Coronavírus

22/01/2021 | domtotal.com

Remessa de 2 milhões de vacinas vindas da Índia devem chegar aos estados no sábado

Para ampliar a vacinação, Brasil depende de insumos à espera de liberação na China

Depois de atrasos e promessas não cumpridas do governo, lote de vacinas deve chegar ao Brasil nesta sexta
Depois de atrasos e promessas não cumpridas do governo, lote de vacinas deve chegar ao Brasil nesta sexta (AFP)

As vacinas contra a Covid-19 que devem chegar da Índia nesta sexta-feira (22), serão distribuídas aos estados a partir da tarde de sábado (23). Antes disso, elas vão passar por um processo de checagem de qualidade e segurança em Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As 2 milhões de doses são do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca, fabricadas pelo Instituto Serum, da Índia. De acordo com o Ministério da Saúde, elas têm previsão de chegada às 17h40 desta sexta-feira, no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos na Grande São Paulo. De lá seguirão em outra aeronave para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, após trâmites alfandegários.

Segundo a Fiocruz, o imunizante será transportado até Bio-Manguinhos em caixas, acondicionadas em contêineres com controle de temperatura, que permanecerá entre 2 e 8 graus. As vacinas também passarão por um processo de rotulagem e etiquetagem com informações em português, o que está previsto para ocorrer durante a madrugada desta sexta-feira e na manhã de sábado. "Será realizado por equipes treinadas em boas práticas de produção", informou a fundação. A distribuição das doses será de responsabilidade do Ministério da Saúde.

A remessa era esperada pelo governo para a última sexta-feira (15), mas atrasou. Um avião chegou a ser enviado para buscar o material, mas parou em Recife antes de cruzar o Atlântico, diante da falta de confirmação.

O Brasil também espera o envio de insumos da China para produzir a vacina no País, cuja produção está atrasada. Segundo a embaixada chinesa, serão feitos os "máximos esforços" para conseguir avanços no envio "sob a premissa de garantir saúde e segurança". A matéria-prima é necessária para a produção das vacinas da Fiocruz e do Instituto Butantan.

Com o atraso, a Fiocruz adiou de fevereiro para março a previsão de entrega das primeiras doses da vacina Oxford/AstraZeneca que serão produzidas no Brasil. A mudança deve dificultar ainda mais a execução do plano nacional de imunização contra a covid-19, que já sofre com incertezas quanto à importação dos insumos para a produção da Coronavac.

Na quarta-feira (20), o Butantan afirmou ter praticamente esgotado a quantidade de insumos para fabricar a vacina Coronavac no Brasil. O órgão ligado ao governo paulista distribuiu o 1º lote, com seis milhões de doses, para começar a imunização no país. Além disso, tem condições de entregar mais 4 8 milhões de unidades. Depois, depende da matéria-prima chinesa para garantir novas remessas.

O Brasil corre o risco de ter uma parada na vacinação. Mais de um mês após assinar um memorando de entendimento para comprar vacinas da Pfizer, o governo federal ainda não fechou um acordo com a farmacêutica. O mesmo ocorre com outras empresas, como a Janssen, o Instituto Gamaleya (que desenvolve a Sputnik V) e a indiana Bharat Biotech.

O país conta com as 6 milhões de unidades da Coronavac aprovadas enquanto a Anvisa avalia a liberação de outras 4,8 milhões, além das 2 milhões de vacinas de Oxford/AstraZeneca, importadas da Índia. Elas são suficientes para imunizar cerca de 6 milhões de pessoas, pois é necessária a aplicação de duas doses.

Insistente negação

O presidente Jair Bolsonaro confirmou que a distribuição da vacina Oxford/AstraZeneca aos estados deve começar já amanhã. Em entrevista à imprensa na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro também voltou a colocar em dúvida a eficácia da vacina contra a Covid-19. "Pode ter certeza que a Aeronáutica está aí pronta para servir ao Brasil mais uma vez. E essa vacina (de Oxford/AstraZeneca) amanhã mesmo, se chegar hoje à noite, amanhã mesmo começa a chegar aos seus destinos", disse.

Após a garantia de entrega dos imunizantes, o chefe do Executivo voltou a dizer, de forma equivocada, que as vacinas não teriam comprovação científica. "O que eu tenho observado é que ainda tem muita gente que tem preocupação com a vacina. E deixo bem claro, ela é emergencial, eu não posso obrigar ninguém a tomar, como um governador um tempo atrás falou que ia obrigar. Eu não sou inconsequente a esse ponto", disse.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), rivalizaram quanto à obrigatoriedade das imunizações. "Tem que ser voluntária, afinal de contas não está nada comprovado cientificamente com essa vacina", acrescentou.

No entanto, ao dar o aval para o uso emergencial das vacinas de Oxford/AstraZeneca e da Coronavac, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que há evidências robustas sobre a segurança destes produtos, que não apresentaram reações adversas graves. A agência aponta ainda incertezas sobre a eficácia, mas ressalta que o benefício do uso para amenizar a pandemia supera os riscos potenciais.

Sobre as negociações internacionais para a aquisição de insumos, o presidente disse que tem se reunido com autoridades, mas que as conversas são reservadas. "Obviamente, converso com autoridades, estive com o embaixador da Índia na semana passada. Também nosso ministro conversa com o embaixador da China entre outras autoridades, mas são conversas reservadas, lamento não poder divulgar a vocês."


Agência Estado/Dom Total



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