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02/03/2021 | domtotal.com

Governo dos EUA promete acelerar vistos e reunir famílias de imigrantes

Crianças separadas dos pais poderão permanecer no país e entidade pede reparação

Imigrantes recebem frutas doadas por voluntários na fronteira do México com os EUA
Imigrantes recebem frutas doadas por voluntários na fronteira do México com os EUA (Guillermo Arias/AFP)

Em uma mudança radical da política de seu antecessor, Donald Trump, o governo do presidente Joe Biden busca avançar nas políticas em relação a imigrantes, legais ou ilegais (não documentados). O congelamento da emissão de vistos para imigrantes legais na gestão anterior criou uma demanda reprimida de 500 mil solicitações, que o governo dos Estados Unidos agora tenta resolver. Na semana passada, o presidente dos EUA revogou a medida que suspendia os vistos de imigração, mas a dificuldade em lidar com a fila em meio à pandemia faz com que a espera seja longa para quem quer entrar no país.

"Não posso prometer que os números diminuirão mês a mês. Existem muitos fatores, incluindo a progressão da pandemia em países em todo o mundo. Imaginamos que esse esforço vai levar tempo", afirmou Julie Stufft, subsecretária de assuntos consulares para serviços de visto do governo americano, em entrevista.

Em outra iniciativa no mesmo sentido, o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, que lidera a força-tarefa de Biden para reunir pais e filhos migrantes que foram separados na tentativa de desencorajar o fluxo de migrantes sem documentos, afirmou que essas pessoas terão a chance de viver juntas nos Estados Unidos ou em seu país natal. "Esperamos reunir as famílias, aqui ou no país de origem, esperamos estar em posição de dar a eles essa opção", revelou Mayorkas em entrevista na Casa Branca.

O número de pedidos de visto de imigrante no escaninho do governo americano é mais de seis vezes maior do que o registrado antes da pandemia. Em janeiro de 2020, os EUA tinham 75 mil pedidos de visto de imigração pendentes - considerando os casos já prontos para a entrevista. Agora, o total de solicitações paradas chega a 473 mil - um número subestimado, segundo o próprio governo.

"Isso dá uma ideia do quanto a fila cresceu desde o início da pandemia", disse Julie. O número inclui os pedidos de visto de imigrantes, que foram novamente liberados pelo governo. A maioria são cônjuges ou parentes de primeiro grau de cidadãos americanos e residentes permanentes - não estão contemplados trabalhadores com visto temporário, de não imigrante.

Talentos

Ao possibilitar a volta da emissão de vistos de imigração, na semana passada, Biden afirmou que a restrição imposta por seu antecessor não promove os interesses dos EUA. "Ao contrário, isso prejudica, inclusive ao impedir que alguns familiares de cidadãos dos EUA e residentes permanentes legais se juntem a suas famílias aqui. Também prejudica as indústrias dos EUA que utilizam talentos de todo o mundo", afirmou Biden.

O reconhecimento por parte do governo americano dos gargalos no processamento de vistos, no entanto, mostra que o desafio de alterar o sistema migratório americano exige mais do que a assinatura de ordens executivas dentro da Casa Branca. O governo lida com o acúmulo de solicitações ao mesmo tempo em que enfrenta limitações no número de entrevistas, que podem ser feitas presencialmente nos consulados, para evitar aglomerações e seguir protocolos de saúde.

Nesse contexto, Mayorkas destacou que conversou com os chanceleres de El Salvador, Guatemala e Honduras, país de origem da maior parte das centenas de milhares de migrantes que nos últimos anos chegaram à fronteira sul dos Estados Unidos alegando fugir da pobreza e da insegurança.

O número de crianças separadas de seus pais na chegada aos Estados Unidos permanece incerto, mas, em janeiro, um documento do tribunal estimou que 611 menores vítimas dessa política ainda não haviam sido identificados.

A poderosa organização de direitos civis Aclu comemorou a promessa de Mayokas, ao mesmo tempo em que argumentou que os Estados Unidos deviam "reparações" a essas famílias que foram vítimas da "tortura" da separação. "Isso inclui um caminho para a cidadania, o cuidado e os recursos para ajudá-los", concluiu a Aclu em comunicado.

Mudança

Antes da pandemia, o Departamento de Estado americano emitia cerca de 10 milhões de vistos por ano. Cerca de 500 mil eram vistos de imigrante. O restante eram vistos de não imigrante, temporários. A pandemia, no entanto, restringiu o número de funcionários que podem atender presencialmente nos consulados e também o total de visitantes recebidos por dia para entrevista e colheita de impressões digitais.

"A prioridade agora é a emissão dos vistos de imigrantes e, entre eles, os de cônjuges e filhos de cidadãos americanos que não estejam sujeitos a restrições regionais", disse a representante do governo, ao lembrar que há limitações de entrada nos EUA de viajantes de países como Brasil, China, Irã, Reino Unido, África do Sul e outros 26 países europeus.

A maioria dos postos consulares dos EUA, de acordo com Julie, estará voltada para a emissão de vistos de imigrantes ou serviços emergenciais. "Priorizamos o processamento de vistos de imigrantes, ponto final. Em todos os postos. Esses serão os primeiros vistos a serem concedidos", afirmou.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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