Coronavírus

26/03/2021 | domtotal.com

Butantan desenvolve 1ª vacina 100% nacional e pede registro de testes na Anvisa

Butanvac usa processo similar à vacina da gripe e instituto pretende produzir 40 milhões de doses a partir de maio

Governador de São Paulo João Doria anunciou que o Instituto Butantan desenvolveu uma nova vacina brasileira contra a Covid-19, a Butanvac, e pedirá à Anvisa para iniciar a testagem
Governador de São Paulo João Doria anunciou que o Instituto Butantan desenvolveu uma nova vacina brasileira contra a Covid-19, a Butanvac, e pedirá à Anvisa para iniciar a testagem (Roberto Casimiro/Foto Arena/Estadão Conteúdo)

Atualizada às 10h22

O Instituto Butantan criou uma possível nova vacina contra a Covid-19 e pedirá autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar ensaios clínicos em humanos. O objetivo é ter 40 milhões de doses prontas até o fim deste ano. 

Na manhã desta sexta-feira (26), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez o anúncio oficial da nova vacina contra a Covid-19. Segundo Doria, a vacina é 100% nacional e integralmente desenvolvida e produzida pelo Butantan. Segundo o governador, os resultados dos testes pré-clínicos se mostraram "extremamente promissores" e, caso haja a liberação da reguladora, os testes clínicos poderão começar a partir de abril.

O imunizante será chamado de Butanvac e foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, que lidera um consórcio internacional do qual ele é o principal produtor - 85% da capacidade total de fornecimento da vacina, se tudo ocorrer como previsto, sairá do órgão do governo paulista.

O pedido de autorização se refere às fases 1 e 2 de testes do imunizante, nas quais serão avaliadas segurança e capacidade de promover resposta imune em 1,8 mil voluntários. Na fase 3, até 9 mil pessoas irão participar - etapa que vai estipular a eficácia da nova fórmula. A previsão é de que, caso a Anvisa aprove os testes do imunizante, os estudos comecem em abril e sejam concluídos em até "no máximo" três meses.

A Butanvac tem uma tecnologia já empregada amplamente pelo Instituto Butantan, que utiliza o vírus inativado de uma gripe aviária, chamada doença de Newcastle, como vetor para transportar para o corpo do paciente a proteína S (de spike, espícula) integral do Sars-CoV-2.

De acordo com o diretor do Butantan, Dimas Covas, a produção do imunizante independe da importação de insumos e passa por processo similar à da vacina contra a gripe comum, pela inoculação do vírus em ovos. Segundo afirmou, os testes em animais mostraram que a vacina demonstrou ser mais imunogênica, ou seja, desenvolveu resposta imune em organismos animais maior que em comparação a outras concorrentes no mercado.

Covas afirmou que a Butanvac deverá ter um custo de produção inferior ao de outros imunizantes disponíveis no mercado, próximo aos custos da vacina contra a gripe comum. Covas, entretanto, não divulgou a cifra por dose dos imunizantes. "Em princípio, as vacinas do tipo Influenza, da mesma tecnologia são vacinas muito baratas. Entre todas as vacinas, são as mais baratas no mundo", disse Covas. "Esperamos que aconteça aqui também com essa vacina: um custo bem inferior às vacinas que estão sendo usadas nesse momento", completou. Segundo ele, colaboram também para que a vacina tenha um preço menor que as outras a produção nacional, que reduz custos logísticos e em relação ao câmbio.

"Estamos começando o processo. Não temos custo definido ainda. A hora que tivermos a vacina de fato sendo produzida para uso, vamos ter condições de fato de definir o custo", afirmou. De acordo com o diretor do instituto, não há até o momento financiamento federal para o desenvolvimento da vacina. O anúncio ao Ministério da Saúde foi feito nesta sexta-feira.

Conforme afirmou, o instituto planeja produzir 40 milhões de vacinas a partir de maio, assim que for encerrada a campanha de imunização contra a gripe, uma vez que a capacidade de produção do Instituto é de 100 milhões ao ano.

De acordo com Covas, o Butantan será o principal produtor das vacinas em consórcio internacional que conta com a participação da Tailândia e Vietnã. Segundo o diretor do instituto, pelo baixo custo de produção, o interesse é fornecer a vacina para países de baixa e média renda a fim de diminuir a contaminação global.

Instituto Butantan

O Butantan é o maior produtor de vacinas do país e já fornece a Coronavac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac. O Instituto conduziu a testagem do imunizante no Brasil e é o responsável pelo envase do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), importado da China. O desenvolvimento da Butanvac em nada altera o cronograma de vacinação da Coronavac.

Diferentemente da Coronavac ou da vacina de Oxford/AstraZeneca, em que os parceiros nacionais podem produzir uma capacidade limitada de doses, agora, o Instituto Butantan é o principal desenvolvedor dentro do consórcio e poderá produzir a maior parte dos imunizantes.

Além da vacina, o órgão já havia pedido à Anvisa a autorização para testar o soro de tratamento contra a Covid-19. Na última quarta-feira (24), Dimas Covas informou que toda a documentação solicitada pela agência havia sido enviada no dia anterior.

Ao lado de Covas na coletiva, Doria estimou que a aprovação deva ocorrer até esta sexta. "O soro contribui, ao lado da vacinação com a vacina do Butantan, para salvar mais vidas", afirmou.

A pandemia já matou mais de 300 mil brasileiros e a imunização anda a passos lentos no País. Balanço da vacinação aponta que 14.074.577 pessoas já receberam a primeira dose. O número representa 6,65% da população brasileira.


Agência Estado/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!