Meio Ambiente

24/02/2021 | domtotal.com

Conselho de Segurança da ONU: Mudanças climáticas ameaçam a segurança mundial

'Quando se supõe que faremos algo se não agimos agora?', questionou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, cujo país preside em fevereiro o Conselho de Segurança

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, assiste a mensagem em vídeo do naturalista britânico David Attenborough na abertura de uma sessão do Conselho de Segurança da ONU sobre o clima, em 23 de fevereiro de 2021
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, assiste a mensagem em vídeo do naturalista britânico David Attenborough na abertura de uma sessão do Conselho de Segurança da ONU sobre o clima, em 23 de fevereiro de 2021 (Stefan Rousseau/AFP)

Na reunião virtual com os países do Conselho de Segurança da ONU, nessa terça-feira (23), a maioria dos dirigentes do órgão máximo da segurança global destacou as implicações das mudanças climáticas na paz internacional, ante a oposição taxativa da Rússia, que considerou esta ideia uma "distração".

"As mudanças climáticas são uma ameaça para a nossa segurança coletiva", assegurou o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, cujo país preside em fevereiro o Conselho de Segurança, e não hesitou em assinalar as posições divergentes que os 15 membros da instância têm sobre o tema.

"Sei que há alguns no mundo que pensam que se tratam apenas de coisas verdes de um monte de comedores de tofu que abraçam árvores, que não são pertinentes à diplomacia e à política internacional", explicou. "Não poderia discordar mais", afirmou.

"Quando se supõe que faremos algo se não agimos agora? Quando massas de gente que foge da seca, dos incêndios ou dos conflitos para ter acesso a recursos chegarem às nossas fronteiras?", questionou. "Queiram ou não, é uma questão de 'quando' e não de 'se' seus países e seus povos deverão enfrentar as consequências das mudanças climáticas sobre a segurança", acrescentou.

Pouco após seu discurso, o primeiro-ministro britânico teve que deixar a sessão, da qual também participaram o secretário-geral da ONU, António Guterres; o enviado americano para as mudanças climáticas, John Kerry; os presidentes francês, Emmanuel Macron; o tunisiano, Kais Saied, e o queniano, Uhuru Kenyatta.

'Vínculo inegável'

Guterres se esforçou, por sua vez, em tornar tangível o problema climático. "No Afeganistão, por exemplo, onde 40% dos trabalhadores estão relacionados com a agricultura, as colheitas reduzidas jogam as pessoas na pobreza e na insegurança alimentar, tornando-as suscetíveis de serem recrutadas por grupos armados", expôs.

"O vínculo entre clima e segurança, embora seja complexo, é inegável", reforçou Macron. "Entre os vinte países mais afetados por conflitos no mundo, doze fazem parte também dos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas", destacou.

Alguns dos membros não permanentes do Conselho, como Quênia e Níger, apoiaram a inclusão deste tema nas discussões diplomáticas das Nações Unidas. Índia e México, no Conselho de Segurança desde janeiro e progressistas sobre o tema, também concordaram. Macron pediu nomear "um ou uma enviada especial para a segurança climática", assim como a Alemanha.

No ano passado, Berlim tinha apresentado um projeto de resolução que previa a criação da posição de emissário da ONU, mas sob a ameaça de veto dos Estados Unidos, da Rússia e da China, a iniciativa não foi submetida a votação.

"É momento de reapresentar um texto forte sobre a mesa e adotá-lo", disse nesta terça o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas.

'Distração'

"Indiscutivelmente, a crise climática é um assunto para o Conselho de Segurança", avaliou Kerry. "Nenhum país pode regular esta crise sozinho, é precisamente para este tipo de problema que as Nações Unidas foram criadas", assegurou.

Embora os Estados Unidos - que com o impulso do novo presidente, Joe Biden, acabam de retornar formalmente ao acordo de Paris de 2015, que quer limitar o aquecimento global - tenham mudado de posição, aparentemente Rússia e China não, com Moscou em franca oposição.

Vassily Nebenzia, embaixador russo na ONU pôs em dúvida a ideia de que os problemas climáticos estejam na "raiz" dos conflitos. Apoiar isso, avaliou, é uma "distração" que afasta as "causas verdadeiras". "Impor uma conexão assim de forma sistemática seria perigoso", destacou.

A Rússia "compartilha a ideia de que falta produzir uma resposta rápida à mudança climática, mas isso deve ser feito no âmbito de mecanismos onde é tratada por profissionais", acrescentou, defendendo uma abordagem diferenciada por regiões e não uma "global".

De forma mais moderada, a China declarou que o "desenvolvimento sustentável era a chave para resolver todos os problemas e eliminar a causa dos conflitos". Mas, "a cooperação internacional sobre o clima deve ser tratada no âmbito da Convenção Internacional da ONU sobre o clima, como via principal", avaliou Xie Zhenhua, enviado especial de Pequim sobre o clima.

Na abertura da reunião, o naturalista britânico David Attenborough, de 94 anos, tomou a palavra para ressaltar que as mudanças climáticas deveriam "unir" os países, já que afetam a realidade em todo o planeta. "A mudança de que precisamos é imensa, mas já temos muitas das tecnologias de que necessitamos", afirmou.


AFP/Dom Total



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