Brasil Política

25/02/2021 | domtotal.com

Carioca odeia as urnas

O eleitor carioca supera todos os brasileiros em matéria de votos equivocados

Parece que o eleitor carioca precisa de uma reciclagem urgente
Parece que o eleitor carioca precisa de uma reciclagem urgente (Fernando Frazão/ABr)

Afonso Barroso*

O povo carioca não é muito diferente do resto dos brasileiros, mas tem certas particularidades bastante próprias e até exclusivas. O sotaque, por exemplo. O S do carioca é puxado para o X e caracteriza uma fala peculiar. É em geral um sujeito simpático, brincalhão, gozador e criativo. Solícito como poucos. Mas tem outra coisa que a maioria dos brasileiros não tem: a grande capacidade de não saber votar. Como vota mal, meu Deus! É bem verdade que também nós, mineiros e demais brasileiros, costumamos errar na hora de enfrentar a urna. Mas o carioca supera a todos nós em matéria de sufrágios equivocados.

Carioca, diante da urna, faz o mal sem olhar a qual. De repente, elege um Garotinho e depois a mulher do mesmo Garotinho, que não é uma garotinha qualquer, mas uma extensão do Garotinho que ela um dia desposou e cujos passos segue como uma cordeirinha amestrada. E o que fazem os traquinas quando assumem o poder? Prestam um desserviço sem tamanho à cidade antes maravilhosa e ao estado inteiro. Só se dedicam a servir-se a si mesmos esses danadinhos. Não se importam com a prisão e o vilipêndio decorrentes.

Mas o carioca, perseverante no ofício de errar, não deixa por menos. Vai de novo à urna e elege um Sérgio Cabral, pensando que o filho era a imagem e semelhança do pai, este um sujeito respeitado, intelectual, cronista do Pasquim e competente crítico musical. Engano redondo. Esse outro Cabral descobriu o caminho da corrupção mais desenfreada, por ele enveredou sem freio e acabou na cadeia.

O eleitor carioca ainda elegeu Pezão, sem desconfiar que, com esse nome, o candidato poderia ter também um mãozão. E não é que tinha?

Não satisfeitos com tantas viagens em canoa furada, os cariocas ainda embarcaram em outra ao eleger Wilson Witzel, que tem sobrenome germânico, mas não é flor que se cheire. De quebra, também elegeram, para prefeito, um pastor pouco evangélico, de nome Crivela.

É inacreditável o número de políticos corruptos elevados ao poder pelo povo incauto do Rio de Janeiro. E agora, com um tempo de corrupção mais ou menos amenizada, lá vem um deputado carregando consigo um bolsonarismo sem precedentes. É verdade que o tal Daniel Silveira, essa verdadeira aberração política, não obteve grande número de votos, já que foi eleito na esteira meio imoral da sobra de votos de outros candidatos do seu partido. Mas os R$ 30 e poucos mil que recebeu podem ser considerados um número astronômico, a julgar pela sua baixa qualidade como homem público ou privado.

Parece que o eleitor carioca precisa de uma reciclagem urgente. Se continuar assim, elegendo representantes que só pensam em representar a si mesmos, vai acabar fazendo do Rio de Janeiro, especialmente sua famosa capital, um lugar do tipo aroeira, aquela árvore caipira na qual ninguém quer encostar.

Qualquer dia alguém vai compor uma música inspirada em Dorival Caymmi com os seguintes versos: Você já foi ao Rio? Não? Então, não vá.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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