Ciência e Tecnologia

18/02/2021 | domtotal.com

Robô da Nasa pousa com sucesso para missão mais ambiciosa de exploração a Marte

A sonda Perseverance tem a tarefa de descobrir se existiu vida no Planeta Vermelho

Imagem computadorizada do momento do pouso da sonda em solo marciano
Imagem computadorizada do momento do pouso da sonda em solo marciano (Nasa/Divulgação)

A transmissão da equipe da Nasa (Agência Espacial Americana) comemorando a descida da nave ao solo de Marte foi transmitida ao vivo por vários meios de comunicação aqui no planeta Terra. "Pouso confirmado", disse a líder das operações Swati Mohan, enquanto a equipe de controle da missão na sede do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa explodia de alegria. 

Não é para menos. Trata-se da mais complexa e ambiciosa missão ao Planeta Vermelho, com diversos objetivos, mas, sobretudo, o de analisar a possibilidade da existência de vida, passada ou presente, no planeta.

Às 17h55 (horário de Brasília), a nave pousou. Logo em seguida, as primeiras imagens começaram a ser transmitidas. O procedimento autônomo guiado foi completado mais de 11 minutos antes do anúncio, que é o tempo em que um sinal de rádio leva para voltar à Terra.

Sete meses de viagem espacial, décadas de trabalho e bilhões de dólares investidos para responder a uma única pergunta: a vida já existiu em outro lugar que não a Terra? A Nasa tenta responder a esta pergunta com a bem sucedida aterrissagem nesta quinta-feira (18) de seu mais recente rover, o Perseverance.

Pela primeira vez, a missão da agência espacial americana tem o objetivo explícito de encontrar vestígios de vida antiga no Planeta Vermelho, coletando cerca de 30 amostras de rochas ao longo de vários anos. Elas serão trazidas à Terra em uma missão planejada para a década de 2030 para serem analisadas e talvez se possa, enfim, responder "uma das questões que nos acompanha há séculos, a saber: estamos sozinhos no Universo?", explicou Thomas Zurbuchen, administrador associado da Nasa.

O Perseverance agora inicia uma missão de vários anos para pesquisar as bioassinaturas de micróbios que podem ter existido bilhões de anos atrás no planeta vermelho, quando as condições eram mais quentes e úmidas do que são hoje. A partir do verão boreal, ele tentará coletar 30 amostras de rochas e solo em tubos selados para serem enviadas de volta à Terra no futuro para análises em laboratório.

Perseverance é o maior e mais complexo veículo já enviado para Marte. Construído no Laboratório de Propulsão a Jato (Jet), na Califórnia, pesa uma tonelada e está equipado com um braço robótico de quase 2 metros e 19 câmeras. A missão fez uma manobra muito perigosa no local de pouso mais arriscado já tentado, devido ao seu relevo: a Cratera de Jezero.

Exploração inédita

Os pesquisadores acreditam que a Cratera de Jezero abrigou um lago com cerca de 50 quilômetros de largura há mais de 3,5 bilhões de anos. "Temos evidências muito fortes de que Marte pode ter abrigado vida no passado", disse o vice-diretor da missão, Ken Williford. "A questão é: a Terra é uma anomalia, um golpe de sorte?", completou.

Os cientistas procuram o que chamam de bioassinaturas: traços de vida microbiana que "podem assumir todos os tipos de formas", como "químicos", ou "mudanças ambientais", explicou a diretora do programa de astrobiologia da Nasa, Mary Voytek. "Os astrobiólogos sonham com essa missão há décadas", afirmou, com entusiasmo. Ken Farley, cientista do projeto, aponta que "ou encontramos vida, e isso seria um achado excepcional, ou não, (...) e isso vai sugerir que nem todos os ambientes habitáveis são habitados".

Helicóptero e máquina de oxigênio

Os primeiros meses da missão não serão dedicados a este primeiro objetivo, mas a experiências paralelas. A Nasa quer, em particular, mostrar que é possível pilotar um veículo motorizado em outro planeta. O helicóptero Ingenuity tentará subir no ar com densidade equivalente a 1% da atmosfera terrestre. Dois microfones têm a função de registrar o som do Planeta Vermelho.

A Nasa também fará experiências com a produção de oxigênio em Marte. Um instrumento chamado Moxie, do tamanho de uma bateria de carro, deve ser capaz de produzir até 10g de oxigênio em uma hora, sugando o dióxido de carbono da atmosfera, em um processo semelhante ao de uma planta. Este oxigênio poderia ser usado para os humanos que forem para Marte no futuro, mas também como combustível.

SuperCam vai registrar imagens em alta resolução da superfície de Marte (Nasa)SuperCam vai registrar imagens em alta resolução da superfície de Marte (Nasa)

Empoleirada no topo do rover americano Perseverance, a SuperCam, projetada por cientistas franceses, estudará as rochas marcianas com seu feixe de laser e um microfone, em busca de vestígios de vida passada no Planeta Vermelho. Outras duas ferramentas europeias, a espanhola Meda e a norueguesa Rimfax, serão usadas para medir os parâmetros atmosféricos de Marte e explorar sua subsuperfície, respectivamente.

Do tamanho de uma caixa de sapatos e pesando cinco quilos, a SuperCam usará seus "superpoderes" do topo de uma haste, com ferramentas adicionais americanas de análise e controle, afixadas ao corpo do robô. "É um método de vigilância geofísica, que vai indicar onde tirar determinada amostra e examinar seu ambiente", explicou o astrofísico Sylvestre Maurice, do Instituto de Pesquisas em Astrofísica e Planetologia (Irap), que projetou o instrumento.

Perseverance é o quinto veículo a pousar em solo marciano. Desde o primeiro, em 1997, todos foram americanos. Um deles, o Curiosity, continua com sua missão no planeta. Recentemente, a China colocou na órbita de Marte sua sonda "Tianwen-1", que contém um robô que deve tentar pousar entre maio e junho.

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AFP/Dom Total



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