Meio Ambiente

19/02/2021 | domtotal.com

Biden oficializa o retorno dos EUA ao Acordo de Paris com promessas ambiciosas

Presidente pede aos países europeus para dobrar metas para conter aquecimento

Manifestantes protestam contra mudanças climáticas diante da Corte de Nova York
Manifestantes protestam contra mudanças climáticas diante da Corte de Nova York (Angela Weiss/AFP)

Os Estados Unidos retornaram oficialmente ao Acordo de Paris sobre o Clima, nesta sexta-feira (19), e o governo do presidente Joe Biden prometeu tornar a batalha ambiental prioridade máxima de seu governo. Exatamente um mês depois de tomar posse, a maior economia mundial e segunda maior emissora de carbono voltou formalmente ao acordo de 2015 que tem como objetivo combater o aquecimento global.

O reingresso de Washington significa que o Acordo de Paris volta a incluir, virtualmente, todas as nações do mundo, depois que Donald Trump, antecessor de Biden e aliado da indústria dos combustíveis fósseis, retirou os Estados Unidos do pacto.

Em um discurso na Conferência de Segurança de Munique, Biden pediu aos países europeus que redobrem seus compromissos no combate às mudanças climáticas. "Não podemos mais atrasar ou fazer o mínimo para lidar com as mudanças climáticas", disse ele. "Esta é uma crise existencial global. Todos sofreremos as consequências."

Em comunicado, o secretário de Estado americano, Antony Blinken declarou que "a mudança climática e a diplomacia científica nunca poderão voltar a ser 'agregados' em nossas discussões de política externa". "Abordar as ameaças reais da mudança climática e ouvir nossos cientistas está no centro das nossas prioridades de política interna e externa. É vital em nossas discussões sobre segurança nacional, esforços de saúde internacional para a migração e em nossas negociações comerciais e diplomacia econômica", frisou.

Após elogiar o Acordo de Paris, negociado pelo ex-presidente Barack Obama, Blinken disse que a diplomacia climática será crucial. Biden planeja uma cúpula do clima para 22 de abril, coincidindo com o Dia da Terra. John Kerry, ex-secretário de Estado e agora enviado dos EUA para o clima, pediu ao mundo que aumentasse suas ambições nas conversas sobre o tema na ONU, ocorridas em Glasgow, em novembro passado.

O novo presidente dos EUA se comprometeu a tornar o setor energético dos EUA livre de poluição até 2035 e que o país passe a ser uma economia de emissões zero até 2050. Trump, um aliado da indústria de combustíveis fósseis, argumentou que o Acordo de Paris era injusto para os Estados Unidos.

No entanto, os objetivos do Acordo de Paris não são essencialmente vinculantes, e cada país redige suas próprias medidas. Obama e Kerry sempre insistiram neste ponto, conscientes da oposição política em casa.

O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura global para 2 graus acima dos níveis pré-industriais e continuar os esforços para baixá-la para 1,5 grau. O crescente impulso político em torno da questão começa a mostrar que as mudanças climáticas ainda causam um impacto significativo. Um estudo recente revelou que 480 mil pessoas morreram em desastres naturais relacionados a condições meteorológicas extremas.


AFP



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