Coronavírus

03/03/2021 | domtotal.com

Com duas internações a cada 2 minutos, estado de São Paulo retoma restrições no sábado

Estado bateu recorde de mortes (468) na terça e ocupação de leitos de UTI supera 75%

Várias cidades o interior paulista estão com 100% da ocupação nos leitos para Covid-19
Várias cidades o interior paulista estão com 100% da ocupação nos leitos para Covid-19 (Silvio Avila/AFP)

Com o aumento de óbitos e internações por covid-19, as redes pública e privada de saúde do estado de São Paulo chegaram a uma média de uma hospitalização por causa da doença a cada dois minutos. Ao todo, 7.415 pacientes estão hospitalizados com suspeita ou confirmação do novo coronavírus em terapia intensiva o que é 18,6% maior do que o pico do ano passado, que era de 6.250 internados.

Diante da situação de quase colapso, o governador João Doria (PSDB) nova reclassificação do Plano São Paulo, válida a partir da 0h de sábado (6), na qual todas regiões do estado entrarão na fase vermelha, a mais restritiva do plano. A classificação é a mais restritiva do plano de flexibilização da quarentena, pois veta a abertura de restaurantes, academias e outros estabelecimentos considerados não essenciais. As escolas seguirão abertas. Ao todo, 11 regiões sofrem a regressão de fase enquanto seis já se encontravam na fase vermelha desde a última classificação na sexta-feira passada (26).

Há uma semana, o governo paulista chegou a dizer que a rede pode entrar em colapso em três semanas se as medidas de restrição não forem suficientes. O estado anunciou nesta quarta-feira (3), a inclusão de todas as regiões na fase vermelha a partir do sábado (6). "Isso é uma tragédia, é uma tragédia que pode ser ainda pior se não tomarmos medidas", destacou Doria. "Esse é o termômetro da linha de frente, dessa tragédia que estamos vivendo", disse.

A média diária de novas internações da atual semana epidemiológica (que segue até sábado) é de 1.906, a segunda mais alta de toda a pandemia (o pico foi de 1.962, na terceira semana de julho). Isso significa um aumento de 4,7% em menos de uma semana e de 26,6% em comparação à penúltima semana. "Temos a tristeza de reconhecer a situação dificílima que estamos vivendo em São Paulo, e não é diferente do (restante) do país", acrescentou Doria. "As próximas duas semanas serão as duas piores da pandemia no Brasil."

Segundo dados do governo estadual, São Paulo tem 2.068.616 casos e 60.381 óbitos por Covid-19. Na terça-feira (2), foram confirmadas 468 mortes causadas pela doença, o maior registro feito no estado desde o início da pandemia. A ocupação de UTI é de 75,3%, média que é 76,7% na Grande São Paulo. Em leitos de enfermaria, a taxa é de 56,8% em todo o estado, enquanto é de 63 5% na região metropolitana da capital.

Em parte do interior de São Paulo, a ocupação de UTI é ainda maior, chegando a até 100%. Como noticiou o Estadão, além da tentativa de abrir novas vagas, secretarias de saúde de municípios como Araraquara e Bauru transferem pacientes para evitar colapso de seus centros médicos. Na capital paulista, parte dos hospitais privados, como o Albert Einstein e o São Camilo, também estão com os leitos de terapia intensiva totalmente ocupados.

Escolas abertas

Esta é a primeira vez, durante a pandemia, que São Paulo manterá as escolas abertas na fase vermelha, algo que teve como exemplo países europeus, como França, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca e Suécia, além de Cingapura. A visão de que a escola - desde que cumpra protocolos sanitários e de distanciamento social - não é um local de grande transmissão para a covid-19 foi se fortalecendo ao longo dos últimos meses, com estudos científicos que analisaram casos na educação presencial em vários países. Além disso, outras pesquisas também indicaram que as crianças se infectam menos e transmitem menos o vírus.

Mesmo assim, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, teve de insistir internamente no governo para que seu entendimento de deixar escolas abertas prevalecesse. Em dezembro ele conseguiu publicar um decreto garantindo que a educação permanecesse funcionando em todas as fases do Plano São Paulo.

Nesta semana, com a piora da pandemia e a possibilidade de novas restrições, novamente o assunto se mostrou polêmico dentro da gestão Doria. O secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, deu declarações em que defendeu o fechamento das escolas e não de outros serviços. A entrevista causou mal estar no governo e a secretaria da Saúde teve, a pedido do Palácio dos Bandeirantes, de publicar uma nota dizendo que se tratava de uma opinião pessoal do secretário.

A interlocutores, Doria tem dito que quem decide sobre o fechamento de escolas é o secretário de educação, o que deu força a Rossieli. Ele tem ao seu lado alguns integrantes do centro de contingência contra a covid-19, como pediatras, que têm defendido também a manutenção da escola pelo prejuízo mental e de desenvolvimento das crianças.

O Brasil é um dos países do mundo que mais ficou com escolas fechadas, passando de 260 dias. Outros, considerados exemplos da educação mundial, como Reino Unido e Alemanha, pararam escolas por menos de 90 dias.


Agência Estado/Dom Total



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