Brasil Política

24/01/2021 | domtotal.com

Caravanas de protestos pelo Brasil pedem impeachment de Bolsonaro e defendem vacinação

Governo Bolsonaro é alvo de duras críticas por erros de gestão diante da crise na saúde e pelo atraso na vacinação

Manifestantes protestam contra o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, em 23 de janeiro de 2021
Manifestantes protestam contra o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, em 23 de janeiro de 2021 (Sergio Lima/AFP)

Milhares de pessoas participaram nesse sábado (23) de caravanas por várias cidades do país para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro por sua gestão da pandemia e em protesto contra o atraso da campanha de vacinação no segundo país com mais mortes pelo coronavírus.

Convocados por partidos e organizações de esquerda e de direita, cerca de 500 veículos percorreram a Esplanada dos Ministérios e outras avenidas importantes de Brasília, com seus vidros pintados com frases como 'Fora Bolsonaro', 'Impeachment Já!' e 'Vacina para todos Já', em meio a um grande estrondo de buzinas.

Os manifestantes protestaram também contra o fim da ajuda emergencial com a qual 68 milhões de brasileiros - quase um terço da população - conseguiu enfrentar os efeitos devastadores da pandemia de abril até o final de dezembro.

Manifestações semelhantes, com caravanas de várias centenas de carros, aconteceram ou convocadas em outras cidades do país, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.

Repetidamente, Bolsonaro minimizou a gravidade do coronavírus, que descreveu como uma "gripezinha". Ele também questionou a eficácia das vacinas e recomendou "tratamento precoce" com medicamentos sem eficácia comprovada.

Também criticou as medidas de isolamento social, por seus efeitos econômicos, além do uso de máscaras.

Seu governo é alvo de duras críticas por erros de gestão diante da crise na saúde e pelo atraso na vacinação, iniciada nesta semana, bem mais tarde do que em outros países, que teve problemas de organização.

Os protestos continuarão no domingo nas principais cidades, desta vez organizados por entidades da direita, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Para Rua, que apoiaram o presidente na sua chegada ao poder em janeiro de 2019, mas que mais tarde se desassociaram por causa de sua gestão.

A segunda onda da pandemia está deixando mais de mil mortes por dia no Brasil, e devastando Manaus, no Amazonas, onde hospitais não têm mais leitos para terapia intensiva e dezenas de pessoas morreram sufocadas pela falta de oxigênio.

Em âmbito nacional, já foram registradas mais de 215.000 mortes, número superado apenas pelos Estados Unidos.

Protestos


Na capital federal, de acordo com a assessoria da Polícia Militar, cerca de 500 veículos participaram do protesto. Em São Paulo, a carreata começou na Assembleia Legislativa, em frente ao Parque Ibirapuera, passou pela Avenida Paulista e terminou na Praça Roosevelt, acompanhada também por ciclistas e motociclistas. Do alto de um carro de som, políticos se revezaram ao microfone, incluindo o ex-candidato do PSOL à Presidência e à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos. "Estamos aqui para dizer que não vamos esperar até 2022; são vidas que estão em jogo. É agora o momento de derrotar Jair Bolsonaro", discursou Boulos, um dos organizadores do protesto.

De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), integrante da coordenação das manifestações, foram registradas carreatas em 87 cidades.

No Rio, a manifestação reuniu cerca de 100 carros e causou lentidão no trânsito, mas sem ocorrências, de acordo com a Polícia Militar. A carreata ocupou uma faixa de uma das principais avenidas da cidade, a Presidente Vargas.

Esquenta

Além de PSOL e CUT, a coordenação nacional das manifestações incluiu as frentes Brasil Popular e Brasil sem Medo, reunindo ainda PT, PSTU, PDT, PSB, PCdoB e Rede. Ao som de buzinas, manifestantes pediram o fim da gestão do presidente da República. "Acabou, acabou! Vai embora (Bolsonaro), leva toda a sua gangue", gritou uma manifestante na capital federal. Na avaliação da porta-voz do partido Rede Sustentabilidade no DF, Ádila Lopes, a mobilização de ontem foi um "esquenta" para o ato previsto para o dia 31 de janeiro, véspera da eleição para as presidências da Câmara e do Senado (cabe ao titular da Câmara dar andamento a qualquer pedido de impeachment).

Para Ádila, o apoio de movimentos de direita ao impeachment de Bolsonaro mostra uma oportunidade de convergência em prol da democracia: "Quando você chega a situações delicadas como a que a gente tem, essas movimentações tendem a ir caminhando para um funil, de modo que, em algum momento, se encontrem". A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que também marcou presença na carreata em Brasília, convocou a população a manter as cobranças pela saída do presidente Bolsonaro em manifestações panelaços e pressão nas redes sociais.

Atores políticos que estiveram em lados opostos durante o impeachment da presidente Dilma Rousseff agora pedem juntos a saída de Bolsonaro. É o caso da Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, que apoiaram a petista em 2016, e o MBL e o Vem Pra Rua. Entretanto, os protestos organizados por cada grupo estão sendo marcados para dias separados.

O Acredito, movimento de renovação política, e os grupos de esquerda organizaram seus protestos ontem, enquanto os grupos de direita marcaram seus atos para este domingo.

Popularidade

Influenciada pela situação da pandemia da Covid-19 no País, marcada pela crise no fornecimento de oxigênio na rede de saúde de Manaus (AM), a popularidade do presidente já se mostra abalada.

Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira indicou aumento do número de insatisfeitos com Bolsonaro: 40% da população avalia sua atuação como ruim ou péssima, comparado com 32% que assim o consideravam na edição anterior da sondagem, no começo de dezembro.


AFP



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