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26/03/2021 | domtotal.com

OMS pede doação imediata de 10 milhões de doses para acelerar acesso a vacinas

Membros da ONU se comprometem com acesso igualitário, mas produção está atrasada

O diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus cobra distribuição igualitária de vacinas
O diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus cobra distribuição igualitária de vacinas (Christoffer Black/OMS/AFP)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu à comunidade internacional que doe imediatamente 10 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, para ajudar 20 países ante o aumento dos contágios no mundo. 

O sistema internacional Covax, que a OMS administra em conjunto com outros parceiros, "precisa imediatamente de 10 milhões de doses" para que "esses 20 países possam começar a vacinar seus profissionais da saúde e idosos nas próximas duas semanas", disse o diretor geral da agência da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva.

"Muitos países podem fornecer doses alterando um pouco seus planos de vacinação", afirmou. "Dez milhões de doses não é muito e está longe de ser suficiente, mas é um começo. Precisaremos de centenas de milhões de doses adicionais nos próximos meses", acrescentou.

No começo do ano, o chefe da OMS lançou um desafio mundial para que a vacinação dos profissionais da saúde e dos idosos fosse iniciada em todos os países nos primeiros 100 dias de 2021. Até agora, 177 países e territórios conseguiram iniciar a vacinação, segundo Tedros, especialmente graças ao Covax, que distribuiu mais de 32 milhões de vacinas em 61 países.

"Restam apenas 15 dias antes do 100º dia do ano e 36 países ainda esperam vacinas para começar a vacinar os profissionais da saúde e os idosos", disse. Desses 36 países, 16 devem receber suas primeiras doses nos próximos 15 dias. Mas os outros 20 países "aguardam" as vacinas.

"O Covax está disposto a fornecê-las, mas não podemos dar vacinas que não temos", disse Tedros. "Os acordos bilaterais, as proibições de exportação, o nacionalismo e a diplomacia das vacinas provocaram distorções no mercado, com claras desigualdades entre a oferta e a demanda", acrescentou.

O sistema interncional Covax busca fornecer este ano doses de vacinas para 20% da população de cerca de 200 países e territórios, e tem um mecanismo de financiamento para ajudar 92 países desfavorecidos.

Bruce Aylward, conselheiro do diretor geral, pediu aos países que encomendaram mais doses do que suas necessidades que as compartilhem, e convocou a comunidade internacional a apoiar financeiramente o Covax. "Temos a necessidade urgente de 2,3 bilhões de dólares".

'Fase aguda da pandemia'

Um total de 237 milhões de doses da Astrazeneca-Oxford, fabricadas na Coreia do Sul e na Índia, deveriam ser enviadas no fim de maio para 142 países através do sistema Covax. Mas o fornecimento das vacinas atrasou, uma vez que a Índia, que enfrenta uma grande demanda local de vacinas, não concedeu as licenças de exportação para as doses que deveriam ser enviadas em março e abril.

"Não se deve proibir a exportação", afirmou Tedros Ghebreyesus. "O número de casos na Índia aumenta. Eles precisam de mais vacinas localmente para lutar contra o número crescente de infectados, o que é compreensível", ponderou, assinalando que a OMS negociava com autoridades indianas um equilíbrio.

A preocupação da OMS aumenta porque o contágio ganhou força esta semana em quase todas as regiões do mundo. "Não acabamos com a pandemia. Ainda estamos na fase aguda", destacou Maria Van Kerkhove, responsável técnica na OMS pela luta contra a Covid-19.

ONU se mobiliza

Em outra frente, cerca de 180 dos 193 países membros da ONU assinaram uma declaração política em que se comprometem a promover um acesso igualitário às vacinas, anunciou hoje a organização. Eixo de uma reunião da Assembleia Geral, o texto da iniciativa, apresentada pelo Líbano, não foi apoiado por 13 Estados, entre eles Coreia do Norte, Mianmar, Burundi, Benin, República Centro-Africana, Sudão do Sul, Síria e Seychelles. Vaticano e Palestina, com status de observadores, tampouco assinaram a declaração.

"Estamos profundamente preocupados porque, apesar dos acordos internacionais, iniciativas e declarações gerais, a distribuição das vacinas continua sendo desigual no mundo, tanto entre países quanto dentro dos mesmos, destaca o texto. A preocupação também tem relação com o fato de que "um número considerável de países ainda não tem acesso às vacinas".

Os signatários destacam "a necessidade de solidariedade mundial e cooperação multilateral para aumentar a produção e distribuição de imunizantes nos níveis regional e mundial. Nós nos comprometemos a tratar a vacinação como um bem público global, garantindo a todos um acesso igualitário e justo às vacinas, sendo o Covax o mecanismo adequado para tal."

Os países que assinaram a declaração "fomentam ativamente a troca de doses de vacinas dos países que tenham condições de fazê-lo com países de baixos e médios recursos e outros que necessitarem". O documento destaca, ainda, "a solidariedade e intensificação da cooperação internacional" para garantir a proteção de todos, "seja qual for a sua nacionalidade ou local de residência e sem nenhum tipo de discriminação".


AFP/Dom Total



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