Brasil Política

20/02/2021 | domtotal.com

Mudanças na Petrobras: 'Semana que vem teremos mais', diz Bolsonaro

Presidente diz precisa 'trocar as peças que, porventura, não estão dando certo'

Crítico da política de reajustes da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ainda que a formação de preço dos combustíveis no país é uma 'caixa preta'
Crítico da política de reajustes da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ainda que a formação de preço dos combustíveis no país é uma 'caixa preta' (Isac Nóbrega/PR)

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (20) que mais mudanças virão na semana que vem, após anunciar ontem a indicação do general da reserva Joaquim Silva e Luna para ocupar a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco, em meio à insatisfação com a política de preços da estatal.

"Se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, semana que vem teremos mais", disse, sem entra em detalhes, durante discurso na Cerimônia de Entrada dos Novos Alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas (SP).

Em referência à indicação para troca de comando na Petrobras, Bolsonaro disse que, como governante, precisa "trocar as peças que, porventura, não estão dando certo". "Problemas hoje temos e tenho que decidir, assim como vocês militares, rapidamente. Pior do que decisão mal tomada é uma indecisão", afirmou, sem citar nominalmente a Petrobras em nenhum momento.

"O que não falta para mim é coragem para decidir. Mais fácil é se acomodar para quem não tem compromisso com a nossa Pátria. Da minha parte, isso não ocorrerá. Acredito na minha Pátria e tenho dever a cumprir. Não deixarei passar oportunidade, não deixarei de fazer pela Pátria. O que todos nós queremos é trabalhar bem para o futuro do nosso Brasil".

Durante o discurso, o presidente ainda disse que, se tudo dependesse dele, "não seria esse o regime que estamos vivendo". "Eu representou a democracia no Brasil, nunca a imprensa teve tratamento tão cortês como o meu. Se não acham, é porque não estão acostumados para ouvir a verdade. Juntamente com as Forças Armadas e as instituições, tudo faremos para cumprir a Constituição e para fazer com que a democracia funcione".

Bolsonaro também disse que tudo indica que o ano passado foi o ápice da pandemia de Covid-19, embora o número de mortes diárias tenha batido recordes neste ano. "Ano passado, ao que tudo indica, foi o ápice dessa malfadada pandemia, que ainda continua nos perseguindo hoje".

"O presidente pode até descansar, a tropa jamais", disse. Para uma plateia de cerca de 400 novos ingressantes na carreira militar, Bolsonaro destacou princípios da caserna. "Vocês aprenderão brevemente que missão não se escolhe, não se escolhe nem se discute, se cumpre e tudo é possível pela pátria, até mesmo o sacrifício da própria vida", afirmou.

Também acompanharam o evento o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, e os ministros Fernando Azevedo, da Defesa, Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), além do filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal. O chefe do Executivo deve retornar a Brasília ainda à tarde.

Impostos sobre combustíveis são 'caixa preta'

Crítico da política de reajustes da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ainda que a formação de preço dos combustíveis no país é uma "caixa preta". Ele também criticou a qualidade dos combustíveis vendidos e indicou que a gasolina e o óleo diesel poderiam ser 15% mais baratos se os órgãos de fiscalização "estivessem funcionando".

"Hoje em dia eu acho que a gasolina, o combustível, poderia ser, no mínimo, 15% mais barato, se todos os órgãos estivessem funcionando. Quem são todos os órgãos? Os órgãos de fiscalização ou de colaboração para fiscalizar", declarou Bolsonaro em transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado de um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O chefe do Executivo citou como exemplo de órgão de fiscalização a própria Petrobras, o Ministério de Minas e Energia, a Receita Federal e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O presidente cobrou maior fiscalização por parte da Receita e disse que está "ultimando" ao Inmetro uma forma de aferir à distância se postos de gasolina estão vendendo as quantidades certas de combustível.

Bolsonaro acrescentou que há "outros órgãos" responsáveis pela qualidade do combustível no país, mas que "ninguém nunca se preocupou em fazer absolutamente nada" para a fiscalização. "Agora uma pergunta a vocês: você sabe que quando você coloca seu combustível no carro você não tem certeza se tá marcando 30 litros lá no visor da bomba, se entraram 30 litros, você não sabe a qualidade desse combustível", citou.

"Quando você vê a nota fiscal você também não sabe quanto de imposto é federal, quanto é estadual, quanto é a margem de lucro dos postos e quanto se paga também na questão da distribuição. Você não sabe de nada, é uma caixa preta", declarou ele. "Tem locais no Brasil que postos de gasolina estão na mão de gente que realmente faz parte de organização criminosa. Temos que buscar solução para isso. Não vai faltar para nós, se Deus quiser, coragem de decidir, buscar o que é certo", disse.

Na live com Eduardo Bolsonaro, o presidente também negou ter interferido na petrolífera ao indicar na sexta-feira o nome de Silva e Luna para o comando da estatal. "Não houve qualquer interferência na Petrobras. Tanto é que continua esse reajuste de 15%", disse.

Na última quinta-feira (18), a Petrobras anunciou aumento de 15,2% no óleo diesel e de 10,2% na gasolina. Foi o quarto reajuste do ano e pesou para que Bolsonaro indicasse um novo nome para o comando da estatal. O diesel e a gasolina já acumulam alta de 27 5% e 34,8% em 2021.


Agência Estado/Dom Total



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