Brasil

19/03/2021 | domtotal.com

Minas

O estado recuou, regrediu, diminuiu de importância e expressão

Romeu Zema, representante do Novo mais velho que há no Brasil
Romeu Zema, representante do Novo mais velho que há no Brasil (Gil Leonardi / Imprensa MG)

Eleonora Santa Rosa*

Minas Gerais tem, hoje, um dos mais limitados e despreparados governantes de sua história, e olha que a safra não tem sido das melhores há tempos.

De uma inabilidade atroz, de uma incapacidade administrativa de fazer corar e de uma ausência de ousadia ímpar, Romeu Zema, representante do Novo mais velho que há no Brasil, é o responsável direto pelo quadro do agravamento da propagação da Covid em MG. Não entendeu e não conseguiu avaliar o 'cataclismo' que se aproximava e já fazia sérios estragos. No início da pandemia, chegou mesmo a dizer, para o espanto de todos, que o "vírus deveria viajar". Desprovido de experiência, de percepção e sensibilidade social, é um dos expoentes da geração de empresários interioranos ou da capital, bem-sucedidos, que se consideram aptos a concorrer às eleições porque são bons negociantes.

A maior parte dessas pessoas não tem a mínima ideia ou noção do que é gestão pública, do que é administração pública, do que são políticas públicas e obrigações do Estado, constitucionalmente consagradas.

Os parvos de penacho grande e ego ainda maior defendem o estado mínimo, a privatização ostensiva, a redução das obrigações sociais do Poder Público. No entanto, por outro lado, defendem, de modo intransigente, incentivos empresariais, financiamentos largos e longos dos bancos públicos, empréstimos camaradas para seus pares.

Escreveu o sábio (mineiro) Otto Lara Rezende, Minas está onde sempre esteve. Não mais. Politicamente, recuou, regrediu, diminuiu de importância e expressão, ao contrário, de sua cultura, de sua arte, que permanecem ativas, altivas, transformadoras, mesmo a pão e água.

Vergonha maior é o alinhamento com o Planalto, o silêncio servil, a subserviência danosa e a simploriedade como pedra de toque governamental. Subalterna e desprestigiada, Minas atravessa "longo trecho em declive".

Haverá, por certo, de soerguer-se, com dignidade e ânimo, resgatando seu lugar no cenário nacional, sua força política, seu compromisso com a História, superando episódios de vassalagem e compadrio, retomando a luta pela liberdade, pelos valores humanos, pelo respeito aos direitos da cidadania, pela inovação, por um lugar luminoso no futuro.

Da cava-cova sairá e mostrará a todos a sua face independente, libertária, transformadora.

*Ex-secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, ocupou diversas funções públicas de relevo e desenvolveu projetos de educação patrimonial e de patrimônio cultural de repercussão nacional. Ex-diretora executiva do Museu de Arte do Rio - MAR (de novembro de 2017 a novembro de 2019), é considerada uma das mais experientes e respeitadas profissionais no campo da viabilização, implantação e soerguimento de equipamentos culturais no país. Estrategista e gestora cultural, tem larga experiência editorial; foi responsável pela publicação de mais de meia centena de obras voltadas à história e à cultura de Minas Gerais, tendo sido coordenadora editorial das consagradas Coleções Mineiriana e Centenário da Fundação João Pinheiro. Diretora do Santa Rosa Bureau Cultural, é autora do livro Interstício

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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