Religião

19/03/2021 | domtotal.com

Olha o que foi meu bom José?

A liberdade do carpinteiro de Nazaré é permeada pela confiança em Deus

A vida de José parece ser um bom exemplo de como essa aventura nos possibilita viver coisas impensáveis e bastante significativas
A vida de José parece ser um bom exemplo de como essa aventura nos possibilita viver coisas impensáveis e bastante significativas (Vatican News)

Felipe Magalhães Francisco*

Quem escutou a Rita Lee cantando o amor de José por Maria, possivelmente tenha imaginado e se perguntado sobre a vida deste homem, tão importante para a religiosidade católica, mas a respeito de quem tão pouco sabemos. A canção nos conduz a refletir sobre a grande aventura que é viver. E a vida de José parece ser um bom exemplo de como essa aventura nos possibilita viver coisas impensáveis e bastante significativas.

Os relatos evangélicos nos dizem muito pouco acerca de José. Esse pouco, no entanto, dá muito o que pensar, como será possível perceber nos textos que compõem este Dom Especial. Tanto as narrativas e os silenciamentos evangélicos a respeito de José, bem como a letra da canção acima mencionada, pessoalmente me fazem pensar numa característica importante, que talvez possa nos ajudar a meditar sobre nossa personagem: a liberdade de José.

Ele estava prometido a uma jovem em casamento, segundo contam as narrativas. Ele poderia ter se negado a manter esse acordo entre as famílias, cancelando o casamento; poderia ter ido embora, e se recusado a compactuar com toda a história que se desenvolveria. É certo que qualquer das atitudes que tomasse, as consequências surgiriam. O caminho escolhido por José também teve suas consequências: Jesus nasceu e o restante da história bem sabemos? José precisou ser livre para assumir o caminho que escolheu percorrer, mesmo que pudesse não compreender, nem minimamente, o lugar para o qual este caminho o conduziria. Podemos dizer: trata-se de uma liberdade permeada pela confiança.

Olha o que foi o meu bom José? um homem livre, que soube responder por suas escolhas, amparado pela fé e pela coragem. Foi assim que pôde se entregar à grande aventura de ser personagem tão importante para a história da salvação. E este é o ponto em que eu concluo o editorial, seguindo o silêncio dos evangelhos, a respeito desta figura. Passo, imediatamente, à apresentação dos textos do nosso Dom Especial. Eles, sim, trazem reflexões importantes e significativas, que podem nos inspirar em nosso próprio caminho de fé e a aprender alguma coisa, a partir do pouco - mas um pouco que é o suficiente - que os evangelhos abordam sobre José.

No primeiro texto, José: modelo de discípulo do Reino, no Evangelho segundo Mateus, Jaldemir Vitório nos conduz por uma hermenêutica do primeiro evangelho, na chave de leitura do "discipulado", tão importante para a identidade dos cristãos e cristãs. Rodrigo Ferreira da Costa, no artigo Patris Corde: uma inspiração consoladora em tempos de crise, ajuda-nos a perceber pontos importantes da carta apostólica do papa Francisco, enviada por ocasião da proclamação do Ano de São José, que iluminam os tempos turbulentos que vivemos no presente. Por fim, Lorena Alves Silveira, no artigo A celebração da fé em sintonia com a devoção a São José, propõe caminhos litúrgico-pastorais que podem agregar práticas adequadas à celebração da fé, em nosso contexto atual, levando em conta a devoção a São José, neste Ano proclamado pelo papa Francisco.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo e professor. Coordena a editoria de religião deste portal. É co-autor do livro Teologia no século 21: novos contextos e fronteiras (Saber Criativo, 2020). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.



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