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16/02/2021 | domtotal.com

Sobre o passado, o presente e o futuro

É uma maravilha da natureza

A Torre de Babel, pintura de Lucas van Valckenborch
A Torre de Babel, pintura de Lucas van Valckenborch (Grandes énigmes de l'humanité - éditions Larousse)

José Antonio de Sousa Neto*

Para Deus o tempo não existe. E já faz tempo que também a ciência começou a entender que isso de fato é verdade, mesmo que o que pôde ser provado se restringe a um contexto mais restrito. Já abordamos um pouco sobre este tema em passado recente aqui na Dom Total. A partir da teoria da relatividade de Einstein ficou provado que dependendo da velocidade em que está, o tempo passa em ritmo diferente. O paradoxo dos gêmeos é um dos exercícios/exemplos mais conhecidos para ilustrar esta situação. Em outras palavras, às velocidades mais altas e principalmente às velocidades próximas à velocidade da luz o tempo passa mais lentamente sob a perspectiva de um observador externo e estático. O mesmo ocorre perto de grandes massas gravitacionais. Novamente para um observador, o tempo nestas regiões passaria mais lentamente. E sobre isso também já falamos um pouco mais aqui na Dom Total.

Imaginemos agora uma metáfora de uma torre com pessoas andando em círculo, uma atrás da outra, em torno desta torre. No topo da torre estaria Deus olhando as pessoas caminharem. Quem está à frente desta caminhada? Quem é o último no círculo? Cada caminhante pode ser o primeiro do círculo ou o último do círculo. Ou quem está à frente de um caminhante pode ser o primeiro ou o último. Ou o terceiro ou o quarto e assim por diante. Na verdade, depende do referencial. Mas para Deus no topo da torre, esta ordem não faz a menor diferença. Na verdade, para as pessoas também. Entretanto, a maior parte de nós não percebe isso.

Mas o "fenômeno" do "apagador quântico" (Recomendo ao leitor que se interessa pelo tema e que gostaria de ter uma visão mais holística desta questão, que antes de ver este vídeo sobre o "Apagador Quântico" se refira a dois outros textos publicados aqui na Dom Total: de 2016 e também de 2020) é uma maravilha da natureza que nos ajuda a chegar um pouco mais próximo deste entendimento. E mais do que isso, intuirmos com ele o próprio conceito do livro arbítrio e, mais ainda, intuirmos as consequências instantâneas/imediatas de seu exercício. Nesta última observação ultrapassamos os limites da ciência e chegamos talvez a uma perspectiva mais transcendente. Não temos um tabu quanto a isso por acreditar que ao longo do desenvolvimento e das epifanias humanas a transcendência e o conhecimento caminharão juntas.

No experimento do "apagador quântico" parece incoerente que um elétron "aja de forma retroativa" no tempo. Mas uma possível resposta talvez esteja exatamente em uma aparente ruptura do conceito de causa e efeito. Em nosso pensamento linear é contra intuitivo pensar em um efeito sem uma causa. A causa vem primeiro. Mas em um mundo quântico onde todos os cursos de eventos distribuídos ao longo de infinitas probabilidades já estariam disponíveis para serem escolhidos/selecionados pelo agente/observador, quase como opções de produtos finais ainda a serem fabricados em infinitas prateleiras de um supermercado infinitamente grande, a escolha de um produto final necessariamente vai ter de gerar uma causa específica (ou mais de uma) que gere aquele produto. Em outras palavras, no mundo quântico (e, portanto, no mundo real que nos cerca) escolhendo o efeito geramos automaticamente a causa como consequência em uma aparente reversão do princípio de causa efeito. Na verdade, o resultado esperado/desejado apenas passa a ser uma causa que necessariamente vai ter de gerar um efeito que é a causa original no contexto linear e tradicional de causa e efeito com o qual estamos mais acostumados. E isso, no contexto da propriedade do entrelaçamento (ou emaranhamento quântico) passa a ter uma abrangência ainda mais universal e sem barreiras no espaço – tempo. Outra consequência desta maravilha, é que nestas condições "o passado, o presente e o futuro" estariam acontecendo simultaneamente.

Muitos cientistas especulam ainda que de alguma forma as infinitas probabilidades geram necessariamente uma infinidade de universos paralelos (teoria dos multiuniversos). Neste contexto poder-se-ia talvez e então especular também sobre um universo multidimensional. Pelo menos neste último caso uma descrição matemática é possível.

Mas apesar da aparente complexidade das considerações deste breve texto, talvez uma das coisas mais importantes que podemos derivar de tudo isso é a possibilidade de refletir sobre o que realmente importa em nossas vidas se o tempo na verdade "não existe". O que restaria então "o tempo todo" e que realmente importaria são as relações de causa efeito e de efeito causa. Seriam nossas escolhas e expectativas e nossas expectativas e escolhas. Nosso livre arbítrio na modelagem e na "construção conjunta" do espaço tempo. Nesta "construção conjunta" toda a matéria prima já está presente. Ela vem e existe, ou ela é a partir de uma criação ou existência prévia. Mas se fomos criados à imagem e semelhança de Deus então não é uma surpresa que possamos contribuir na modelagem do espaço tempo que nos cerca.

Interessante aqui como questões e especulações ligadas aciência parecem estar tão próximas a questões e especulações ligadas ao que costumamos chamar de espiritualidade.

*Professor da EMGE (Escola de Engenharia e Computação)



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