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24/01/2021 | domtotal.com

Egito tem liberdades destruídas 10 anos após manifestações da Primavera Árabe

Governo do general Abdel Fatah al-Sissi mantém prisões lotadas, execuções e tortura

Grupo de detidos durante o julgamento de 700 acusados no Cairo, Egito, em 2018
Grupo de detidos durante o julgamento de 700 acusados no Cairo, Egito, em 2018 (Mohamed el-Shahed/AFP)

Dez anos depois das manifestações na Praça Tahrir e do vento da liberdade que varreu o autocrata Hosni Mubarak, o presidente egípcio Abdel Fatah al-Sissi não mede esforços para evitar um cenário semelhante, reprimindo qualquer oposição sem piedade. Ativistas, políticos, advogados, jornalistas e intelectuais são presos por uma Justiça que age rápido. 

Após a derrubada pelo Exército em 2013 do primeiro presidente eleito em eleições livres - o islamita Mohamed Mursi -, a sociedade civil egípcia perdeu pouco a pouco os espaços para se expressar livremente. Segundo ONGs de defesa dos direitos humanos, junto a isso soma-se as desastrosas condições de prisão, torturas e execuções extrajudiciais. No início de dezembro, a Anistia Internacional denunciou um recente "frenesi de execuções".

A Human Rights Watch destaca em seu relatório mundial de 2021 a "mão dura do governo autoritário" de Al-Sissi, acrescentando que "a epidemia da Covid-19 (...) agravou as já terríveis condições de prisão". "Dezenas de presos morreram na prisão, entre eles ao menos 14 aparentemente por causa da Covid-19", segundo a ONG.

"A Primavera Árabe no Egito durou pouco", afirma Agnès Callamard, relatora especial das Nações Unidas sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias. Em sua opinião, "o regime aprendeu a pior lição da Primavera Árabe: cortar pela raiz qualquer desejo de liberdade".

Diante das críticas internacionais, a resposta das autoridades egípcias não muda. "No Egito, estamos convencidos de que a avaliação da fidelidade [de um Estado] aos direitos humanos é responsabilidade da sociedade em questão e não de partes externas", reiterou recentemente o ministro das Relações Exteriores, Sameh Shukry. As autoridades negam qualquer prática de prisão arbitrária ou de tortura.

A onda repressiva começou no verão de 2013, quando a polícia matou centenas de islâmicos que protestavam contra a derrubada de Mursi no Cairo, segundo várias ONGs. Depois, a irmandade dos Irmãos Muçulmanos, proibida em 2013, foi alvo de prisões arbitrárias, prisões provisórias, julgamentos em massa e condenação à morte. Mas isso também afetou a oposição liberal.

E Al-Sissi, eleito em 2014 e reeleito em 2018 com mais de 97% dos votos por falta de uma oposição de peso, se fortaleceu. A repressão também é dirigida aos meios de comunicação e à liberdade de expressão, com centenas de sites de informação bloqueados desde 2017. Segundo o Repórteres Sem Fronteiras, 28 jornalistas estão presos no país.

O estado de emergência, vigente desde abril de 2017, foi reforçado em maio de 2020 em plena pandemia de coronavírus. Um pretexto, segundo as ONGs, para impor "novos poderes repressivos".


AFP/Dom Total



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