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25/03/2021 | domtotal.com

Em sinal ao EUA, Coreia do Norte testa mísseis balísticos de curto alcance

Nova ação militar ocorre em momento que as negociações nucleares estão paralisadas

Regime mais fechado do mundo possui armas nucleares e teste é provocação para negociação
Regime mais fechado do mundo possui armas nucleares e teste é provocação para negociação (AFP)

A Coreia do Norte realizou testes com mísseis balísticos pela primeira vez desde que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assumiu o cargo. Com o movimento, o país expande sua capacidade militar e aumenta a pressão sobre o governo americano, enquanto negociações nucleares continuam paralisadas. O país do norte da Península da Coreia, que possui armas nucleares, tem um longo histórico de testes de armamento para provocar, um processo cuidadosamente planejado para alcançar seus objetivos. O governo norte-coreano aguardava o momento desde a posse do novo governo americano, que o regime só reconheceu na semana passada.

Ainda assim, os lançamentos desta quinta-feira (25), foram uma provocação contida em comparação aos testes de mísseis nucleares e intercontinentais em 2017, que inspiraram temores de guerra antes que a Coreia do Norte adotasse uma postura diplomática em relação ao governo Trump, em 2018. Analistas dizem que o país vai aumentar gradualmente as exibições militares para aumentar seu poder de barganha, enquanto tenta voltar às negociações paralisadas com o objetivo de tirar vantagens do seu arsenal nuclear para obter benefícios econômicos.

O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul disse que dois mísseis de curto alcance foram disparados por volta de 19h06 e 19h25 (de Brasília) desta quinta-feira (25) de uma área na costa leste da Coreia do Norte. Os projéteis voaram 450 quilômetros, a um apogeu de 60 quilômetros, antes de pousar no mar. Os militares sul-coreanos disseram ter intensificado o monitoramento em caso de "novas provocações" do país. Autoridades presentes em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional da Coreia do Sul expressaram "profunda preocupação" com os testes da Coreia do Norte em um momento no qual o governo Biden busca concluir uma revisão da sua política sobre o país.

O primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, disse que os lançamentos ameaçam "a paz e a segurança do Japão e da região e também é uma violação da resolução da ONU" e afirmou que Tóquio vai coordenar de perto com os EUA e com a Coreia do Sul o acompanhamento dos testes militares do país. O porta-voz do Comando Indo-Pacífico dos EUA, capitão Mike Kafka disse que os militares estavam cientes dos mísseis e estavam monitorando a situação de perto, enquanto se consultavam com aliados.

Outro oficial sênior dos EUA, que falou sob a condição de anonimato, corroborou as informações dos militares sul-coreanos, dizendo que as avaliações iniciais sugerem que a Coreia do Norte disparou dois mísseis balísticos de curto alcance. "Essa atividade destaca a ameaça que o programa ilícito de armas da Coreia do Norte representa para seus vizinhos e para a comunidade internacional", disse Kafka.

Os lançamentos ocorreram um dia após autoridades dos EUA e da Coreia do Sul afirmarem que a Coreia do Norte disparou armas de curto alcance, presumivelmente mísseis, em seu mar ocidental no fim de semana. A Coreia do Norte até agora ignorou os esforços de contato do governo Biden, dizendo que não vai se envolver em negociações significativas a menos que Washington abandone suas políticas "hostis."

A irmã do ditador norte-coreano, Kim Jong-Un, repreendeu os EUA na semana passada devido à realização de exercícios militares combinados com a Coreia do Sul, que acabaram no início do mês. Ela descreveu os exercícios como um ensaio para a invasão do país e disse que Washington deveria "evitar causar confusão" se quiser "dormir em paz" pelos próximos quatro anos.

Os lançamentos ocorreram horas antes de o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, se encontrar com o chanceler russo Sergey Lavrov em Seul para discussões sobre a Coreia do Norte e outros temas regionais. O Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse que os testes de mísseis de domingo foram os primeiros realizados pela Coreia do Norte desde abril de 2020. O presidente Joe Biden minimizou os lançamentos e disse a repórteres: "Não há nenhuma novidade no que eles fizeram."

Resoluções do Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança da ONU, por meio de resoluções, proibiu a Coreia do Norte de desenvolver mísseis balísticos, mas sob o comando de Kim Jong-un o país aumentou sua capacidade e testou mísseis com a capacidade de atingir o território continental dos Estados Unidos a partir da deterioração das relações em 2017.

Trump e Kim, no entanto, iniciaram uma improvável lua de mel diplomática, marcada pelas reuniões históricas de Singapura e Hanói. O governo dos Estados Unidos desistiu de alguns exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, enquanto o Norte congelou os testes de mísseis balísticos intercontinentais. Mas o encontro de cúpula de Hanói, em fevereiro de 2019, fracassou no momento de abordar o fim das sanções em troca de eventuais medidas de desarmamento.

A comunicação foi suspensa, apesar de um terceiro encontro na Zona Desmilitarizada que divide a península da Coreia, e nenhum avanço considerável foi registrado para permitir a desnuclearização. "Parece que a Coreia do Norte está voltando ao modelo familiar de usar as provocações para chamar atenção", disse Jean Lee, do Wilson Center de Washington. "Mas suspeito que a administração Biden enfrentará qualquer lançamento de mísseis balísticos que viole as resoluções do Conselho de Segurança da ONU".

"O lançamento de quinta-feira aponta o início da pressão de Pyongyang sobre Washington para negociar a questão nuclear", declarou Yoo Ho-yeol, professor emérito de estudos norte-coreanos na Universidade da Coreia. "O que vai acontecer depois depende da resposta dos Estados Unidos e da China", completa.

Embora Kim Jong-un tenha prometido fortalecer seu programa de armas nucleares em discursos recentes, ele também tentou dar uma abertura ao novo governo dos EUA, dizendo que o futuro da relação entre os países depende do governo americano.

Funcionários do governo americano afirmaram que a administração Biden tentou, desde a posse em janeiro, entrar em contato com as autoridades norte-coreanas por diversos canais, mas não teve sucesso. Agora a Casa Branca analisa uma estratégia que discutirá com autoridades de segurança japonesas e sul-coreanos na próxima semana.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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