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20/02/2021 | domtotal.com

Presidente argentino pede renúncia do ministro da Saúde após escândalo com vacina

Imprensa afirma que González García havia reservado para uma 'lista VIP' com três mil vacinas contra a Covid-19, privilegiando algumas pessoas em detrimento dos pacientes prioritários

O ministro da Saúde da Argentina, Gines Gonzalez Garcia, no Congresso em Buenos Aires, em 10 de dezembro de 2020
O ministro da Saúde da Argentina, Gines Gonzalez Garcia, no Congresso em Buenos Aires, em 10 de dezembro de 2020 (Juan Mabromata/AFP)

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, solicitou a renúncia de seu ministro da Saúde após a denúncia nessa sexta-feira (19) de que seus parentes haviam sido vacinados contra a Covid-19 em seu gabinete, sem ter que esperar sua vez como os demais argentinos.

Fernández "deu a indicação ao chefe de gabinete (Santiago Cafiero) para pedir a renúncia do ministro da Saúde", Ginés González García, disse uma fonte do governo.

As vacinações "privilegiadas" na sede do Ministério da Saúde foram reveladas no mesmo dia em que a cidade de Buenos Aires disponibilizou a solicitação de agendamentos online para a imunização de pessoas com mais de 80 anos a partir da próxima segunda-feira, sistema que entrou em colapso quase de imediato devido à enorme demanda.

Até agora, na Argentina, apenas os profissionais de saúde foram vacinados. Só na quarta-feira começou a vacinação para maiores de 70 anos na província de Buenos Aires.

O escândalo estourou depois que o jornalista Horacio Verbitsky disse na rádio que, graças a sua longa amizade com o ministro, conseguiu se vacinar em seu gabinete. Além da atuação como jornalista, Verbitsky, de 71 anos, também preside o Centro de Estudos Legais e Sociais, dedicado aos direitos humanos. Segundo a imprensa local, outras pessoas próximas ao governo também foram vacinadas no Ministério da Saúde.

Verbitsky é apontado pela imprensa local como um assessor informal da hoje vice-presidente Cristina Kirchner, que presidiu a Argentina entre 2007 e 2015. O Clarín afirma que outros no país se beneficiaram de um tratamento diferenciado na fila de vacinas, dizendo que o senador Jorge Taiana, de 70 anos, que foi chanceler na administração Cristina Kirchner, e o deputado peronista Eduardo Valdés, de 65 anos, e até um sobrinho de 44 anos do então ministro também conseguiram receber o imunizante. O La Nación afirma que González García havia reservado para essa "lista VIP" 3 mil vacinas contra o vírus.

Nova ministra

A médica Carla Vizzotti, de 47 anos, teve seu nome confirmado oficialmente como ministra da Saúde no Diário Oficial da Argentina deste sábado (20). Especialista em vacinas, ela era até então presidente e fundadora da Sociedade Argentina de Vacinas e Epidemiologia e substitui Gines González García.

A agência estatal Télam qualificou o caso como "vacinação irregular". González García chegou a publicar uma carta no Twitter, na qual trata o episódio como uma "confusão involuntária" de sua equipe. Ele disse que assumia a responsabilidade pelo "equívoco", mas garantiu que as pessoas vacinadas "pertencem aos grupos incluídos dentro da população alvo da campanha vigente".

A Argentina, com 44 milhões de habitantes, acumula mais de dois milhões de infecções pela Covid-19 e ultrapassa as 50 mil mortes.

A vacinação começou no país no final de dezembro com a Sputnik V, do laboratório russo Gamaleya. O presidente Fernández e a vice-presidente Cristina Kirchner, ambos na casa dos 60 anos, foram vacinados diante das câmeras para transmitir confiança na vacina.

Até o momento, a Argentina recebeu 1,22 milhões de doses da Sputnik V e 580 mil da Covishield, vacina do Serum Institute of India.

O plano de imunização argentino inclui, mais a frente, vacinas da aliança britânica Oxford/AstraZeneca e de outros contratos, inclusive por meio do mecanismo de cooperação internacional Covax, totalizando 62 milhões de doses.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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