Meio Ambiente

01/04/2021 | domtotal.com

Em 2020, Rússia registrou recorde de temperatura média que afetou o Ártico

Temperatura média anual foi 3,22º superior à média do período de referência (1961-1990), e 1º acima do recorde precedente de 2007

Uma vista da cidade ártica de Nikel na região russa de Murmansk em 26 de fevereiro de 2021
Uma vista da cidade ártica de Nikel na região russa de Murmansk em 26 de fevereiro de 2021 (Kirill Kudryavtsev/AFP)

A Rússia registrou uma temperatura média recorde em 2020, o que provocou um retrocesso histórico da calota polar e do bloco de gelo (gelo flutuante) durante o verão boreal (inverno no Brasil) - anunciou o instituto meteorológico Rosguidromet, em um relatório divulgado na última quinta-feira (25).

Em 2020, a temperatura média anual foi 3,22º superior à média do período de referência (1961-1990), e 1º acima do recorde precedente de 2007, constatou o centro, referindo-se a um ano "extremamente quente, tanto no nosso país, quanto em todo planeta".

O documento diz ainda que "o índice de aquecimento na Rússia é, em média, muito mais elevado do que a média do mundo", estimando que, desde 1976, a temperatura média no país aumentou 0,51° por década.

Rosguidromet também advertiu sobre uma "tendência estável para uma redução do gelo que recobre o Ártico", motivo pelo qual a rota marítima do norte "estava quase totalmente livre de gelo" no final do verão passado, até se situar em seu nível histórico "mais baixo".

Em comparação aos anos 1980, a superfície do gelo é "cinco a sete vezes menor", afirma a agência e "em 2020, o manto de gelo em setembro atingiu uma baixa recorde, com uma área de superfície de 26 mil km².

De acordo com o Serviço Europeu de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), 2020 foi, ao lado de 2016, o ano mais quente a nível mundial. O relatório indica que "a camada de permafrost (pergelissolo) derretida a cada temporada está aumentando".

A agência meteorológica previu temperaturas de primavera acima da média na maior parte do país e um clima seco na Sibéria, aumentando o temor de incêndios florestais, associando este fenômeno às mudanças climáticas.

Ambições no Ártico

A Rússia registrou temperaturas recordes nos últimos anos. A mais excepcional ocorreu em junho de 2020, quando em Verjoianskse, além do Círculo Polar Ártico, houve temperaturas de 38º, o maior nível registrado desde o início das medições, no final do século XIX.

Para muitos cientistas, a Sibéria é, junto com o Ártico, uma das regiões do planeta mais expostas às mudanças climáticas. Isso leva quase inevitavelmente a um aumento nos desastres naturais: incêndios, a propagação de espécies invasoras e até mesmo inundações.

O derretimento do permafrost pode representar grandes riscos: este solo permanentemente congelado contém grandes volumes de CO2 e metano, gases de efeito estufa por excelência que poderiam ser liberados se houvesse um degelo em grande escala e, portanto, agravar o aquecimento global.

Por enquanto, esse degelo provoca principalmente deslizamentos de terra e subsidência do solo (deslocamento para baixo), o que ameaça as infraestruturas urbanas e econômicas.

Na rota marítima do norte, porém, o aquecimento global dá asas às grandes ambições da Rússia no Ártico, onde aspira se tornar a principal potência econômico-militar. O derretimento do gelo torna esta rota mais navegável, dando origem a novas perspectivas comerciais no Extremo Norte, ligando a Ásia e a Europa. Além da pesca, as empresas russas exploram grandes depósitos de petróleo e gás, carvão e minerais preciosos naquela região.


AFP



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