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02/02/2021 | domtotal.com

Biden revisa política migratória da era Trump e quer naturalizar 9 milhões nos EUA

Decretos vão reunir famílias separadas e investir nas causas da imigração irregular

O presidente dos EUA, Joe Biden, assina série de ordens executivas para revisar o processo de imigração
O presidente dos EUA, Joe Biden, assina série de ordens executivas para revisar o processo de imigração (Mandel Ngan/AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pedirá a seu governo que "agilize" a naturalização de quase 9 milhões de imigrantes, como parte de uma política migratória mais inclusiva, após a linha dura adotada pelo antecessor Donald Trump. "A estratégia do presidente Biden se concentra na premissa básica de que nosso país é mais seguro, mais forte e mais próspero com um sistema de imigração saudável, ordenado e humano", explicou uma fonte do governo à imprensa.

A iniciativa está incluída em um dos três decretos que o presidente assinará nesta terça-feira à tarde para reverter medidas da administração republicana anterior, que considera "divisivas", "cruéis" e contrárias à essência dos Estados Unidos, de acordo com altos funcionários do governo.

De acordo com várias fontes, a ordem executiva para "restaurar a fé" no sistema de imigração legal pedirá aos Departamentos de Estado, Justiça e Segurança Interna "uma revisão do processo de naturalização para agilizá-lo e torná-lo mais acessível aos mais de 9 milhões de imigrantes que atualmente são aptos" para solicitar a cidadania.

Biden também solicitará uma revisão da chamada "regra de cobrança pública" criada em agosto de 2019 pelo governo Trump para rejeitar o visto de residência permanente (green card), ou a cidadania, a quem recebe algum tipo de assistência social. "Basicamente, estabeleceu uma teste de riqueza para os imigrantes", disse uma fonte do governo.

Outro decreto pretende cumprir uma das promessas de campanha de Biden: reunir as famílias de migrantes separadas pela política de "tolerância zero" instaurada por Trump em 2018 na fronteira com o México, que afetou em sua maioria os centro-americanos.

"Foi um fracasso moral e uma vergonha nacional que o governo anterior tenha usado a separação familiar como uma arma contra famílias e crianças desesperadas", disse uma fonte, que citou o tema das reunificações familiares como uma "prioridade máxima" para Biden.

Um grupo de trabalho buscará identificar centenas de menores que ainda continuam afastados de seus pais - ao menos 600 de acordo com demandas judiciais apresentadas no ano passado - e proporá soluções para o reencontro, de acordo com altos funcionários, que não explicaram se isto poderia incluir o retorno ao território americano dos adultos deportados.

Biden também pretende assinar uma ordem executiva para atender os motivos que estimulam a migração irregular aos Estados Unidos. "O presidente Trump estava tão concentrado no muro (com o México) que não fez nada para abordar a causa fundamental do por quê as pessoas chegam à nossa fronteira sul", disse um funcionário do novo governo.

Biden pedirá a revisão dos Protocolos de Proteção ao Migrante (MPP em inglês), mais conhecidos como "Fique no México", que determina que os demandantes de asilo nos Estados Unidos devem esperar a resolução de seus casos em território mexicano.

Um imigrante latino no DHS?

O cumprimento dos decretos será de competência em grande parte do Departamento de Segurança Interna (DHS). Para comandar o DHS, Biden propôs o nome de Alejandro Mayorkas, um advogado nascido em Cuba em 1959 e que chegou muito pequeno aos Estados Unidos com sua família. O Senado deve se pronunciar nesta terça-feira sobre a designação de Mayorkas.

Se for confirmado para o cargo, Mayorkas será o primeiro latino e o primeiro imigrante a liderar o DHS, do qual foi subsecretário entre 2013 e 2016, depois de comandar os Serviços de Cidadania e Imigração (USCIS) desde 2009.

Em um de seus primeiros atos de governo em 20 de janeiro, Biden enviou ao Congresso um projeto de lei para legalizar quase 11 milhões de estrangeiros sem documentos que residem nos Estados Unidos, mais da metade deles mexicanos e centro-americanos. Esta ambiciosa reforma migratória, no entanto, precisa superar a relutância de muitos republicanos.


AFP/Dom Total



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