Religião

17/03/2021 | domtotal.com

Nos 8 anos de papado de Francisco, as 8 imagens mais marcantes do pontífice

Da primeira aparição ao público até o encontro com o aiatolá Sistani, em sua viagem ao Iraque, confira as principais imagens que marcaram o papado de Francisco

O papa Francisco aparece pela primeira vez na varanda central da Basílica de São Pedro no Vaticano em 13 de março de 2013
O papa Francisco aparece pela primeira vez na varanda central da Basílica de São Pedro no Vaticano em 13 de março de 2013 (CNS/Paul Haring)

Colleen Dulle
America Magazine

Oito anos atrás, o papa Francisco apareceu na varanda da Praça de São Pedro pela primeira vez, vestido não com a capa de arminho vermelha e os mocassins preparados para o próximo papa, mas com uma batina branca simples e seus velhos sapatos ortopédicos pretos.

Seu traje simples deu o tom para o que se tornaria um papado turbulento, incluindo 52 viagens papais, seis documentos principais, três sínodos e milhares de discursos e homilias com o objetivo de mudar a Igreja em direção à simplicidade, à colegialidade e ao cuidado com os pobres e rejeitados.

Embora muita tinta tenha sido derramada pelos observadores do Vaticano, na missão de interpretar como os escritos do papa e as mudanças estruturais irão moldar a Igreja nos próximos anos, os gestos do papa Francisco podem fazer ainda mais para definir seu legado.

Muito depois de Amoris Laetitia e Laudato Si terem desaparecido na história, as pessoas vão se lembrar das imagens desse papa sul-americano abraçando calorosamente um homem coberto de tumores, caindo no chão para beijar os pés de líderes africanos que antes estavam em guerra ou orando sozinho na chuva na Praça de São Pedro, no auge da pandemia do coronavírus.

Este é um papa que vive a frase frequentemente atribuída ao seu homônimo, São Francisco de Assis: "Pregue o Evangelho em todos os momentos. Quando necessário, use palavras".

Em homenagem aos oito anos do papa Francisco, aqui estão as oito principais imagens de seu pontificado.

1. Papa Francisco saúda o mundo pela primeira vez como papa, 13 de março de 2013

O papa Francisco aparece pela primeira vez na varanda central da Basílica de São Pedro no Vaticano em 13 de março de 2013 (CNS/Paul Haring)O papa Francisco aparece pela primeira vez na varanda central da Basílica de São Pedro no Vaticano em 13 de março de 2013 (CNS/Paul Haring)Indo para o conclave de 2013, poucas pessoas consideraram o cardeal Jorge Bergoglio um favorito - muito menos o próprio cardeal-arcebispo de Buenos Aires. Como o correspondente do Vaticano nos Estados Unidos, Gerard O'Connell, detalha em seu livro A eleição do papa Francisco: Um relato interno do conclave que mudou a história (Orbis, 2019), quando Francisco apareceu na varanda da Basílica de São Pedro pela primeira vez como papa, ele "apenas ficou lá em silêncio, imóvel. Parecia atordoado com o mar de humanidade que se estendia na escuridão diante dele, do outro lado da praça, direto na Via da Consolação que se estendia em direção ao Castelo de Santo Ângelo".

Francisco saudou as multidões como seus "irmãos e irmãs" e disse: "Vocês sabem que era dever do conclave dar um bispo a Roma. Parece que meus irmãos cardeais foram até os confins da terra para conseguir um, mas aqui estamos nós!". Antes de dar sua bênção, pediu que a multidão parasse e orasse por ele por um momento. Um silêncio desceu.

O'Connell escreve que havia algo novo no ar romano naquela noite: uma antecipação de que o primeiro papa não europeu em 1,2 mil anos, o primeiro papa jesuíta e o primeiro a tomar o nome de São Francisco, poderia, como ele mesmo disse aos cardeais em sua reunião pré-conclave, abrir as janelas de uma Igreja empoeirada para deixar o Espírito Santo soprar.

2. Lavando os pés de prisioneiros, mulheres e muçulmanos na Quinta-feira Santa, 28 de março de 2013

O papa Francisco lava o pé de um presidiário durante a Missa da Quinta-feira Santa da Ceia do Senhor na prisão para menores de Casal del Marmo, em Roma, 28 de março de 2013. (Foto CNS / L´Osservatore Romano via Reuters)O papa Francisco lava o pé de um presidiário durante a Missa da Quinta-feira Santa da Ceia do Senhor na prisão para menores de Casal del Marmo, em Roma, 28 de março de 2013 (CNS / L'Osservatore Romano via Reuters)Logo após sua eleição, o novo papa chamou a atenção do mundo quando realizou uma pequena liturgia de Quinta-feira Santa em um centro de detenção juvenil. Rompendo com a tradição, o papa lavou os pés de 12 jovens presidiários, incluindo, pela primeira vez, duas meninas: uma cristã e uma muçulmana. Três anos depois, ele mudaria o texto do Missal Romano para incluir oficialmente as mulheres no rito do lava-pés, um movimento que enfrentou resistência dentro do Vaticano.

Desde então, todos os anos, o papa lavou os pés de mulheres, minorias e pessoas à margem da sociedade, como os idosos, em suas liturgias da Quinta-feira Santa.

3. O papa Francisco abraça um homem com uma doença grave de pele, 6 de novembro de 2013

O papa Francisco abraça Vinicio Riva, 53 anos, durante sua audiência geral na Praça de São Pedro no Vaticano, 6 de novembro de 2013. Riva, que sofre de neurofibromatose, disse que receber o abraço do papa foi como estar no paraíso. (Foto CNS/Claudio Peri, EPA)O papa Francisco abraça Vinicio Riva, 53 anos, durante sua audiência geral na Praça de São Pedro no Vaticano, 6 de novembro de 2013. Riva, que sofre de neurofibromatose, disse que receber o abraço do papa foi como estar no paraíso (CNS/Claudio Peri, EPA)Vinicio Riva estava acostumado com o medo das pessoas. Riva aprendeu a reprimir sua raiva quando as pessoas o assediavam por causa de sua condição de pele: seu rosto e corpo estão cobertos por tumores graves que muitas vezes sangram através de sua camisa, disse sua tia à CNN. Por isso, Riva ficou chocado quando o papa Francisco o abordou sem hesitação em uma audiência pública em novembro de 2013, abraçando-o e deixando-o colocar a cabeça no peito do papa.

"Quando ele se aproximou de nós, pensei em pegar sua mão [para beijar]", disse a tia de Riva, Caterina Lotto, à CNN. "Em vez disso, o papa foi direto para Vinicio e o abraçou com força. Eu pensei que o papa não iria soltá-lo, segurou o Vinicio com tanta força. Nós não falamos. Não dissemos nada, mas ele olhou para mim como se estivesse cavando fundo, um olhar lindo que eu nunca teria esperado".

A imagem se tornou viral, parte do "efeito Francisco" que tocou os corações do mundo no início do papado.

4. O patriarca ecumênico Bartolomeu beija a cabeça do papa Francisco, 29 de novembro de 2014

O patriarca ecumênico Bartolomeu de Constantinopla beija o Papa Francisco enquanto se abraçam durante um culto ecumênico de oração na Igreja patriarcal de São Jorge em Istambul, 29 de novembro de 2014 (Foto CNS/Paul Haring)O patriarca ecumênico Bartolomeu de Constantinopla beija o Papa Francisco enquanto se abraçam durante um culto ecumênico de oração na Igreja patriarcal de São Jorge em Istambul, 29 de novembro de 2014 (CNS/Paul Haring)Durante sua viagem papal a Istambul, o papa Francisco pediu ao patriarca ecumênico Bartolomeu, o líder espiritual dos Cristãos Ortodoxos Orientais, que abençoasse a ele e "à Igreja de Roma". Quando ele se curvou para receber a bênção, o patriarca o beijou suavemente na cabeça.

Os dois homens têm um relacionamento afetuoso, geralmente se beijando na bochecha e se abraçando quando se encontram. Alcançar a unidade entre as igrejas orientais e ocidentais, que estão em cisma desde a Idade Média, é um dos principais objetivos do papa Francisco.

5. Um raio de luz atinge a cruz do papa Francisco em seu voo de volta de Dublin, em 26 de agosto de 2018

Um raio de luz ilumina o papa Francisco enquanto ele responde a uma pergunta da repórter Anna Matranga, da CBS News, a bordo de seu voo de Dublin a Roma em 26 de agosto (Foto CNS/Paul Haring)Um raio de luz ilumina o papa Francisco enquanto ele responde a uma pergunta da repórter Anna Matranga, da CBS News, a bordo de seu voo de Dublin a Roma em 26 de agosto (CNS/Paul Haring)Esperava-se que a viagem do papa Francisco à Irlanda fosse a mais desafiadora até então. A emoção de seus primeiros anos como papa havia passado, e a Igreja americana estava envolvida no que desde então foi chamado de "verão da vergonha": a segunda onda de revelações de abusos sexuais provocadas pelo relatório do Grande Júri da Pensilvânia, onde é relatado detalhadamente 70 anos de alegações e revelações de abuso de menores e seminaristas pelo influente cardeal Theodore McCarrick.

A Igreja Irlandesa, que já foi culturalmente dominante, perdeu milhares de adeptos após o início das revelações de abusos sexuais na década de 1990.

Durante a noite da viagem de dois dias do papa, o ex-embaixador papal nos Estados Unidos, o arcebispo Carlo Maria Viganò, divulgou uma carta estrondosa alegando que membros da hierarquia romana fizeram vista grossa ao abuso do ex-cardeal McCarrick. A carta conclamava o papa Francisco a renunciar, em uma atitude que o repórter do Vaticano, Christopher Lamb, chamou de "golpe meio armado contra seu papado". As reivindicações de Viganò contra o papa foram desmascaradas pela imprensa e, depois de mais de dois anos, pelo Vaticano.

No momento, porém, o papa Francisco se recusou a comentar a carta. Quando a repórter da CBS News Anna Matranga perguntou ao papa Francisco sobre o fato, durante uma coletiva de imprensa em seu voo de volta a Roma de Dublin, o papa disse: "Eu li a declaração esta manhã e, sinceramente, devo dizer isso a você e a todos os interessados: Leiam isso atentamente e faça seu próprio julgamento... Acho que a declaração fala por si mesma, e você tem capacidade jornalística suficiente para fazer uma conclusão". Quando Francisco deu essa resposta, um raio de luz pousou na cruz do papa e no anel do pescador.

6. Beijando os pés dos líderes em guerra do Sudão do Sul, 11 de abril de 2019

A vice-presidente do Sudão do Sul, Rebecca Nyandeng De Mabior, reage quando o Papa Francisco se ajoelha para beijar seus pés em 11 de abril de 2019, na conclusão de um retiro de dois dias no Vaticano para os líderes políticos da nação africana (CNS/Vatican Media via Reuters)A vice-presidente do Sudão do Sul, Rebecca Nyandeng De Mabior, reage quando o Papa Francisco se ajoelha para beijar seus pés em 11 de abril de 2019, na conclusão de um retiro de dois dias no Vaticano para os líderes políticos da nação africana (CNS/Vatican Media via Reuters)Durante um retiro incomum patrocinado por anglicanos e católicos para ex-líderes do Sudão do Sul em guerra, o papa Francisco chocou o presidente da nação e quatro de seus cinco vice-presidentes ao se curvar diretamente para beijar seus pés enquanto implorava que trabalhassem juntos pela paz. Os vice-presidentes representam diferentes facções que anteriormente estiveram em guerra, mas concordaram em dividir o poder em um esforço para fazer a paz no país.

Como disse o bispo sul-sudanês Eduardo Hiiboro Kussala à América, o gesto do papa foi "visto como nada menos do que um milagre, nada menos do que a intervenção de Deus", por membros de uma cultura que valoriza a deferência aos mais velhos.

7. Papa Francisco ora na Praça de São Pedro pelo fim da pandemia do coronavírus, 27 de março de 2020O papa Francisco segura a custódia enquanto entrega sua extraordinária bênção urbi et orbi (à cidade e ao mundo) durante um momento de oração no pórtico da Basílica de São Pedro no Vaticano em 27 de março de 2020 (CNS/Vatican Media)O papa Francisco segura a custódia enquanto entrega sua extraordinária bênção urbi et orbi (à cidade e ao mundo) durante um momento de oração no pórtico da Basílica de São Pedro no Vaticano em 27 de março de 2020 (CNS/Vatican Media)No auge da primeira onda de pandemia de coronavírus na Itália, o papa Francisco deu uma bênção extraordinária urbi et orbi ("para a cidade e o mundo") geralmente reservada para a Páscoa, o Natal e a eleição de um novo papa.

O culto rigoroso, realizado na Praça de São Pedro vazia e encharcada pela chuva, foi transmitido para milhões de pessoas em todo o mundo que estavam isoladas por medo da pandemia. Refletindo sobre a história do Evangelho dos discípulos enfrentando uma tempestade enquanto Jesus dormia em seu barco, disse: "Percebemos que estamos no mesmo barco, todos nós frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários, todos nós chamados para remarmos juntos, cada um de nós precisando consolar o outro".

Após a reflexão, o papa carregou uma custódia da Basílica de São Pedro para a praça, içando-a acima de sua cabeça com grande esforço, esbofeteada pelo vento e pela chuva, enquanto os sinos da igreja e as sirenes das ambulâncias ecoavam pelas ruas vazias de Roma.

8. O papa Francisco encontra o aiatolá Sistani

O papa Francisco segura a custódia enquanto entrega sua extraordinária bênção urbi et orbi (à cidade e ao mundo) durante um momento de oração no pórtico da Basílica de São Pedro no Vaticano em 27 de março de 2020 (CNS/Vatican Media)O papa Francisco segura a custódia enquanto entrega sua extraordinária bênção urbi et orbi (à cidade e ao mundo) durante um momento de oração no pórtico da Basílica de São Pedro no Vaticano em 27 de março de 2020 (CNS/Vatican Media)O papa Francisco declarou no primeiro mês de seu pontificado que esperava construir relacionamentos mais fortes entre cristãos e muçulmanos, um compromisso que seguiu ao visitar vários países de maioria muçulmana e assinando um documento importante com o grande imam sunita Ahmad al-Tayyeb, que serviria de inspiração para a recente encíclica do papa, Fratelli Tutti.

Este ano, Francisco se concentrou em fazer incursões com os muçulmanos xiitas, encontrando-se com o venerado clérigo aiatolá Ali al-Sistani. O aiatolá não recebe visitantes publicamente nem é fotografado há uma década, mas se encontrou com o papa Francisco em sua casa na semana passada, cumprimentando-o calorosamente e conversando com ele por quase uma hora. A reunião, disseram os especialistas, enviou uma mensagem de paz a todo o mundo muçulmano.

Antes da reunião, a arte de rua do papa e do aiatolá apareceu nas paredes ao redor de Najaf, a cidade sagrada islâmica onde os dois líderes se encontraram. Uma imagem chamou o encontro de uma reunião dos sinos da igreja e dos minaretes, as torres das mesquitas a partir das quais os muçulmanos são chamados à oração. Um poeta xiita escreveu que o baba do cristianismo e o baba do islamismo se abraçariam, brincando com as semelhanças entre as palavras para "papai" e "papa" em muitas línguas.

Colleen Dulle é produtora assistente de áudio e vídeo.

Publicado originalmente em America Magazine.

Traduzido por Ramón Lara



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