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19/02/2021 | domtotal.com

G7 promete aumentar a ajuda à campanha de vacinação nos países pobres

Economias mais ricas anunciam aporte de US$ 7,5 bi para o programa Covax da OMS

Líderes do G7 em tela na sede do Conselho da Europa, em Bruxelas, Bélgica
Líderes do G7 em tela na sede do Conselho da Europa, em Bruxelas, Bélgica (Olivier Hoslet/AFP)

Em sua primeira reunião por videoconferência com o presidente dos Estados Unidos Joe Biden, os líderes do G7, as sete maiores economias do mundo, se comprometeram a retornar ao multilateralismo, abalado sob o governo de Donald Trump, e prometeram compartilhar vacinas contra a Covid-19 com os países mais pobres.

Um mês depois de chegar à Casa Branca com a promessa de diplomacia, o democrata participou de suas primeiras reuniões internacionais. Primeiro, ele participou de uma videoconferência com os líderes da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão, Canadá e União Europeia, cujo principal assunto foi a resposta à pandemia, que já deixou mais de 2,4 milhões de mortos em todo o mundo.

Em seguida, discursou na conferência de segurança de Munique, na primeira vez que um presidente americano compareceu a este encontro anual de chefes de Estado, diplomatas e especialistas em segurança. "Estou enviando uma mensagem clara ao mundo. Os Estados Unidos estão de volta. A aliança transatlântica está de volta", afirmou o 46º presidente dos Estados Unidos nesta segunda reunião.

Em nota, os líderes do G7 reconheceram este novo estado de coisas, afirmando que pretendem fazer de 2021 "um ponto de inflexão para o multilateralismo", aplicando-o primeiro à pandemia. "Mais uma vez, o multilateralismo terá mais opções dentro do G7", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel.

Eles anunciaram que vão dobrar seu apoio coletivo à vacina anticovid com ajuda de até US$ 7,5 bilhões (R$ 40,4 bilhões), especialmente por meio do programa Covax da ONU, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), à qual Washington acaba de reintegrar após a saída de Trump.

Além dos Estados Unidos, a União Europeia dobrou sua contribuição para 1 bilhão de euros (R$ 6,5 bilhões). A Alemanha anunciou que contribuirá com 1,5 bilhões de euros adicionais (R$ 9,7 bilhões) para a luta global contra a pandemia.

O programa visa fornecer vacinas contra o coronavírus este ano a 20% da população de quase 200 países e territórios participantes, mas acima de tudo inclui um mecanismo de financiamento que permite que 92 economias de baixa e média renda tenham acesso às doses.

No mesmo evento, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, defendeu que países e fabricantes de vacinas para a Covid-19 compartilhem suas doses com a iniciativa Covax para que a pandemia seja controlada mais rapidamente. Segundo ele, dividir de forma igualitária os imunizantes não é só a "coisa certa" a fazer, mas também a atitude "mais inteligente".

Para o diretor-geral da OMS, a concentração das doses em alguns poucos países ricos causa um atraso na vacinação global, o que dá mais chance ao coronavírus de desenvolver mutações que podem diminuir a eficácia das vacinas. Mesmo assim, ele celebrou o fato de que os imunizantes dão uma "esperança real" de controlar a transmissão do vírus, após um ano de restrições que afetaram a economia global.

Ataques contra Rússia e China

As grandes potências iniciairam, com maior ou menor sucesso, campanhas de vacinação em massa contra o coronavírus, mas os países desfavorecidos permanecem por enquanto à margem.

Os países ricos pediram grandes quantidades de doses sem saber se essas vacinas seriam eficazes, mas dado o número de medicamentos que funcionam, acabaram dispondo de centenas de milhões de doses restantes. 

Na abertura do encontro, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, cujo país detém a presidência rotativa do G7, ressaltou que "esta é uma pandemia global e não faz sentido um país se sobrepor a outros, temos que avançar juntos". "Queremos ter certeza de que distribuímos nossas vacinas a preços de custo em todo o mundo e que todos estão vacinados", acrescentou.

O líder britânico já prometeu redistribuir a maior parte de seu excedente por meio da Covax. Mas seu governo, que quer encerrar seu terceiro confinamento, quer priorizar seus próprios cidadãos.

O presidente francês Emmanuel Macron propôs aos países europeus e aos Estados Unidos a doação de 13 milhões de doses de vacinas anticovid para a África "o mais rápido possível". Macron propôs que as doses sirvam para vacinar rapidamente 6,5 milhões de trabalhadores de saúde africanos.

Esta é a primeira reunião do G7 desde abril de 2020, quando a situação da saúde forçou o cancelamento da cúpula que Trump deveria organizar. Seu sucessor, em seus primeiros discursos e conversas telefônicas, já traçou a nova linha da diplomacia americana, com discursos mais duros contra a Rússia de Vladimir Putin, a vontade de retomar um acordo sobre o programa nuclear iraniano e compromissos com os aliados.

Em seu discurso na conferência de Munique, Biden confirmou essa evolução, acusou a Rússia de "atacar nossas democracias", considerou que o mundo tem que fazer mais pelo clima e disse estar determinado a "reconquistar" a confiança da Europa. Seguindo os passos de seu antecessor, ele pediu uma ação para combater os "abusos econômicos por parte do governo chinês", que minam "as bases do sistema econômico internacional".


AFP/Dom Total



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