Direito

18/02/2021 | domtotal.com

Belo tem pedido de habeas corpus aceito após ser preso por show durante pandemia

A Polícia Civil argumenta que, além de desrespeitar as medidas de segurança sanitária, a realização de shows na comunidade depende do aval do crime organizado local, por isso o cantor foi indiciado também por organização criminosa

O cantor Belo é preso 4 dias após show em escola no Complexo da Maré
O cantor Belo é preso 4 dias após show em escola no Complexo da Maré Foto (Luciano Belford/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

O cantor Belo deve ser solto nesta quinta-feira (18) após passar um dia na prisão sob a acusação de ter promovido a aglomeração de pessoas neste período de Covid-19 e isolamento social. Ele foi liberado pelo desembargador Milton Fernandes de Souza, que aceitou o pedido de habeas corpus da sua defesa.

Marcelo Pires Vieira, nome do cantor, foi preso enquanto participava de um programa de rádio no município de Angra dos Reis (RJ), na operação "É o que eu mereço", da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele foi indiciado por crimes de epidemia, esbulho possessório (relativo a invasões) e organização criminosa.

Entenda o caso

A ação teve quatro mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, incluindo os responsáveis por promover a invasão e realização do evento musical no Ciep 326 (Professor César Pernetta).

Segundo os agentes, uma produtora de eventos, por meio de seus sócios e administradores, realizou e promoveu um show musical, que durou até a manhã do sábado (13) sem autorização da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc). "Houve grande aglomeração de pessoas e risco de propagação e contaminação da Covid-19. O evento aconteceu na comunidade onde uma das maiores organizações criminosas do Rio de Janeiro atua", afirmou a Polícia Civil em nota.

O titular da DCOD, delegado Gustavo de Mello de Castro, ressaltou na nota que foi verificado junto à Seeduc que o evento ocorreu sem qualquer autorização, "configurando verdadeiro esbulho/invasão de um prédio público para a realização de um evento privado, contrário ao interesse público e que serviu para propagar ainda mais a doença viral", afirmou.

Segundo a DCOD, a invasão de um estabelecimento de ensino, localizado na comunidade Parque União, uma das áreas mais conflagradas do estado, onde a maior organização criminosa do Rio de Janeiro atua, somente poderia ocorrer com a autorização do chefe criminoso da localidade, que controla a localidade há anos e figura como indiciado em diversos procedimentos policiais sendo, inclusive, um dos bandidos mais procurados do estado.

"Verifica-se que o cenário desenhado é um dos mais absurdos possíveis, na medida em que o "evento contagioso" não foi autorizado pelo estado, mas pelo chefe criminoso local, que também teve a sua prisão preventiva decretada - declarou o delegado.

Além das prisões, a Justiça também decretou a suspensão das atividades da sociedade empresária e bloqueio das contas bancárias dos investigados, até que se apure os prejuízos causados pela conduta criminosa.

A defesa do cantor confirmou a liberação do habeas corpus, mas disse não saber o momento em que Belo será solto.



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