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31/01/2021 | domtotal.com

Variante inglesa do coronavírus: maior mortalidade, preocupações e dados

Governo britânico anunciou que nova cepa pode ser mais mortal e contagiosa

Um profissional da saúde prepara amostras para estudar o genoma da variante inglesa do novo coronavírus, no Instituto Hospitalar Universitário de Doenças Infecciosas (IHU) em Marselha, em 11 de janeiro de 2021
Um profissional da saúde prepara amostras para estudar o genoma da variante inglesa do novo coronavírus, no Instituto Hospitalar Universitário de Doenças Infecciosas (IHU) em Marselha, em 11 de janeiro de 2021 (Christophe SIMON/AFP)

O anúncio do governo britânico de que a variante inglesa do coronavírus poderia ser mais mortal, além de mais transmissível, aumenta a preocupação com essa cepa que está se espalhando em dezenas de países.

Os resultados científicos disponíveis até agora sugeriram que esta variante era mais contagiosa (50 a 70% mais que o vírus clássico). Porém, Londres anunciou na sexta-feira (22) que ela também poderia ser entre 30 e 40% mais mortal, embora os dados ainda não tenham sido confirmados.

 O que mudou?

Dois estudos da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) e do Imperial College London compararam os dados de casos positivos detectados fora do hospital com os dados de mortalidade. Ambos concluíram que as chances de morrer pela variante denominada B.1.1.7 ou VOC 202012/01 eram 30% maiores.

Outros estudos da Universidade de Exeter e da Public Health England, a agência de saúde pública inglesa, sugeriram um risco ainda mais elevado.

Esses dados levaram o NERVTAG, grupo científico que assessora o governo britânico, a afirmar que há uma "possibilidade realista" de que essa variante seja mais letal.

"Infelizmente, parece que esse vírus é ambas as coisas", mais contagioso e talvez mais mortal, resumiu John Edmunds, da LSHTM, na segunda-feira. "A situação, infelizmente, está se agravando muito."

Os dados são confiáveis?

Algumas incógnitas, porém, pesam sobre esses estudos, já que eles se baseiam em casos positivos fora do hospital, enquanto a maioria dos pacientes que mais tarde morrem são diagnosticados nesses estabelecimentos, segundo Edmunds. E os dados dos hospitais ainda não estão disponíveis.

Os estudos também cobrem apenas 8% de todas as mortes em um determinado período e os resultados podem "não ser representativos de toda a população", de acordo com o NERVTAG.

Por que mais mortal?

A primeira hipótese sugere que a maior mortalidade seria causada pelas mesmas mutações que tornam o vírus mais contagioso. Em particular, seria uma mutação na espícula do vírus, que permite que ele penetre nas células humanas.

"Se ele for capaz de se espalhar mais rapidamente nos pulmões, isso pode acelerar a progressão da doença e da inflamação", explicou Peter Horby, chefe do NERVTAG e especialista em doenças infecciosas emergentes da Universidade de Oxford.

"Talvez o vírus não tenha evoluído para ser mais mortal em si, mas para se desenvolver mais rápido ou melhor", disse Bjorn Meyer, virologista do Instituto Pasteur, de Paris.

 Os tratamentos são afetados? 

Não há "nenhuma evidência" de que os tratamentos sejam menos eficazes contra a variante inglesa, de acordo com Horby, responsável pelo vasto ensaio clínico Recovery, que recomendou a dexametasona, um corticosteroide, contra formas graves da Covid-19.

Os corticoides "deveriam funcionar da mesma forma porque não agem sobre o vírus, mas sim sobre a resposta" do organismo, afirmou ele.

Quanto às vacinas, os primeiros indícios são animadores. Segundo resultados preliminares de pesquisadores de universidades britânicas e holandesas, os anticorpos de pacientes curados naturalmente da Covid-19 são capazes de neutralizar a variante inglesa, o que indica que as vacinas também são.

Os fabricantes Pfizer/BioNTech e Moderna, também com base em estudos preliminares, garantiram que suas vacinas funcionam contra esta cepa.

Mais fraco?

Os cientistas alertam contra a ideia de que, se o vírus se tornar mais contagioso, isso implicará em seu enfraquecimento.

Não há razão para que "se torne menos grave", disse Emma Hocroft, epidemiologista da Universidade de Berna, lembrando que vírus como o sarampo e o HIV não se tornaram menos perigosos apesar de sua propagação.

"Ele certamente não se tornou um vírus mais benigno", declarou, por sua vez, Graham Medley, da LSTHM.


AFP



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