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19/01/2021 | domtotal.com

Tela da escola deDa Vinci, um 'Salvator mundi', é recuperado em Nápoles, na Itália

Obra pertence ao museu da Basílica de Santo Domingo Mayor e furto não foi notado

A polícia italiana encontrou uma cópia de 500 anos da obra-prima de Da Vinci
A polícia italiana encontrou uma cópia de 500 anos da obra-prima de Da Vinci "Salvator Mundi" em um apartamento em Nápoles (Francois Guillot/AFP)

Um Salvator mundi, quadro do ateliê de Leonardo da Vinci que estava exposto em uma igreja em Nápoles, cujo desaparecimento passou despercebido devido à pandemia de Covid-19, foi encontrado no apartamento de um napolitano. A pintura roubada, que representa um Cristo "salvador do mundo", estava no museu da Basílica de Santo Domingo Mayor. A instituição faz parte de um famoso complexo monástico no centro histórico de Nápoles.

Segundo o promotor de Nápoles, Giovanni Melillo, nenhuma denúncia de furto foi registrada. "Entramos em contato com o responsável pelo complexo, que não tinha conhecimento do desaparecimento porque a sala onde fica o quadro não era aberta há três meses", explicou.

Os museus italianos abriram muito pouco nos últimos 12 meses, em função da pandemia de coronavírus. Segundo imagens divulgadas pela polícia, a pintura era guardada em uma ampla sala com enormes portas de madeira, com fechadura antiga e chave inicialmente guardada em um cofre.

A investigação está em andamento, mas "é plausível que se trate de um roubo patrocinado por uma organização que lida com o comércio internacional de arte", acrescentou em entrevista à imprensa napolitana na noite de segunda-feira.

A obra foi encontrada no último sábado na parte superior de um armário, na casa de um comerciante de 36 anos, que afirma tê-la comprado em "um mercado de pulgas" (vários objetos, antigos e novos). Um rifle foi apreendido em seu quarto.

Alfredo Fabbrocini, que chefiou a operação policial, referiu-se a uma investigação "complexa" e expressou sua "grande satisfação por ter restituído um bem tão importante à cidade de Nápoles".

A Basílica de São Domingos Maior, que já foi roubada no passado, guarda um conjunto de obras importantes. Algumas já foram expostas em museus de Nápoles, como é o caso de pinturas de Caravaggio, Rafael e Ticiano.

Obra rara e valiosa

Em 2017, um Salvator mundi atribuído a Leonardo da Vinci foi comprado por US$ 450 milhões pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos, informou na época o Museu do Louvre de Abu Dhabi.

Essa pintura de 65 x 45 cm, na qual Cristo emerge das trevas - abençoando o mundo com uma mão e segurando um globo transparente com a outra - foi atribuída em 2010 a Leonardo da Vinci, após exaustivas investigações ainda questionadas por alguns especialistas.

Em 2019, porém, quando França e Itália comemoraram 500 anos do gênio italiano, não conseguiram encontrar a obra mais cara do mundo, que os dois países esperavam pedir emprestado.

A obra encontrada em Nápoles é um óleo sobre madeira, atribuído a outro artista da escola do grande mestre quando este voltou a viver em Milão (norte), no final da sua vida, no início do século 16, afirma o museu da basílica no seu site. A obra provavelmente foi comprada em Milão por um conselheiro e embaixador de Carlos V.

O Salvator mundi atribuído a Leonardo da Vinci e o do museu napolitano foram expostos juntos em Nápoles durante uma exposição organizada por ocasião da visita do papa Francisco à cidade em 2015. A iconografia do Salvator mundi se inspira em uma representação de Cristo da época bizantina, retomada em primeira instância por pintores flamengos.


AFP



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