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21/01/2021 | domtotal.com

Para o Brasil é melhor com Biden?

A diplomacia de aterro sanitário de Ernesto Araújo pode estar com dias contados

As principais bolsas mundiais fecharam em alta nesta quarta-feira com a posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, impulsionadas em parte pelas medidas de estímulos propostas pelo novo presidente para enfrentar a pandemia
As principais bolsas mundiais fecharam em alta nesta quarta-feira com a posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, impulsionadas em parte pelas medidas de estímulos propostas pelo novo presidente para enfrentar a pandemia (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP)

Ricardo Soares*

Ontem, com a saída de Trump do poder, encerrou-se pelo menos um pedaço da grande onda de pusilanimidade mundial, que ainda viceja em muitos quadrantes como na nossa "pátria amada", por todos e não apenas pela escória que ocupa o Planalto, conforme tenta sugerir o slogan ufanista que Bozonazi e seus asseclas adotaram.

Ontem a humanidade teve alguns minutos de alívio ao se deparar com Trump caindo melancolicamente fora da Casa Branca, mas não esperemos que tudo vá virar um Nirvana com Biden-Kamala no comando da maior economia do planeta.  A dupla é mais do mesmo ao defender como sempre os interesses dos States em primeiro lugar. América first vai continuar no radar, mas ao menos já começam a colocar novamente a tal "grande nação do Norte" no escopo civilizatório com a volta à OMS e ao acordo do clima.

Muitos dizem que, apesar de conservador, o democrata Joe Biden pode fazer um governo mais progressista do que o de Barack Obama, do qual ele foi vice-presidente entre 2009 e 2017. Nesse contexto a posse de Biden é uma boa notícia para o Brasil, onde segue um projeto de selvageria política, econômica e social com um desgoverno saído de um pesadelo de filme distópico. Tomara que com Biden-Kamala se fortaleçam condições políticas para a queda de Bozonazi, seja via impeachment, o que parece improvável, seja por meio de derrota eleitoral em 2022, pois essa parece ser a via possível diante da vergonhosa omissão de nossas instituições em relação aos crimes de responsabilidade do presidente da República.  

Os americanos testaram recentemente os seus limites com a invasão terrorista do Capitólio insuflada por Trump, mas fez os fascistas de lá dobrarem os joelhos, ao menos por enquanto. E não é preciso ser nenhuma pitonisa para ver que o que aconteceu nos EUA é uma lição para o Brasil, cuja democracia e instituições são frágeis, embora queiram aparentar que não sejam.

Os americanos ao menos voltando ao platô civilizatório – com o retorno ao acordo de Paris, por exemplo – reverte em pressão maior da comunidade internacional contra a boçalidade do governo brasileiro na "cuestão" (como diz o analfabeto presidencial) da devastação ambiental em curso no nosso país com o Salles e suas boiadas devastadoras passando o tempo todo.

É esperado que, como Obama fez, Biden vai aliviar a mão nas relações com Cuba e Venezuela, articulação que vai irritar o Bozo que deve seguir regurgitando estultices ofensivas para governos dos quais nossa economia é dependente. Leia-se também a América de Biden, que deve preferir, teoricamente, um Dória arrumadinho no poder do que esse horror bolsonarista que não deixa de ser risco para os interesses de Washington na região.

A diplomacia de aterro sanitário de Ernesto Araújo pode estar com dias contados com as ações do governo Biden para abreviar a passagem de Bozo et caterva no poder. A derrota de Trump fragiliza sim essa malta ignara que nos desgoverna. O resultado da eleição americana os deixou mais isolados do ponto de vista internacional, o que tem reflexos domésticos, pois até conservadores e liberais de carteirinha acabaram vendo que tirar uma presidente por pedalada fiscal não foi bom negócio, levando em conta o porto inseguro em que viemos ancorar.

Por fim não vamos nos iludir. Como disse acima, Biden não é o melhor dos mundos nem para o mundo e nem para nós. Mas é um avanço extraordinário inclusive para fragilizar o paspalho que está na cadeira presidencial, pois, como diria o finado Barão de Itararé, "de onde não se espera nada, não vem nada mesmo". Isso, no entanto, não nos dispensa de mais ação e menos retórica. A sociedade brasileira precisa se mexer muito mais para que não fiquemos no pântano civilizatório. Isolados, tristes, sem esperanças. Somos sim maiores do que isso. Com ou sem Biden.

*Ricardo Soares é escritor, diretor de tv, roteirista e jornalista



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