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28/03/2021 | domtotal.com

EUA: Universidade pagará US$ 1,1 bilhão por abusos sexuais de ginecologista

A quantia é recordista em pagamentos de abuso sexual em instituições escolares

(Arquivo) Universidade do Sul da Califórnia (USC), em Los Angeles, Califórnia, em 13 de março de 2019
(Arquivo) Universidade do Sul da Califórnia (USC), em Los Angeles, Califórnia, em 13 de março de 2019 (AFP)

Uma importante universidade da Califórnia concordou em pagar mais de 1 bilhão de dólares em indenizações a centenas de supostas vítimas de abuso sexual por um ginecologista do campus, informou nesta quinta-feira (25) uma advogada dos autores da denúncia.

A Universidade do Sul da Califórnia (USC) chegou a um acordo de 842,4 milhões de dólares aprovado no Tribunal Superior de Los Angeles, disse a advogada Gloria Allred em um comunicado. Além disso, pagará outros 215 milhões em uma ação coletiva federal de 2018.

"O maior acordo de abuso sexual contra uma universidade na história dos Estados Unidos", observou Allred.

O ginecologista George Tyndall foi acusado de abuso durante exames médicos por centenas de pacientes ao longo de sua carreira de 30 anos, um grande escândalo na universidade.

As acusações contra Tyndall, que vão de toques inadequados a estupro, datam de 1990. A suposta vítima mais jovem tinha 17 anos.

O médico, agora com 74 anos, também foi acusado de tirar fotos dos órgãos genitais das pacientes, tocar em seus seios e fazer comentários obscenos, racistas e homofóbicos.

De acordo com as denúncias, Tyndall tinha como alvo principalmente estudantes que faziam parte de minorias, incluindo várias da grande população de alunos asiáticos da universidade.

Centenas de suas ex-pacientes processaram a universidade por não dar uma resposta adequada às acusações contra Tyndall, alegando que a instituição estava ciente das ações do médico, mas continuava a permitir o acesso dele às estudantes.

Tyndall não foi investigado por funcionários da USC até 2016 e foi autorizado a se aposentar sob um acordo com a universidade, cujos detalhes financeiros não foram divulgados.

A USC chegou a um "acordo de princípio" para pagar 215 milhões de dólares no âmbito de uma ação coletiva federal em 2018, mas 702 requerentes optaram por não participar desse pacto e entraram com uma ação no tribunal estadual.

"O tamanho desse acordo é prova do enorme prejuízo que as ações perversas de George Tyndall causaram às nossas clientes", afirmou o escritório de advocacia Manly, Stewart & Finaldi, que representa 234 dessas pessoas, em um comunicado.

"Também mostra a culpa da USC por empregar Tyndall durante 30 anos e ignorar um grande número de queixas e evidências de seus delitos", acrescentou.

A USC não reagiu imediatamente. Em 2018, o reitor da universidade renunciou em meio à pressão de 200 professores devido ao escândalo.

A polícia de Los Angeles abriu sua própria investigação e, em 2019, o médico foi preso e recebeu várias acusações de agressão sexual contra 16 jovens mulheres. Agora, ele aguarda julgamento e pode pegar até 53 anos de prisão se for condenado, segundo a promotoria do distrito.


AFP



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