Mundo

10/03/2021 | domtotal.com

Instituto dos EUA aponta graves violações e genocídio de uigures pela China

Com Biden, defesa dos direitos humanos deve pautar as relações sino-americanas

Manifestante uigur participa de protesto em Istambul, na Turquia, onde vivem milhares de refugiados
Manifestante uigur participa de protesto em Istambul, na Turquia, onde vivem milhares de refugiados (Ozan Köse/AFP)

Um relatório do instituto Newlines for Strategy and Policy, com sede em Washington, coloca novamente o debate sobre genocídio cometido pela China contra a minoria étnica uigur, que vive no oeste do país e cuja maioria é muçulmana. A Newlines selecionou mais de 30 especialistas em áreas que vão desde o direito internacional até políticas étnicas chinesas e afirma ter examinado as evidências disponíveis a respeito do tratamento dado pelo governo chinês ao povo uigur e a Convenção do Genocídio.

Ativistas de direitos humanos disseram que a região de Xinjiang é o lar de uma vasta rede de campos de internação extrajudiciais que detêm ao menos um milhão de pessoas, locais que a China afirma serem centros de treinamento vocacional para combater o extremismo. "Os uigures estão sofrendo sérios danos físicos e mentais por causa da tortura sistemática e do tratamento cruel, incluindo estupro, exploração e humilhação pública, nas mãos dos funcionários dos campos", observa o relatório.

A Newlines, que antes era conhecida como Center for Global Policy, divulgou um relatório em dezembro sobre supostos trabalhadores de minorias étnicas em Xinjiang que estavam sendo forçados a colher algodão por meio de um programa estatal coercitivo. O relatório - que fez referência a documentos governamentais virtuais - informava que o número total envolvido em três regiões de maioria uigur excede em centenas de milhares uma estimativa, de 2018, de 517 mil pessoas forçadas a colher algodão como parte do esquema.

De acordo com o documento, o tratamento dado pelo governo chinês aos uigures viola "todo e qualquer ato" considerado proibido pela Convenção do Genocídio das Nações Unidas. A convenção foi aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 1948, com signatários que incluem a China e 151 outros países.

O texto da ONU oferece um punhado de definições específicas sobre genocídio, como a imposição deliberada de condições "calculadas para provocar a destruição física (de um grupo) no todo ou em parte". Embora violar apenas parte da convenção já possa ser algo qualificado como genocídio, o relatório alega que as autoridades chinesas estão "violando todo e qualquer ato considerado proibido", de acordo com as definições.

"As pessoas e entidades que perpetram os atos de genocídio são todos agentes ou órgãos do Estado - agindo sob o controle efetivo do Estado - manifestando a intenção de destruir os uigures como um grupo", ressalta o relatório.

A China negou veementemente as acusações de trabalho forçado envolvendo uigures em Xinjiang e diz que programas de treinamento, esquemas de trabalho e melhor educação ajudaram a acabar com o extremismo na região.

Teste geopolítico

O relatório, porém, deverá ajudar o governo dos Estados Unidos aumentar a pressão sobre o caso. O governo do ex-presidente Donald Trump declarou em janeiro que a China estava cometendo genocídio contra os uigures e outros povos, em sua maioria muçulmanos.

O novo secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, afirmou nesta quarta-feira (10), que o país está determinado a colocar "direitos humanos e democracia no centro" da ação sobre a China e que o relacionamento com a potência asiática é o "maior teste geopolítico do século 21".

Em audiência na Câmara dos Representantes, o secretário indicou que o país tem uma série de maneiras para agir sobre violações na China, incluindo a imposição de sanções, e "garantir que nós e outros não vamos exportar produtos que sejam usados em abusos". Na visão de Blinken, a ação de outros países além dos EUA é fundamental para garantir que violações não ocorram na China.

"Podemos mostrar para autocracias que democracia é o melhor sistema", afirmou, indicando que China e Rússia teriam interesses na divisão interna de nações ocidentais. Sobre uma reunião com autoridades de Pequim, anunciada nesta quarta que terá lugar no Alasca, Blinken chamou de uma possibilidade "para colocar assuntos sob a mesa", e indicou que os EUA buscarão vantagens competitivas, inclusive para as empresas do país.

Por sua vez, os parlamentares canadenses votaram em fevereiro para rotular o tratamento dado por Pequim aos uigures em Xinjiang como sendo genocídio, e os ministros pediram ao primeiro-ministro Justin Trudeau que rotulasse oficialmente como tal.


AFP/Agência Estado/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!