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25/02/2021 | domtotal.com

Enfraquecido, primeiro-ministro da Armênia acusa militares de tentativa de golpe militar

Chefe do Estado-Maior foi afastado, após pedir renúncia do premiê Nikol Pashinyan

Manifestantes da oposição realizaram protesto a favor da renúncia do primeiro-ministro
Manifestantes da oposição realizaram protesto a favor da renúncia do primeiro-ministro (Karen Minasyan/AFP)

O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, denunciou uma tentativa de golpe militar contra seu governo. O Estado-Maior do Exército armênio pediu a renúncia de Pashinyan, que respondeu convocando seus apoiadores para uma manifestação na capital, Yerevan. "Considero que a declaração do Estado-Maior é uma tentativa de golpe de Estado militar. Peço a todos os nossos partidários que se reúnam na Praça da República em Yerevan", escreveu Pashinyan em sua página no Facebook.

Em transmissão ao vivo, ele demitiu o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Onik Gasparian, e disse que o substituto seria anunciado posteriormente. Ele disse que a crise seria superada constitucionalmente. "O problema mais importante agora é manter o poder nas mãos do povo, porque considero o que está acontecendo como um golpe militar", disse Pashinyan.

Pouco depois, Pashinyan liderou a manifestação e declarou que, apesar da situação tensa, "todos concordam que não devem acontecer confrontos". "A situação pode ser administrada", disse o primeiro-ministro. Pashinyan destacou que trabalha em medidas urgentes para desativar a crise. Quase 20 mil pessoas compareceram à praça. Entre 10 mil e 13 mil manifestantes opositores se reuniram em outra praça da capital Yerevan para pedir a renúncia do primeiro-ministro.

"Como primeiro-ministro eleito, estou ordenando a todos os generais, oficiais e soldados: façam o seu trabalho de proteger as fronteiras do país e a integridade territorial", afirmou o chefe de governo a seus seguidores. O Exército "deve obedecer ao povo e às autoridades eleitas", acrescentou.

Pashinyan enfrenta protestos e apelos para sair do cargo por críticos que o acusam de ter tido uma gestão desastrosa do conflito no ano passado entre forças étnicas armênias na região de Nagorno-Karabakh e o Azerbaijão. "Pedimos a Nikol Pashinyan que não leve o país a uma guerra civil e a um derramamento de sangue. Pashinyan tem a última oportunidade de sair sem que aconteçam problemas", afirmou o partido Armênia Próspera, principal força da oposição. Manifestantes de oposição saíram as ruas na semana passada e devem voltar a protestar pela saída do primeiro-ministro.

A Rússia afirmou que está "preocupada" com a situação e fez um pedido de "calma" na ex-república soviética. A Turquia, grande inimiga da Armênia, condenou "com firmeza" a tentativa de forçar a renúncia do governo.

Declarações e mediação

Na véspera, Pashinyan demitiu um assessor de Gasparian, o que levou o Estado-maior a pedir sua renúncia por julgar que o primeiro-ministro "já não está em condições de tomar decisões que lhe são impostas". Não ficou claro se o Exército estava disposto a usar a força para apoiar a declaração em que pedia a renúncia de Pashinyan, ou se seu pedido de demissão foi apenas verbal.

Arayik Harutyunyan, o presidente do enclave de Nagorno-Karabakh, ofereceu-se para agir como mediador entre Pashinyan e o Estado-maior. "Já derramamos sangue suficiente. É hora de superar as crises e seguir em frente. Estou em Yerevan e estou pronto para me tornar um mediador para superar esta crise política", disse ele, pedindo a todos os lados que não aumentem.

Tropas étnicas armênias cederam áreas de território dentro e ao redor de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão em um conflito no ano passado que matou milhares de pessoas.

Um cessar-fogo assinado por líderes da Armênia, Azerbaijão e Rússia em novembro passado interrompeu a ação militar dentro e ao redor do enclave, que é internacionalmente reconhecido como parte do Azerbaijão, mas habitado por armênios étnicos. Cerca de 2 mil soldados russos de manutenção da paz estão sendo enviados à região. A Rússia também tem uma base militar na Armênia, uma ex-república soviética.

A derrota foi encarada como uma humilhação nacional. Desde então, a oposição exige a renúncia do primeiro-ministro que, quase até o fim do conflito - que começou em setembro e terminou em novembro de 2020 -, repetia que as forças de Yerevan estavam em vantagem sobre o Azerbaijão.

Nikol Pashinyan, ex-jornalista e histórico opositor, 45 anos, chegou ao poder em 2018, após uma revolução que prometia tirar o país do Cáucaso da pobreza e eliminar a elite marcada pela corrupção. Desde sua independência após o fim da União Soviética em 1991, a Armênia enfrentou várias crises políticas e revoltas, algumas delas extremamente violentas.


Agência Estado/AFP/Dom Total



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