Direito

23/02/2021 | domtotal.com

Ataques ao STF e Congresso tiveram financiamento internacional, revela Toffoli

Informação foi obtida por meio da quebra de sigilos bancários e ministro classificou a descoberta como 'gravíssima'

'História' já mostrou que financiamento a grupos radicais serviu 'para criar o caos', diz Toffoli
'História' já mostrou que financiamento a grupos radicais serviu 'para criar o caos', diz Toffoli (Rosinei Coutinho/STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que as investigações que apuram fake news e a realização de atos antidemocráticos identificaram "financiamento internacional a atores que usam as redes sociais para fazer campanhas contra as instituições brasileiras, em especial o STF e o Congresso Nacional". A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Band, exibida nessa segunda.

Segundo Toffoli, a divulgação da informação - obtida por meio da quebra de sigilos bancários - foi autorizada pelo ministro-relator dos casos na Corte, Alexandre de Moraes. Na entrevista, Toffoli classificou a descoberta como "gravíssima". Para ele, a "história" já mostrou que financiamento a grupos radicais serviu "para criar o caos".

"A história do país mostrou a que isso levou no passado, financiamento a grupos radicais, seja de extrema direita, seja de extrema esquerda, para criar o caos e desestabilizar a democracia em nosso país", disse Toffoli. Ainda de acordo com ele, não se trata de "grupo de malucos", mas de uma "organização".

Segundo o jornal O Globo, os investigadores apuram se o empresário João Bernardo Barbosa, dono da holding JBB Par Investments, que mora em Miami (EUA), é o elo internacional das campanhas contra as instituições. O empresário negou ao jornal ter feito qualquer doação para atos antidemocráticos.

Marco’

Relator dos inquéritos das fake news - aberto para apurar notícias falsas, ofensas e ameaças dirigidas aos integrantes do Supremo - e dos atos antidemocráticos, que investiga a organização, o financiamento e a divulgação de manifestações contra a democracia, o ministro Alexandre de Moraes disse ontem que a confirmação da ordem de prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) pelos plenários da própria Corte e da Câmara dos Deputados foi um "marco no combate ao extremismo antidemocrático".

O parlamentar bolsonarista foi preso há uma semana por ordem de Moraes, após divulgar um vídeo com ameaças ao Supremo e a integrantes do tribunal. Na sexta-feira passada, por 364 votos a 140, a maioria dos deputados referendou a decisão do Supremo. Na ocasião, Silveira pediu desculpas.

"O incentivo a dar surras em ministros do Supremo Tribunal Federal, o incentivo a agressões contra a saúde e vida de ministros do Supremo Tribunal Federal, o incentivo à ditadura e ao AI-5 que fecha o Supremo Tribunal Federal não são críticas, são atentados contra a democracia", afirmou.

As declarações de Moraes, próximo presidente do Supremo, foram feitas durante o seminário virtual "Eleições 2022 e desinformação no Brasil", organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). "Nós não podemos mais deixar que as redes sociais sejam terra de ninguém. Porque os discursos de ódio e antidemocráticos vêm manipulando as pessoas", afirmou o ministro na transmissão. "Com essas milícias digitais, nós estamos sofrendo o mais pesado, mais forte e mais vil ataque às instituições e ao estado democrático de direito."

O ministro lembrou que a produção de notícias falsas deixou de ser amadora e passou a integrar uma "indústria de monetização". Moraes disse ainda ser um "desafio grande" impedir que as "milícias digitais" influenciem a eleição presidencial do ano que vem. Na avaliação dele, as empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas pelos conteúdos publicados em suas plataformas.


Agência Estado



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!