Religião

22/02/2021 | domtotal.com

Áudios revelam acordos suspeitos de padre Robson de Oliveira e pagamento de R$ 500 mil a desembargador

Material prova uma série de crimes, como tráfico de influência, obstrução de Justiça e formação de quadrilha. Ação contra padre Robson Oliveira foi trancada pelo TJGO

Magistrados teriam recebido até R$ 500 mil de suborno em decisões favoráveis ao padre Robson de Oliveira
Magistrados teriam recebido até R$ 500 mil de suborno em decisões favoráveis ao padre Robson de Oliveira (Divulgação/Afipe)

O padre Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R voltou a ter a conduta sob suspeita após o vazamento de áudios e mensagens que revelam acordos comprometedores. Para o Ministério Público de Goiás (MPGO) e a Polícia Civil, o material prova uma série de crimes, como tráfico de influência, obstrução de Justiça e formação de quadrilha. Os órgãos vão pedir ao Tribunal de Justiça de Goiás  (TJGO) o destrancamento de ação que investiga supostas irregularidades conduzidas por padre Robson no Santuário do Pai Eterno, em Trindade (GO).

As mensagens foram veiculadas na noite desse domingo (21) no programa Fantástico. Segundo a emissora, o material passou por perícia que comprova que a voz é mesmo do padre Robson Pereira. Áudios e mensagens revelam atitudes comprometedoras do sacerdote, que inclui a contratação de jagunços contra um homem  que tentou extorquir o padre, até mesmo suposta ligação com desembargadores do TJGO. Magistrados teriam recebido até R$ 500 mil de suborno em decisões favoráveis ao religioso e à Afipe (Associação dos Filhos do Pai Eterno). 

Padre Robson era investigado pelo MP por diversos crimes, incluindo lavagem de dinheiro, apropriação indébita, falsificação de documentos e sonegação fiscal. A promotoria apontou, em agosto de 2020,  que o sacerdote havia desviado, ao menos R$ 120 milhões da Associação Pai Eternos e Perpétuo Socorro (Afipe), ligada à Basílica do Divino Pai Eterno. O caso levou o padre a ser afastado da presidência da entidade e também foi parar em Roma, sendo acompanhando pela Congregação dos Redentoristas.

Em outubro, contudo, a investigação foi trancada pelo Tribunal de Justiça de Goiás. A  decisão do desembargador Nicomedes Domingos Borges foi acompanhada por unanimidade pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás.

Na ocasião, o advogado de defesa Pedro Paulo de Medeiros alegou o MPGO não tem competência para investigar a associação, argumentando que as provas da Operação Vendilhões são ilegais por terem sido obtidas no âmbito de um caso no qual o padre foi vítima de extorsão de dinheiro. "Tudo se inicia com prova ilícita, oriunda do hackeamento e, portanto, tudo que dela advém, também é ilícito, determinando o trancamento", completou.

O procurador de Justiça Abrão Amisy Neto, que representou o MP, negou que as provas obtidas são ilícitas e que elas não têm "a menor relevância no caso". "O que ocorreu é que em virtude do pagamento ou da tentativa de pagamento (da extorsão), o próprio investigado levou informações que geraram uma investigação. Quando se estava investigando A, fortuitamente, descobriu-se B", destacou.


Redação Dom Total



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