Instituto Butantan e na Fiocruz está atrasada, pois ainda não chegaram da China insumos que eram esperados.

Hoje, apenas 6 milhões de doses da Coronavac, vacina distribuída pelo Butantan, estão no país e com aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial. Estas doses serão usadas em 3 milhões de pessoas, pois a imunização exige duas etapas. A Anvisa também liberou a aplicação de 2 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, mas a data para importação do produto da Índia ainda é incerta.

Governadores cobram de Pazuello que a Coronavac já seja usada agora em 6 milhões de pessoas, com apenas uma dose, mas o ministério considera este plano arriscado, pois ainda não há garantia de que outro lote com o mesmo volume estará disponível a tempo da segunda aplicação.


Agência Estado/Dom Total



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