Coronavírus

02/03/2021 | domtotal.com

Covid-19: alta na taxa de transmissão indica doença fora de controle no Brasil

Mesmo com avanço do vírus, muitos brasileiros ignoram riscos e se aglomeram

É comum desrespeitar o distanciamento no Brasil
É comum desrespeitar o distanciamento no Brasil (Tomaz Silva/Abr)

A taxa de transmissão (Rt) da Covid-19 no Brasil aumentou significativamente em relação às duas últimas semanas, segundo dados divulgados semanalmente pela Imperial College, de Londres. A Rt passou de 1,02 e 1,03 para 1,13 (podendo variar entre 1,10 e 1,15) - o que significa dizer que 100 pessoas infectadas contaminam outras 113.

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A taxa deve estar abaixo de 1,0 para que a pandemia seja considerada controlada. Desde dezembro, o país apresenta Rt acima de 1,0, indicando que a doença está fora de controle. De acordo com estimativas da universidade britânica, o Brasil deve registrar nesta semana até 9.500 mortes.

As maiores taxas de transmissão do Sars-CoV-2 esta semana foram registradas no Iraque (1,35), Palestina (1,26) e Bulgária (1 24). Os números mais baixos ocorreram na Suécia (0,53), na Suíça (0,56) e em Portugal (0,56).

Senado aprova MP

Com a vacinação lenta, o Senado aprovou nesta terça-feira (2) uma proposta para autorizar estados e municípios a comprar e aplicar vacinas contra a Covid-19 caso o governo federal não adquira doses suficientes para vacinar a população. O dispositivo foi incluído pela Câmara em uma Medida Provisória do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e confirmado pelos senadores.

Como houve alteração, o texto dependerá de sanção do chefe do Planalto. A medida aprovada pelos parlamentares dá prazo de sete dias para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidir sobre a autorização de uso emergencial e temporário de vacinas que tenham recebido aval de outros países, em uma lista que considera desde os Estados Unidos até a Índia.

O dispositivo foi desenhado para facilitar a aprovação da Sputnik V e da Covaxin, vacinadas desenvolvidas na Rússia e Índia, respectivamente. Atualmente, esse prazo é de 10 dias, caso a vacina tenha passado pela última etapa de testes no Brasil (a fase 3). A MP tira a necessidade da conclusão da fase 3, mas exige relatório técnico das autoridades internacionais, que na prática comprova padrões de qualidade do produto. Sem esse documento, o prazo passa a ser de 30 dias.

Discussão

A medida provisória é discutida no momento em que o Ministério da Saúde fechou a compra das vacinas Sputnik V e Covaxin, desenvolvidas na Rússia e Índia, respectivamente, mas os imunizantes não têm aval para uso da Anvisa. As duas empresas ainda devem dados mínimos de segurança e eficácia para que a agência abra o seu prazo de análise.

Houve forte lobby para facilitar a entrada desses imunizantes. A União Química, empresa que representa a Sputnik V no Brasil, tem na linha de frente o dono da empresa, Fernando Marques, candidato derrotado ao Senado nas últimas eleições, o ex-deputado Rogério Rosso e o ex-diretor da Anvisa Fernando Mendes.

A Covaxin, por sua vez, é representada pela Precisa Medicamentos no Brasil. A empresa tem como sócia a Global Gestão em Saúde, que deve R$ 20 milhões ao Ministério da Saúde por descumprir contrato feito na gestão de Ricardo Barros (PP-PR), atual líder do governo na Câmara. Foi Barros quem apresentou emenda para a agência da Índia ser considerada na MP 1026, mas ele nega favorecimento à empresa.


Agência Estado/DomTotal



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