Religião

21/01/2021 | domtotal.com

Cardeal de Washington e Biden rezam pelas vítimas da Covid na véspera da posse

Foram acesas 400 lâmpadas, uma por cada mil mortos, em ação memorial para curar a nação

'Esta noite, em Washington, D.C. e em todo o país, nos reunimos para homenagear os mais de 400 mil americanos que perdemos para a Covid-19. O ano passado nos testou de maneiras inimagináveis, mas agora é hora de começarmos a nos curar e superar ?
'Esta noite, em Washington, D.C. e em todo o país, nos reunimos para homenagear os mais de 400 mil americanos que perdemos para a Covid-19. O ano passado nos testou de maneiras inimagináveis, mas agora é hora de começarmos a nos curar e superar ?" juntos' (@JoeBiden)

Richard Szczepanowski*
CNS

Dizendo à nação "façamos, reverentemente, uma pausa em súplica para lembrar e orar pelos muitos milhares de pessoas que morreram de coronavírus durante o ano passado", o cardeal Wilton D. Gregory, de Washington, deu início à cerimônia em 19 de janeiro, para homenagear e lembrar os mais de 400 mil americanos que sucumbiram ao Covid-19.

"Voltemo-nos para o Senhor de todos, para que Ele receba nossas irmãs e irmãos na paz eterna e conforte todos aqueles que sofrem pela perda de um ente querido", disse o cardeal Gregory durante a cerimônia, com a presença dos então presidente eleito, Joe Biden, e vice-presidente eleita, Kamala Harris. "Vamos, com um só coração, orar por aqueles que morreram com este vírus e todos os seus entes queridos para que fiquem sob o cuidado providencial daquele que é a fonte última de paz, da unidade e da concórdia".

O memorial – realizado um dia antes da posse presidencial – incluiu um momento de oração, de música e de iluminação da piscina refletora do Lincoln Memorial com 400 luzes em homenagem às vidas perdidas na pandemia.

"Para curar, devemos lembrar", apontou o presidente eleito Biden pouco antes do acendimento das luzes. "Às vezes é difícil de lembrar, mas é assim que curamos. É importante fazer isso como nação. Entre o pôr-do-sol e o anoitecer, vamos acender as luzes ao longo da piscina para lembrar todas as vidas que perdemos".

O cardeal Gregory disse que o encontro foi um momento para "orar por aqueles que morreram e pelas famílias e entes queridos que deixaram... não como estranhos ou pessoas desinteressadas, mas como concidadãos que compartilham uma parte limitada de sua dor e tristeza".

Em sua invocação, o cardeal disse que o coronavírus deixou os americanos com "a consciência de que estamos todos unidos na tristeza que reconhecemos hoje".

"Nossa dor nos une uns aos outros como um povo único com coração compassivo", disse o cardeal. "Que nossa oração fortaleça nossa consciência de nossa humanidade comum e nossa unidade nacional em um momento em que a harmonia é um bálsamo que busca nos confortar e fortalecer como um único povo que enfrenta uma ameaça comum que não faz acepção de idade, raça, cultura ou gênero".

Em sua oração, o cardeal Gregory também lembrou "as inúmeras famílias e parentes que tiveram que ver seus entes queridos sem o conforto e o consolo de um ritual fúnebre familiar de acordo com suas tradições religiosas ou preferências", por causa da quarentena e outras medidas preventivas estritas para retardar a propagação do Covid-19.

"Essa privação só aumentou a tristeza gerada pela morte de um amigo, parente ou colega", apontou o prelado.

"Que a nossa oração desta noite sirva como uma pequena expressão do nosso desejo nacional de confortar e fortalecer aqueles que sofreram a perda de um ente querido nesta pandemia, e que seja um retumbante gesto de gratidão por todos aqueles que cuidaram das vítimas deste vírus e de seus entes queridos", rezou o cardeal Gregory.

Junto com o Lincoln Memorial, centenas de cidades, tribos, pontos de referência e comunidades em todos os Estados Unidos participaram do evento, em seus próprios contextos. Edifícios icônicos, incluindo o Empire State Building em Nova York e o Space Needle em Seattle, foram iluminados. Outros locais que participaram da ação memorial incluem Wilmington, Delaware; Oakland, Califórnia; Miami; Atlanta; Chicago; Dearborn, Michigan; Las Vegas; Filadélfia; Scranton, Pensilvânia; Charleston, Carolina do Sul; Houston; terras indígenas em todo o país; e outros.

"Estamos reunidos esta noite, uma nação de luto, para prestar homenagem às vidas que foram perdidas", disse Harris. "Por muitos meses temos sofrido. Esta noite sofremos e começamos a nos curarmos juntos… O povo americano está unido em espírito".

O cardeal Gregory acrescentou que "minha esperança permanente e a minha oração é para sairmos juntos dessa provação com uma nova sabedoria: valorizar momentos simples, imaginar novas possibilidades e abrir nossos corações um pouco mais uns para os outros".

Além do cardeal Gregory e do novo presidente e vice-presidente, os participantes do evento no Lincoln Memorial incluíram a cantora gospel Yolanda Adams, vencedora do Grammy, que cantou o Hallelujah. Lori Marie Key, uma enfermeira de Michigan que ganhou atenção nacional quando cantou para seus pacientes se tornou uma sensação na Internet, cantando Amazing Grace.

Durante o memorial, a Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição dobrou seu maior sino, o Sino da Bem-Aventurada Virgem Maria, 400 vezes. Uma declaração do Santuário Nacional observou que o sino de 3,6 toneladas tocou a cada cinco segundos por cerca de 20 minutos. Cada toque do sino representou 1.000 vidas perdidas na pandemia do coronavírus nos Estados Unidos.

Antes da cerimônia de memorial, Tony Allen, diretor executivo do Comitê Inaugural Presidencial, disse que o evento foi uma oportunidade para "homenagear aqueles que perdemos – e suas famílias – e para nos conectarmos e unir nosso país, contendo este vírus e reconstruindo nossa nação".

A cerimônia em memória das vítimas foi realizada na véspera da posse de Biden e foi televisionada ao vivo por todo o país e transmitida ao vivo em várias plataformas de mídia social.

Em 19 de janeiro, quase 24,2 milhões de americanos contraíram a Covid-19 com 400.103 mortes relacionadas ao coronavírus. Nas últimas duas semanas, uma média de 3.286 americanos morreram todos os dias com o vírus.

Publicado originalmente em Catholic News Service

*Richard Szczepanowski é editor-chefe do The Catholic Standard, jornal da Arquidiocese de Washington



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