Coronavírus

26/02/2021 | domtotal.com

Fiocruz aponta taxa de ocupação de UTI acima de 80% em 17 capitais do país

Com recorde de casos e mortes, Bolsonaro critica restrições e defende volta à normalidade

Capitais sofrem também com pressão por transferência de pacientes graves de cidades do interior
Capitais sofrem também com pressão por transferência de pacientes graves de cidades do interior (ABr)

Um novo boletim do Observatório Covid-19, da Fiocruz, aponta 17 capitais brasileiras com ocupação de leitos de UTI de pelo menos 80%. De acordo com o levantamento, 12 estados e o Distrito Federal se encontram em "zona de alerta crítica".

As situações mais graves foram registradas em Porto Velho, com 100% dos leitos de UTI para tratamento da covid-19 ocupados, Florianópolis (96,2%), Manaus (94,6%), Fortaleza (94,4%), Goiânia (94,4%) e Teresina (93,0%). Curitiba (90%), Natal (89 0%), Rio Branco (88,7%), São Luís (88,1%), Campo Grande (85,5%), Rio de Janeiro (85%), Porto Alegre (84%), Salvador (82,5%), Boa Vista (82,2%), Palmas (80,2%) e Recife (80%) completam a lista.

A análise se refere às semanas epidemiológicas 5, 6 e 7 de 2021, que abrangem o período de 31 de janeiro a 20 de fevereiro. Nos últimos, porém, a situação da pandemia tem se agravado na região sul do país.

"O Brasil apresentou uma média de 46 mil casos, valor mais elevado que o verificado em meados do ano passado, e média de 1.020 óbitos por dia ao longo das primeiras semanas de fevereiro. Nenhum estado apresentou tendência de queda no número de casos e óbitos", destaca o documento elaborado pelo Observatório, que acrescenta ainda que as incidências de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) no país permanecem em nível muito alto em todos os estados.

Com base nesses dados, os pesquisadores colocam também em pauta o chamado “novo normal”, destacando os já conhecidos desafios, como a sobrecarga do sistema de saúde e de seus profissionais, e a necessidade de adoção de medidas não-farmacológicas para reduzir a velocidade da propagação, bem como os novos desafios, com o lento processo de vacinação e o surgimento das novas variantes do vírus e as incertezas que elas ainda trazem, o que amplia ainda mais a necessidade de romper, ou desacelerar, a rede de transmissão do vírus por meio de medidas preventivas não-farmacológicas. 

"A gravidade deste cenário não pode ser naturalizada e nem tratada como um novo normal. Mais do que nunca urge combinar medidas amplas e envolvendo todos os setores da sociedade e integradas nos diferentes níveis de governo", afirma os pesquisadores no documento.

Recorde

O país está em seu pior momento da pandemia e registrou na quinta-feira recorde de mortes nas últimas 24 horas, com 1.582 registros de óbitos pela Covid-19, chegando ao total de 251.661, de acordo com dados do consórcio de veículos de imprensa. Desde o começo da pandemia mais de 10,3 milhões de brasileiros já foram diagnosticados com o vírus.

Enquanto isso, em viagem ao Ceará, o presidente da República, Jair Bolsonaro voltou a defender nesta sexta-feira (26), o retorno à normalidade no país, depois de ter, na véspera, criticado o uso de mascaras como medida de proteção contra a doença. O chefe do Executivo afirmou que medidas de restrição "estão na contramão daquilo que o povo quer".

"Aos políticos que me criticam, sugiro que façam o que eu faço. Tenho um prazer muito grande de estar no meio de vocês. Dizer a esses políticos do Executivo, o que eu mais ouvi por aqui é: 'presidente, eu quero trabalhar'. O povo não consegue ficar mais dentro de casa", disse Bolsonaro, em evento do governo sobre obras rodoviárias realizado em Tianguá.

E declarou: "O povo quer trabalhar. Esses que fecham tudo e destroem empregos estão na contramão daquilo que seu povo quer. Não me critiquem, vá para o meio do povo mesmo depois das eleições."


Fiocruz/Agência Estado/Dom Total



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