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02/03/2021 | domtotal.com

Maconha e o coração

Maconha em excesso também causa problemas no coração

Entre os intoxicados por drogas ou por um coquetel de drogas que acabaram no hospital, 66% eram turistas
Entre os intoxicados por drogas ou por um coquetel de drogas que acabaram no hospital, 66% eram turistas (Unsplash/Add Weed)

Lev Chaim*

Voltava da caminhada por volta das 10h30min da manhã, quando me sentei num banco entre as árvores para descansar alguns minutos. Foi neste momento que ouvi, nas minhas costas, uns lamentos e voltei-me com a cabeça para verificar o que era: um jovem, por volta dos 27 anos de idade, estava deitado na grama, com a mão no peito e gemendo de dor. Corri até ele e perguntei-lhe o que estava sentindo. Ele respondeu que estava com muita dor no peito. E disse ainda que havia fumado três cigarros de maconha. Liguei para a linha de ajuda rápida e, em quinze minutos, uma ambulância chegou e o levou para o hospital. Ali mesmo, eles constataram que o jovem estava tendo um infarto.

A pressa em chamar a ambulância teve a ver com um artigo que havia lido naquela manhã, no jornal holandês Trouw, sobre os efeitos nefastos da maconha para o coração. Era uma tese da médica, Femke Gresnigt, de um hospital de Amsterdã, que havia chegado a seguinte conclusão, após seus estudos apurados durante algum tempo: "ao contrário do que muitos pensam, a maconha pode ser muito mais perigosa para o coração do que até agora se pensava". E o estudo foi realizado com 350 pacientes ao ano, consumidores de maconha, sem qualquer dose extra de bebida alcoólica. Aí, constatou-se que, deste total, a metade apresentou queixas cardíacas: batimento cardíaco, desmaios e dor no peito. Outros tiveram crise de pânico ou vômito. E a Holanda, caros leitores, é famosa por sua política de tolerância a drogas leves, principalmente maconha, admitindo que as pessoas possam comprar o necessário para o consumo próprio. Isto em Coffie Shops especiais, que existem em todo o país, mas, principalmente em Amsterdã, a cidade mais turística do país.

E neste estudo constatou-se que o número desses pacientes só vem crescendo. O cardiologista Robert Riezebos, daquele mesmo hospital de Amsterdã, onde a médica realizou a sua tese, disse que o volume de pessoas com problemas cardíacos por causa de drogas, entre elas a maconha, só cresce e compromete os leitos existentes na Unidade de Terapia Intensiva. Vejam vocês: por dia, chegam ao hospital cerca de 6 pacientes drogados, além de outros que chegam via ambulância. Ao que tudo indica nessa pesquisa realizada, um quarto do total dos enfartados que ali chegam, abaixo dos cinquenta anos, tiveram esses problemas cardíacos devido às drogas. E deste total, 16% estão relacionados com o consumo da maconha, 5% com o consumo de cocaína, 2,6% devido ao consumo de maconha e cocaína. E este total se traduz em 15 pessoas por ano com problemas cardíacos causados por drogas. Não parece muito, mas esses pacientes chegam ali entre a vida e a morte.

Com esses dados nas mãos, o cardiologista holandês Riezebos mostrou-se bastante preocupado pela possível liberação da maconha para jovens, com medo de que aquele total de doentes sérios possa subir ainda mais e ocupar muitos mais leitos da Unidade de Terapia Intensiva dos hospitais. E ele foi bem explícito: para uma maioria dos usuários de maconha que ali chegam, após o uso de um calmante, eles podem retornar à casa. Mas aí, Riezebos afirmou que este ritmo de vida não é nada saudável e se acontecer muitas vezes poderá causar efeitos danosos no coração do paciente. Ele acrescentou ainda que se deve dar instruções em escolas e para os turistas que chegam em Amsterdã, já que a metade do público, que frequenta a noite da capital holandesa, faz uso de drogas pesadas.

E ainda, segundo os boletins de saúde dos hospitais de Amsterdã, os doentes que chegam aos hospitais da capital holandesas, em sua maioria, são homens, por volta dos 31 anos. Em quatro anos, a Unidade de Terapia Intensiva tratou cerca de 8600 pacientes com intoxicações por um leque de drogas misturadas. E entre aqueles que acabaram no hospital, intoxicados por drogas ou por um coquetel de drogas, 66% eram turistas. A médica Gresnigt disse que em seu estudo, ela notou que os turistas de Amsterdã, após algumas horas na cidade, já provaram diversos tipos de drogas. Neste último ano, devido a diminuição brutal do turismo, por causa da pandemia, esse total caiu bastante.

Mas aí, fica o alerta aos consumidores e às autoridades holandesas para que tomem providências para precaver os turistas e os jovens, para tomarem o devido cuidado com as drogas, mesmo as leves, pois até mesmo a maconha pode causar problemas cardíacos. Se você está pensando em vir à Holanda, à Amsterdã, quando estiver terminando a pandemia do vírus corona, tome cuidado: maconha em excesso também causa problemas no coração. Portanto, quem avisa amigo é! Estavam enganados aqueles que, na minha juventude, chamavam aquele que não consumia drogas de "careta".  

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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