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23/03/2021 | domtotal.com

BBB21: o paredão do ranço contra a homofobia

A saída de Rodolffo é um tapa na cara do preconceito

Eliminar a homofobia deve ser a prioridade
Eliminar a homofobia deve ser a prioridade (Reprodução/Globoplay)

Alexis Parrot*

No primeiro paredão imprevisível da temporada, o BBB de hoje à noite irá eliminar Carla Diaz ou Rodolffo. Fiuk, na categoria "café com leite", se salvará novamente mais pelos defeitos de seus concorrentes do que por mérito próprio.

Ainda que a antipatia pela atriz possa ser justificada (mentiras e intrigas, aproximações por conveniência e um romance pontuado pela estratégia fazem parte de sua trajetória na casa), a vontade de vê-la pelas costas não deveria ser o suficiente para livrar o goiano da eliminação. Pela justificativa do líder Gil ao escolhê-lo, sua saída será didática, inclusive para ele mesmo.     

Quem torce para que o sertanejo permaneça no programa integra uma parcela da população do Brasil que ainda encara a homofobia como coisa menor, mais uma subversão do politicamente correto do que um crime – negando o que afirma a própria lei.

Fazem coro com Regina Duarte (ex-secretária de Estado e, pelo jeito, ex-atriz), para quem Bolsonaro é um "homem doce" e cuja homofobia é "da boca pra fora", como se isso existisse. Ou até com Sarah (outra bolsonarista confessa), quando diz que não vê maldade nas piadas do amigo.

Ao votar em Carla Diaz, estaremos apenas reprovando-a; o voto em Rodolffo simboliza mais, é um tapa na cara do preconceito. Se for ele o eliminado, não interessa por qual margem de diferença, vence o respeito ao outro, a cidadania e a esperança em dias melhores.

A essa altura, o ranço pode esperar mais uma semana. Eliminar a homofobia deve ser a prioridade.     

Dicas rápidas para quem tem pressa de assistir TV  

Os serviços de streaming e a TV a cabo se tornaram onipresentes em nossas vidas. São tantas as opções entre séries e filmes, que passamos mais tempo escolhendo o que assistir do que assistindo de fato a alguma coisa.

Para facilitar a vida de quem não tem tempo a perder, seguem abaixo algumas críticas relâmpago e direto ao ponto de lançamentos recentes.   

Falcão e o Soldado Invernal (Disney+): parece melodrama, mas não passa de um videogame.

Um príncipe em Nova York 2 (Amazon Prime): estrelas demais para um diretor de menos.

Cabras da peste (Netflix): estereótipos regionalistas posam de choque cultural para arrancar risadas fáceis. 

QUIZ (Globoplay): um diretor excepcional, um elenco impecável e uma grande história formam o trisal perfeito.

Fake famous (HBO): qualquer um pode ser famoso quando todo mundo é fake.  

Raya e o último dragão (Disney+): no reino do marketing da diversidade, Mulan e Moana fazem escola.

Ginny e Georgia (Netflix): Gilmore girls e Little fires everywhere se encontram na encruzilhada da falta de criatividade. 

Doutor Castor (Globoplay): excesso de episódios para comprovar a máxima "bicheiro bom é bicheiro preso".

Cidade invisível (Netflix): se puxar a capivara da Cuca, até o folclore nacional vira caso de polícia.

Relatos do mundo (Netflix): às portas da terceira idade, o cowboy Woody continua amigo das crianças e encantando.

Pit stop (Netflix): ao repetir velhas piadas e fórmulas gastas, The king of queens derrapa e joga o humor para fora da pista. 

Eu me importo (Netflix): Rosamund Pike é tão malvada quanto um ministro de Bolsonaro.

Soulmates (Amazon Prime): nada mais que um episódio de Black mirror esticado em seis partes.

Agora Muppets (Disney+): para curtir e compartilhar velhos amigos às voltas com novas tecnologias.

Lupin (Netflix): a invisibilidade social cobra das elites a sua parte do bolo.

A história do palavrão (Netflix): que merda!

Frase da semana

Do escritor moçambicano Mia Couto, em conversa com José Eduardo Gonçalves na live do projeto Letra em cena, sobre a esperança que a Covid nos faça olhar para a vida com menos arrogância:

"A maior parte da vida não é visível, no sentido que ocorre em uma dimensão onde estão os vírus, as bactérias; estes são os grandes donos, os grandes maestros... nós somos apenas uma pequenina parte".

*Alexis Parrot é crítico de TV, roteirista e jornalista. Escreve às terças-feiras para o DOM TOTAL.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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